{"id":3328,"date":"2024-04-17T15:47:07","date_gmt":"2024-04-17T15:47:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=3328"},"modified":"2024-04-23T17:28:28","modified_gmt":"2024-04-23T17:28:28","slug":"promocao-da-diversidade-socioambiental-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/promocao-da-diversidade-socioambiental-brasileira\/","title":{"rendered":"Promo\u00e7\u00e3o da diversidade socioambiental brasileira<br><span style=\"font-size:16px\">M\u00e1rcio Santilli<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Arawet\u00e9. Fonte: Leonardo Carneiro da Cunha<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Este texto intensifica o Abril Ind\u00edgena ao qual se dedica o Coletivo Brasil. Ap\u00f3s falarmos sobre a <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/comissao-da-anistia-e-a-reparacao-coletiva-aos-povos-guarani-kaiowa-e-krenak\/\">hist\u00f3rica repara\u00e7\u00e3o coletiva concedida aos Guarani-Kaiow\u00e1 e Krenak<\/a>, eis que publicamos um texto de M\u00e1rcio Santilli, pol\u00edtico, ativista dos direitos dos povos ind\u00edgenas e um dos fundadores do Instituto Socioambiental, ISA. \u00c9 um momento significativo. Se, em nossas pesquisas, in\u00fameras vezes consultamos o site <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\">&#8220;Povos Ind\u00edgenas no Brasil&#8221;<\/a> e se publicamos um texto sobre o <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/redario-articulacao-de-coletores-de-sementes\/\">Red\u00e1rio de Sementes<\/a>, precisamos tamb\u00e9m agradecer ao ISA. A Produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de conhecimento, a defesa de direitos, a comunica\u00e7\u00e3o e o apoio a parceiros locais s\u00e3o as linhas que guiam a institui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 30 anos o ISA vem ensinando que &#8220;socioambiental se escreve junto&#8221;. Tal qual rela\u00e7\u00e3o de &#8220;raiz-antena&#8221;, unem-se comunidades locais e decis\u00f5es pol\u00edticas. Em uma &#8220;Alian\u00e7a dos Povos da Floresta&#8221;, juntam-se Ailton Krenak e Chico Mendes. Hoje, quando muito se discute a desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 gigante a import\u00e2ncia desse grande banco de informa\u00e7\u00f5es qualificadas sobre o Brasil socioambiental. Na comemora\u00e7\u00e3o de sua terceira d\u00e9cada, o ISA lan\u00e7a filme e <a href=\"https:\/\/loja.socioambiental.org\/catalogo\/uma-enciclopedia-nos-tropicos\/\">livro<\/a> sobre a trajet\u00f3ria do antrop\u00f3logo Beto Ricardo, tamb\u00e9m fundador da institui\u00e7\u00e3o. E, claro, este texto de M\u00e1rcio Santilli para o Coletivo Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">***<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ISA, Instituto Socioambiental, completar\u00e1 30 anos em abril. Foi fundado por pessoas atuantes na defesa dos direitos ind\u00edgenas e do meio ambiente, colaboradoras do CEDI, o Centro Ecum\u00eanico de Documenta\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, e do NDI, o N\u00facleo de Direitos Ind\u00edgenas, organiza\u00e7\u00f5es que deixaram de existir com a cria\u00e7\u00e3o do ISA, al\u00e9m da <a href=\"https:\/\/www.sosma.org.br\/\">SOS Mata Atl\u00e2ntica<\/a>, que continuou existindo como institui\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma. Alguns anos depois, outras duas entidades, a FMV, Funda\u00e7\u00e3o Mata Virgem, e a CCPY, Comiss\u00e3o Pr\u00f3-Yanomami, tamb\u00e9m foram incorporadas ao ISA.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 1994, o Brasil vivia, ent\u00e3o, um momento de consolida\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, ap\u00f3s o impeachment de Fernando Collor, a posse de Itamar Franco e a implanta\u00e7\u00e3o do Plano Real, sob o comando de Fernando Henrique Cardoso. O pa\u00eds tamb\u00e9m digeria o impacto da Rio-92, confer\u00eancia da ONU realizada no Rio de Janeiro, em 1992, que reuniu chefes de Estado do mundo todo para assinarem as conven\u00e7\u00f5es sobre a biodiversidade e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/yGHAgGq.