{"id":3601,"date":"2024-07-24T15:46:43","date_gmt":"2024-07-24T15:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=3601"},"modified":"2024-07-24T18:13:47","modified_gmt":"2024-07-24T18:13:47","slug":"somos-todos-deejays-de-ideias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/somos-todos-deejays-de-ideias\/","title":{"rendered":"Somos todos deejays de ideias<br><span style=\"font-size:16px\">Ana Dumas<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho Brau, Cortejo Liter\u00e1rio 2019. Foto: Nara Gentil<\/p>\n<h2>Carrinhos de caf\u00e9<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Foi no s\u00e9culo 20, in\u00edcio dos anos 80, que me deparei pela primeira vez com os carrinhos de caf\u00e9 nas ruas de Salvador, Bahia. Foi impacto est\u00e9tico \u00e0 primeira vista. Os carrinhos de caf\u00e9 s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o tipicamente soteropolitana: caminh\u00f5ezinhos de madeira que parecem pequenos trios el\u00e9tricos, l\u00fadicos, coloridos, repletos de garrafas de caf\u00e9. \u00c9 como se fossem tabuleiros de baianas de acaraj\u00e9, mas ao inv\u00e9s do t\u00edpico quitute, vendem cafezinho; e substitu\u00edram a fixidez dos tabuleiros por rodinhas que lhe garantiam uma maior mobilidade e a possibilidade de venderem mais cafezinho.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/4aqUx1V.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho de cafe\u0301, ponto de o\u0302nibus da Reitoria da UFBA, Salvador, 2007. Foto: Ana Dumas<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No come\u00e7o n\u00e3o eram carrinhos, mas pequenos caixotes de madeira, que eram chamados de guia. N\u00e3o tinham rodas, mas al\u00e7as. Com o tempo ganharam, al\u00e9m das rodas, pinturas art\u00edsticas, antenas, bugigangas eletr\u00f4nicas, afora as balas e os cigarros a retalho que se juntaram aos cafezinhos. Alguns carrinhos de caf\u00e9 tinham luzes pisca-pisca e caixas de som que reproduziam m\u00fasicas no formato mp3. Outros possu\u00edam dvd-player e reproduziam conte\u00fados audiovisuais ou canais da TV aberta. Mas fosse uma guia ou um carrinho super tecnol\u00f3gico, eles tinham em comum, al\u00e9m das garrafas de caf\u00e9s, o fato de serem conduzidos por vendedores que, em sua maioria, revelavam-se verdadeiros performers populares. Mas para boa parte da cidade, os carrinhos de caf\u00e9 n\u00e3o eram arte nem cultura: al\u00e9m de meramente comercial, eram uma coisa de pobre e para pobre. Foi nesse contexto que criei a frase que viria a se tornar um dos im\u00e3s mais populares do Carrinho multim\u00eddia: \u201cPorque POP \u00e9 o m\u00e1ximo que a classe m\u00e9dia tolera do POPular?\u201d. <\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/lSJZZTk.jpeg\" style=\"margin-bottom:10px\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/2VOOrJq.jpeg\" style=\"margin-bottom:10px\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/0GnopJB.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho de cafe\u0301, Prac\u0327a da Piedade, Salvador, 2012. Foto: Ana Dumas<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Essa percep\u00e7\u00e3o elitista come\u00e7ou a mudar nos anos 80, quando o olhar estrangeiro do franc\u00eas Dimitri Ganzelevich, impactado por esse movimento cultural popular, criou o &#8220;Concurso dos Carrinhos de Caf\u00e9&#8221;, que transformou e ajudou a propagar novos olhares sobre os carrinhos. Apesar do impacto est\u00e9tico que os carrinhos de caf\u00e9 me provocaram desde que os conheci, durante anos esse amor foi cultuado \u00e0 dist\u00e2ncia, como um amor plat\u00f4nico. Para mim, mais do que um com\u00e9rcio, os carrinhos de caf\u00e9 sempre foram um verdadeiro show de performance popular urbana.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/Kjwq8th.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho de cafe\u0301, Pelourinho, Salvador, 2010. Foto: Ana Dumas<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<h2>Ideas Jockey [IJ]<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Foi na virada do ano 2000, quando ainda estudava filosofia na Universidade Federal da Bahia, que me deparei pela primeira vez com o conceito de IJ ou Ideas Jockey, criado por Ronaldo Bispo (aka<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3601\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3601-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3601-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">Aka, abrevia\u00e7\u00e3o, em ingl\u00eas, de <em>also known as<\/em>, &#8220;tamb\u00e9m conhecido como&#8221; em l\u00edngua portuguesa. Nota da reda\u00e7\u00e3o<\/span> IJ Abutre), professor alagoano de filosofia. Num site em que se despedia do velho s\u00e9culo<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"2\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3601\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3601-2\">2<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3601-2\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"2\">http:\/\/www.adeusseculoxx.blogspot.com\/, hoje fora do ar<\/span>, o IJ Abutre dava a ideia:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;font-size:16px\">Assim como existem DJs (Disc Jockeys) e VJs (V\u00eddeo Jockeys), sugiro que se considere a profiss\u00e3o do IJ ou Ideas Jockey. O DJ seleciona e mixa m\u00fasicas, o VJ seleciona e edita imagens e o IJ seleciona, interfere e dissemina ideias: pop filosofia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/SPOWzb2.