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Em 29 de setembro de 1992, a C\u00e2mara dos Deputados inicia de fato o processo de cassa\u00e7\u00e3o do primeiro presidente eleito pelo voto popular ap\u00f3s o Golpe Militar de 1964, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Fonte: Sergio Lima\/ABr<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A prepara\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o dessa reuni\u00e3o ensejou a mobiliza\u00e7\u00e3o concomitante de ambientalistas, indigenistas, artistas, cientistas e movimentos sociais, cruzando agendas que, at\u00e9 ent\u00e3o, raramente se encontravam, e compartilhando experi\u00eancias e expectativas sobre o pa\u00eds e o mundo. As conven\u00e7\u00f5es resultantes desse evento s\u00e3o as principais refer\u00eancias internacionais para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e instauraram um novo olhar para a diversidade socioambiental do Brasil, seus ativos e passivos.<\/p>\n<h2>Povos da Floresta<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">A converg\u00eancia entre agendas sociais e ambientais n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia e resulta de uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Quando os migrantes nordestinos avan\u00e7aram pela Amaz\u00f4nia Ocidental para trabalhar nos seringais, houve muitos conflitos entre seringueiros e ind\u00edgenas. Mas o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola e das frentes de desmatamento colocou-os diante de uma amea\u00e7a comum. Os seringueiros promoviam \u201cempates\u201d, liderados por Chico Mendes, para barrar a devasta\u00e7\u00e3o que avan\u00e7ava sobre os seringais. Os povos origin\u00e1rios lutavam para proteger seus territ\u00f3rios de madeireiros, garimpeiros, grileiros, entre outros. Nesse contexto, surgiu a Alian\u00e7a dos Povos da Floresta, aproximando as duas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/nharm1c.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Cartaz da Alian\u00e7a dos Povos da Floresta, movimento que visava ao estabelecimento de reservas naturais na Amaz\u00f4nia onde fosse poss\u00edvel a subsist\u00eancia econ\u00f4mica atrav\u00e9s da extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex da seringueira, bem como da coleta de outros produtos da floresta. Fonte: Acervo ISA.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Chico Mendes n\u00e3o veio do movimento ambientalista. Ele era um dirigente sindical. A luta dos seringueiros pela reforma agr\u00e1ria forjou as reservas extrativistas (Resex), associadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o florestal e \u00e0 subsist\u00eancia de comunidades que dependem da floresta de p\u00e9. As Resex passaram a integrar o SNUC, o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. A defini\u00e7\u00e3o constitucional de terras tradicionalmente ocupadas pelos ind\u00edgenas tamb\u00e9m incorporou a prote\u00e7\u00e3o ambiental e o seu uso futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Historicamente, os dirigentes pol\u00edticos valeram-se, para o bem e para o mal, da cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs) sobre terras ocupadas por povos ind\u00edgenas e outras popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Por exemplo, em 1961, quando ainda n\u00e3o se dispunha de bases jur\u00eddicas s\u00f3lidas para se demarcar territ\u00f3rios ind\u00edgenas tradicionais, o ent\u00e3o presidente J\u00e2nio Quadros criou, por decreto, o Parque Nacional do Xingu (MT), fundamental para a sobreviv\u00eancia de v\u00e1rios povos ind\u00edgenas. Por outro lado, em 1987, o presidente Jos\u00e9 Sarney editou decretos criando as Florestas Nacionais do Amazonas e de Roraima, incidentes sobre o territ\u00f3rio ind\u00edgena Yanomami. O objetivo era n\u00e3o demarcar a \u00e1rea em sua extens\u00e3o cont\u00ednua e reduzi-la a 21 \u201cilhas\u201d descont\u00ednuas, garantindo trechos de floresta para explora\u00e7\u00e3o dos n\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/xWoN7GK.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Chico Mendes. Fonte: Pilly Cowell<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">S\u00e3o frequentes os casos em que comunidades ind\u00edgenas, quilombolas ou extrativistas, cujos territ\u00f3rios foram sobrepostos aos de UCs de uso restrito, s\u00e3o constrangidas por plantarem suas ro\u00e7as e fazerem outros usos  tradicionais da terra.<\/p>\n<h2>Conceito<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 1994, j\u00e1 estava evidente que, no contexto de um pa\u00eds emergente e amaz\u00f4nico, a prote\u00e7\u00e3o e o manejo das florestas s\u00e3o intr\u00ednsecos \u00e0s formas de vida das popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Com o avan\u00e7o das demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas, a partir de 1992, tamb\u00e9m ficou evidente que o grau de conserva\u00e7\u00e3o nelas equivale ao das unidades de conserva\u00e7\u00e3o de uso restrito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ao longo desse tempo, ambientalistas, dirigentes de movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es apoiadoras compreenderam que a sustentabilidade pol\u00edtica futura dos territ\u00f3rios e das demais \u00e1reas legalmente protegidas estar\u00e1, cada vez mais, associada aos servi\u00e7os que prestam para o conjunto da sociedade. A defesa do meio ambiente e dos direitos sociais devem andar juntos.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/gp1el5S.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> P\u00f4ster conceitual para a campanha &#8220;Equil\u00edbrio socioambiental. Pense bem antes de mexer&#8221;, de 2010. Fonte: Acervo ISA.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Hoje, o uso da express\u00e3o \u201csocioambiental\u201d generalizou-se. Ela pode estar numa pe\u00e7a publicit\u00e1ria, num serm\u00e3o religioso, num documento militar ou numa tese de doutorado. Em 1994, n\u00e3o era uma palavra usual, mas trazia a s\u00edntese dos processos em curso. Ao assumi-la como nome, os fundadores do ISA institu\u00edram como ep\u00edgrafe \u201csocioambiental se escreve junto\u201d.<\/p>\n<h2>Ra\u00edzes e antenas<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">O ISA herdou culturas institucionais, financiadores, acervos, projetos, colaboradores e parceiros de diversas organiza\u00e7\u00f5es. Com bases nessas heran\u00e7as, mant\u00e9m quatro linhas de atua\u00e7\u00e3o: (1) produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de conhecimento, com mais de 660 publica\u00e7\u00f5es produzidas, entre livros, pesquisas, diagn\u00f3sticos, notas t\u00e9cnicas, pareceres e cartilhas, entre outros, em quase 30 anos; (2) defesa de direitos, que busca influenciar as pol\u00edticas p\u00fablicas quanto \u00e0 agenda socioambiental; (3) comunica\u00e7\u00e3o, que produz e divulga not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es especializadas, atrav\u00e9s de canais pr\u00f3prios e de assessoria de imprensa; e (4) apoio a parceiros locais, com a\u00e7\u00f5es de fortalecimento institucional, desenvolvimento de cadeias produtivas da floresta, monitoramento territorial, forma\u00e7\u00e3o de redes de comunicadores, identifica\u00e7\u00e3o de parcerias e processos formativos.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/nRms4CY.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Da esquerda para direita: Jason Clay, M\u00e1rcio Santilli e Carlos Frederico Mar\u00e9s de Souza Filho, na Assembleia de Funda\u00e7\u00e3o do ISA, ocorrida no Hotel Fazenda da Serra. Fonte: Acervo ISA.