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho multimidia 01. Manifesto Curto Circuito &#8211; Farol da Barra, Salvador, Bahia, Janeiro de 2010 (manifesta\u00e7\u00e3o por um carnaval sem cordas em Salvador). Foto: Andre\u0301 Lima<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Foi impacto filos\u00f3fico \u00e0 primeira leitura, ainda mais para uma estudante que questionava o porqu\u00ea de o ensino acad\u00eamico de filosofia priorizar a hist\u00f3ria da filosofia ocidental e n\u00e3o o filosofar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ser deejay de ideias me parecia uma forma de tornar a filosofia mais livre, interativa, feita nas ruas e que se propunha a pensar, em tempo real, sobre as quest\u00f5es do presente e n\u00e3o s\u00f3 do passado, como propunha a academia. Mas a quest\u00e3o era: como ser uma IJ?  Que equipamentos eu precisaria para ser uma deejay de ideias? Com um computador eu poderia \u201cselecionar, interferir e disseminar ideias\u201d nas ruas virtuais, mas e nas ruas anal\u00f3gicas? Qual tecnologia usar? Foi quando o velho amor pelos carrinhos de caf\u00e9 emergiu dos labirintos da mem\u00f3ria e pensei: por que n\u00e3o os transformar em um mixer para disseminar ideias? Foi assim que, em 2009, idealizei e coloquei o Carrinho multim\u00eddia nas ruas de Salvador e sa\u00ed, pela primeira vez, (re)mixando ideias e conceitos por seus becos e esquinas.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/dqBTkXS.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px;margin-bottom:30px\">Carrinho multimidia 01, Gente Diferenciada, S\u00e3o Paulo, 2011. Foto: Luis Eduardo Catenacci<\/p>\n<\/figcaption><p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/FyVhU9j.png\"><\/p>\n<\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<h2>Carrinho multim\u00eddia<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">O Carrinho multim\u00eddia \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o de arte e comunica\u00e7\u00e3o ambulante, inspirado nos carrinhos de caf\u00e9 baianos, mas com pitadas dos <em>sound system<\/em> jamaicanos, hip-hop, filosofia socr\u00e1tica, tropicalismo&#8230; Equipado com microfone sem fio, <em>mixer<\/em>, amplificador, mp3, caixas de som, <em>tablet<\/em>, projetor port\u00e1til, painel led de mensagens, im\u00e3s personalizados, o Carrinho multim\u00eddia foi idealizado para compartilhar, de forma livre e colaborativa, fragmentos de ideias e experi\u00eancias do s\u00e9culo 21. Em tempo real, nas mais diversas linguagens (visuais, escritas, orais, sensoriais) e nos mais diversos formatos (performances, v\u00eddeos, gifs, im\u00e3s, stencils, discursos&#8230;).<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/17E1JLF.jpeg\"><\/p>\n<figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px;margin-bottom:10px>Carrinho multimidia, Galeria ambulante, 2011. Foto: Alexandra Dumas<\/p>\n<\/figcaption><p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/dcCr6cX.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho multimidia 09, Bienal de Cerveira, Portugal, 2011. Foto: Patrick Esteves<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O Carrinho multim\u00eddia \u00e9 minha lousa ambulante, minha rede social anal\u00f3gica, e com ele realizei performances, aulas livres, instala\u00e7\u00f5es ambulantes e a\u00e7\u00f5es educativas pelas ruas de Salvador e de outras cidades tamb\u00e9m \u2013 S\u00e3o Paulo (SP), Aracaju (SE), Prado (BA), Roma (It\u00e1lia), Luanda (Angola), Cerveira (Portugal), dentre outras. Quando idealizei o Carrinho, o objetivo era (e ainda \u00e9) amplificar as diversas vozes silenciadas que configuram minha identidade: mulher, negra, ind\u00edgena, mesti\u00e7a, nordestina, LGBTQIAPN+<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"3\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3601\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3601-3\">3<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3601-3\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"3\">LGBTQIAPN+ \u00e9 uma sigla que abrange pessoas que s\u00e3o L\u00e9sbicas, Gays, Bi, Trans, Queer, Intersexo, Assexuais, Poliamor, N\u00e3o-bin\u00e1rias e mais. Nota da reda\u00e7\u00e3o<\/span>. A amplifica\u00e7\u00e3o dessa diversidade de vozes silenciadas, aliada ao forte apelo est\u00e9tico e ao esp\u00edrito plural do novo s\u00e9culo, fez com que a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico fosse imediata e calorosa. A recep\u00e7\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o do p\u00fablico transformou o Carrinho em um instrumento coletivo de combate ao racismo, ao machismo, ao feminic\u00eddio, \u00e0 homofobia, \u00e0 aporofobia e a tantos outros <em>ismos<\/em> e <em>fobias<\/em>. <\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/H83ib5b.