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para tanto, o ISA disp\u00f5e de uma estrutura verticalizada, com tr\u00eas programas regionais, ancorados em parcerias de longo prazo com organiza\u00e7\u00f5es quilombolas, extrativistas e ind\u00edgenas, nas bacias dos rios Negro (AM-RR), Xingu (MT-PA) e Ribeira de Iguape (SP-PR). A atua\u00e7\u00e3o dos programas regionais \u00e9 definida e planejada com os parceiros locais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ISA tamb\u00e9m disp\u00f5e de um programa tem\u00e1tico sobre Povos Ind\u00edgenas no Brasil, que mant\u00e9m bancos de dados e publica\u00e7\u00f5es especializadas, de refer\u00eancia, com equipe baseada em S\u00e3o Paulo. E, ainda, do Programa de Pol\u00edtica e de Direito Socioambiental, baseado em Bras\u00edlia, que acompanha o tratamento da agenda socioambiental pelos poderes da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m desses programas, o ISA desenvolve servi\u00e7os permanentes de secretaria executiva, administra\u00e7\u00e3o, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, coordenados a partir de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As equipes do ISA operam a partir de oito escrit\u00f3rios: S\u00e3o Paulo (sede), Bras\u00edlia (DF), Eldorado (SP), Canarana (MT), Altamira (PA), Manaus (AM), S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM) e Boa Vista (RR). O ISA integra v\u00e1rias redes de articula\u00e7\u00e3o interinstitucional, de \u00e2mbito regional, como a Rede Xingu +, nacional, como o Observat\u00f3rio do Clima, e internacional, como a RAISG, Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/zVtpsmw.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Da esquerda para direita em p\u00e9: Carlos Frederico Mar\u00e9s de Souza Filho e S\u00e9rgio (Sema) Mauro de Souza Santos Filho. Sentados: Marina (Nina) da Silva Kahn e S\u00e9rgio Barros Leit\u00e3o, na Assembleia de Funda\u00e7\u00e3o do ISA, ocorrida no Hotel Fazenda da Serra. Fonte: Acervo ISA.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m da s\u00edntese conceitual socioambiental, a rela\u00e7\u00e3o \u201craiz-antena\u201d, que pretende conectar, numa via de m\u00e3o dupla, comunidades locais e territ\u00f3rios e as decis\u00f5es pol\u00edticas, principalmente na esfera nacional, orienta a atua\u00e7\u00e3o do ISA. Longe de ser linear, a fric\u00e7\u00e3o cotidiana entre normas e pol\u00edticas gerais, e expectativas e demandas locais, revela contradi\u00e7\u00f5es, que requerem ajustes e corre\u00e7\u00f5es. A rela\u00e7\u00e3o \u201craiz-antena\u201d tamb\u00e9m deriva da natureza diversa dos parceiros, das suas inser\u00e7\u00f5es regionais e das conjunturas pol\u00edticas nacionais.<\/p>\n<h2>Ac\u00famulos<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Com todos esses anos e tantas inser\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil listar os fracassos e sucessos da atua\u00e7\u00e3o do ISA. Decupar centenas de relat\u00f3rios de atividades seria ingl\u00f3rio e a lista escaparia do formato desta publica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, ela se confundiria, numa ponta, com o crescimento e as conquistas dos parceiros locais e, na outra ponta, com os m\u00e9ritos dos nossos aliados, sejam organiza\u00e7\u00f5es parceiras, cientistas, autoridades p\u00fablicas, empres\u00e1rios ou comunicadores, na constru\u00e7\u00e3o de leis, de pol\u00edticas e de acordos internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A presen\u00e7a institucional cont\u00ednua do ISA tem sido fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de uma perspectiva socioambiental para o Brasil. Partindo da premissa de que, no campo plural e horizontal do terceiro setor, \u201cnenhuma andorinha sozinha faz ver\u00e3o\u201d, o ISA ajuda a vertebrar esse campo e n\u00e3o faria sentido sem os seus aliados e sem os seus parceiros locais. O ISA \u00e9 uma mola, mas s\u00f3 os movimentos sociais desse campo em conjunto nos levar\u00e3o ao Brasil Socioambiental.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/MJF5v2Q.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Mairawe Kaiabi no marco do Parque do Xingu, divisa com a fazenda Santa Maria, em junho de 2004. Foto tirada no contexto do Projeto Fronteiras, realizado pela SOS Xingu, e na Expedi\u00e7\u00e3o Wawi ao Rio Preto. Fonte: Rosely Alvim Sanches\/ISA<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ISA tem hoje cerca de duzentos colaboradores, mas j\u00e1 foi e ainda ser\u00e1 o espa\u00e7o de trabalho de centenas de pessoas, que levam um pouco dele para outras institui\u00e7\u00f5es e para outras frentes de atua\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma escola de um tipo de ativismo que n\u00e3o se aprende na escola. Convidou toda uma gera\u00e7\u00e3o a olhar o Brasil na perspectiva socioambiental e, assim, consolidar o conceito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ISA \u00e9 um banco de informa\u00e7\u00f5es e de experi\u00eancias sobre esse Brasil Socioambiental. Os seus acervos s\u00e3o objeto de milh\u00f5es de consultas e fonte de informa\u00e7\u00e3o para professores, pesquisadores e comunicadores. S\u00f3 entre 2020 e 2023, o conjunto de sites da institui\u00e7\u00e3o teve mais de 18 milh\u00f5es de visitantes \u00fanicos. No mesmo per\u00edodo, a organiza\u00e7\u00e3o foi citada mais de 3,7 mil vezes pelos maiores jornais e outros \u00f3rg\u00e3os de imprensa do pa\u00eds.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/xkFd62j.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"><a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/\">Acervo online do ISA<\/a><\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As informa\u00e7\u00f5es qualificadas disponibilizadas pelo ISA ajudam \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos a buscar respostas para as demandas de comunidades ind\u00edgenas e tradicionais. Minist\u00e9rios, \u00f3rg\u00e3os executivos federais, frentes parlamentares, Justi\u00e7a Federal, Minist\u00e9rio P\u00fablico e governos estaduais demandam as informa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o. O ISA integra, por exemplo, a Conaveg, Comiss\u00e3o-Executiva para Controle do Desmatamento Ilegal e Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa, entre outras inst\u00e2ncias de representa\u00e7\u00e3o da sociedade civil. A organiza\u00e7\u00e3o acompanha os processos legislativos relacionados \u00e0 agenda socioambiental, promove e participa de processos judiciais relevantes para a defesa de direitos coletivos e difusos.<\/p>\n<h2>Transi\u00e7\u00e3o institucional<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">O ISA chega aos 30 anos com uma extensa agenda de celebra\u00e7\u00f5es, em S\u00e3o Paulo, e de mobiliza\u00e7\u00e3o dos colaboradores e parceiros. Ser\u00e1 feito o resgate da mem\u00f3ria desses anos, das suas principais a\u00e7\u00f5es e dos resultados dos seus projetos. Ser\u00e3o lan\u00e7ados um filme e um <a href=\"https:\/\/loja.socioambiental.org\/catalogo\/uma-enciclopedia-nos-tropicos\/\">livro<\/a> sobre a trajet\u00f3ria e o legado do antrop\u00f3logo Beto Ricardo, protagonista da sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/jlzjQSc.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Fonte: Acervo ISA.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nos \u00faltimos anos, foram criadas inst\u00e2ncias para o acolhimento e escuta dos colaboradores, rela\u00e7\u00f5es com parceiros, filiados e apoiadores, pol\u00edticas contra discrimina\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e de ra\u00e7a. O ISA est\u00e1 mudando de cara, incorporando a diversidade brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ISA finalizou o planejamento estrat\u00e9gico das suas atividades para os pr\u00f3ximos cinco anos, cujas expectativas ser\u00e3o compartilhadas na celebra\u00e7\u00e3o dos seus 30 anos. Os avan\u00e7os dos movimentos ind\u00edgena, quilombola e extrativista nos \u00faltimos anos, demonstrando capacidade de resist\u00eancia e de mobiliza\u00e7\u00e3o, e ocupando espa\u00e7os pr\u00f3prios nos governos, convidam o ISA e outras organiza\u00e7\u00f5es a recomporem, em novas bases, as suas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/KaIDFAK.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Muvuca de sementes realizada pela equipe de colaboradores do Instituto Socioambiental durante o Encontro de Final de Ano ISA 2022. Fonte: Claudio Tavares\/ISA<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ser\u00e3o anos de intoler\u00e2ncia e de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O pa\u00eds estar\u00e1 sujeito ao agravamento dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ter\u00e1 de enfrentar as suas diferen\u00e7as sociais e econ\u00f4micas. O planejamento estrat\u00e9gico deve preparar o ISA para tempos dif\u00edceis, que exigem mudan\u00e7as institucionais e caminhos criativos, capazes de convencer e de mobilizar novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/8he6Pth.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Capa do livro &#8220;Povos Ind\u00edgenas no Brasil 2017\/2022&#8221;. Na foto, Watatakalu Yawalapiti, lideran\u00e7a ind\u00edgena. Fonte: Acervo ISA.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>M\u00e1rcio Santilli<\/strong><br \/>\n<em>S\u00f3cio fundador do Instituto Socioambiental (ISA), deputado federal (PMDB, 1983-1986), presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai, 1995-1996), autor de in\u00fameros artigos, cap\u00edtulos de publica\u00e7\u00f5es e dos livros \u201cOs brasileiros e os \u00edndios\u201d (2000) e \u201cSubvertendo a gram\u00e1tica e outras cr\u00f4nicas socioambientais\u201d (2020)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto intensifica o Abril Ind\u00edgena ao qual se dedica o Coletivo Brasil. Ap\u00f3s falarmos sobre a <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/comissao-da-anistia-e-a-reparacao-coletiva-aos-povos-guarani-kaiowa-e-krenak\/\">hist\u00f3rica repara\u00e7\u00e3o coletiva concedida aos Guarani-Kaiow\u00e1 e Krenak<\/a>, eis que publicamos um texto de M\u00e1rcio Santilli, pol\u00edtico, ativista dos direitos dos povos ind\u00edgenas e um dos fundadores do Instituto Socioambiental, ISA. \u00c9 um momento significativo. Se, em nossas pesquisas, in\u00fameras vezes consultamos o site <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\">&#8220;Povos Ind\u00edgenas no Brasil&#8221;<\/a> e se publicamos um texto sobre o <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/redario-articulacao-de-coletores-de-sementes\/\">Red\u00e1rio de Sementes<\/a>, precisamos tamb\u00e9m agradecer ao ISA. A Produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de conhecimento, a defesa de direitos, a comunica\u00e7\u00e3o e o apoio a parceiros locais s\u00e3o as linhas que guiam a institui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 30 anos o ISA vem ensinando que &#8220;socioambiental se escreve junto&#8221;. Tal qual rela\u00e7\u00e3o de &#8220;raiz-antena&#8221;, unem-se comunidades locais e decis\u00f5es pol\u00edticas. Em uma &#8220;Alian\u00e7a dos Povos da Floresta&#8221;, juntam-se Ailton Krenak e Chico Mendes. Hoje, quando muito se discute a desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 gigante a import\u00e2ncia desse grande banco de informa\u00e7\u00f5es qualificadas sobre o Brasil socioambiental. Na comemora\u00e7\u00e3o de sua terceira d\u00e9cada, o ISA lan\u00e7a filme e <a href=\"https:\/\/loja.socioambiental.org\/catalogo\/uma-enciclopedia-nos-tropicos\/\">livro<\/a> sobre a trajet\u00f3ria do antrop\u00f3logo Beto Ricardo, tamb\u00e9m fundador da institui\u00e7\u00e3o. E, claro, este texto de M\u00e1rcio Santilli para o Coletivo Brasil.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":3329,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,47,76,93,90,51],"tags":[318,56,101,251,319,228],"class_list":["post-3328","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-coletivos-institucionais","category-politica","category-terra","category-terras-indigenas","category-territorios","tag-abril-indigena","tag-brasil","tag-democracia","tag-instituto-socioambiental","tag-marcio-santilli","tag-povos-indigenas"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3328"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3328\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3339,"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3328\/revisions\/3339"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}