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho multimidia 08, Bienal de Cerveira, Portugal, 2011. Foto: Patrick Esteves<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<h2>Deejays de ideias<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 2024, o conceito de Ideas Jockey completa 21 anos. Quando ele surgiu, em janeiro de 2004, IJ Abutre, seu criador, encontrou nas rec\u00e9m-criadas redes sociais da \u00e9poca (fotolog, blogs, Orkut&#8230;) um solo f\u00e9rtil para disseminar seu conceito &#8211; talvez por se tratar de espa\u00e7os que abrigavam, ao mesmo tempo, diversas linguagens (escrita, imagens, sons). Mas muita coisa mudou desde 2004.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/SyCbdta.png\" style=\"margin-bottom:10px\"><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px;margin-bottom:10px\">Carrinho Brau, Festival Caymmi de Mu\u0301sica, Salvador, 2017. Foto: Ulisses Dumas, Argo Imagem<\/p>\n<\/figcaption><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/EOOoFJ4.jpeg\"><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px;margin-bottom:10px\">Ima\u0303s. Foto: Ana Dumas<\/p>\n<p><\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As redes sociais atuais, al\u00e9m de marcarem forte presen\u00e7a na vida contempor\u00e2nea, possibilitam que seus usu\u00e1rios interajam, remixem e reeditem os conte\u00fados disponibilizados. Muitas redes sociais permitem que os conte\u00fados compartilhados sejam remixados, transformando seus usu\u00e1rios em deejays de ideias, mesmo os que n\u00e3o sabem o que isso significa. IJ Abutre, o criador do conceito, nos lembra que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;font-size:16px\">\u201c\u00c9 necess\u00e1rio que se perceba que muitas pessoas s\u00e3o IJ atualmente, mesmo sem se autodenominarem. Qualquer pessoa que una m\u00fasica, imagens e ideias, fazendo a sele\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o daquilo que realmente vale a pena, desempenha esse papel\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/tDIHTno.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Natal remix, Pelourinho, Salvador, 2010. Foto: Lane Mota<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Voltando aos carrinhos de caf\u00e9 e ao Carrinho multim\u00eddia, sempre me perguntam se \u00e9 necess\u00e1rio ter um carrinho de som para ser um deejay de ideias. Eu sempre respondo que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, mas ajuda e muito, principalmente pelo apelo est\u00e9tico e l\u00fadico que ele desperta nas pessoas. Ainda que n\u00e3o seja necess\u00e1rio ter um mixer inspirado nos carrinhos de caf\u00e9 para ser um Ideias Jockey, o Carrinho multim\u00eddia inspirou muitos artistas, <em>performers<\/em> e ativistas a criarem seus pr\u00f3prios carrinhos multim\u00eddias e disseminarem suas ideias.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<\/figure>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/NoRalUJ.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Carrinho multimidia, Feira dos Livros TCA, Salvador, junho 2010. Foto: Maira Cristina<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">E os carrinhos de caf\u00e9, que eram vistos como \u201ccoisa de pobre\u201d, hoje s\u00e3o aceitos e incorporados pela classe m\u00e9dia, que os contrata para performarem em seus eventos p\u00fablicos e\/ou privados. De alguma forma, o Carrinho multim\u00eddia (re)inspira os novos carrinhos de caf\u00e9, que est\u00e3o mais ousados est\u00e9tica e tecnologicamente, assim como tamb\u00e9m estimula seus pilotos-vendedores a se reconhecerem como <em>performers<\/em>. Que venham os novos carrinhos de caf\u00e9 e que eles espalhem o esp\u00edrito plural do s\u00e9culo 21 pelo mundo afora!!!<\/p>\n<p>\n<center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/4e\/eb\/ERr6LI5B_o.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"font-style:italic;font-size:12px\">IJ Blecape, Salvador, 2024. Foto: Helton Reis<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Ana Dumas<\/strong><br \/><em>\u00c9 artista multim\u00eddia, bacharel em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (2006) e uma Ideas Jockey (IJ), uma deejay de ideias, conceitos, narrativas. Em 2009, idealizou o Carrinho multim\u00eddia\u00a0&#8211;\u00a0uma esta\u00e7\u00e3o de arte e comunica\u00e7\u00e3o ambulante\u00a0&#8211;\u00a0com a inten\u00e7\u00e3o de compartilhar, de forma livre e colaborativa, reflex\u00f5es e registros acerca do s\u00e9culo XXI. Com o Carrinho multim\u00eddia, participou da II Trienal de Luanda (Angola, 2010); 16\u00aa Bienal de Cerveira (Portugal, 2011); exposi\u00e7\u00e3o Esto no es un museo (Espanha, M\u00e9xico, EUA, Slovenia, Chile, Brasil, 2011-2015), al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es no Brasil e outros pa\u00edses.<\/em><\/p>\n<h3 class=\"modern-footnotes-list-heading modern-footnotes-list-heading--hide-for-print\">Notas<\/h3><ul class=\"modern-footnotes-list modern-footnotes-list--hide-for-print\"><li><span>1<\/span><div>Aka, abrevia\u00e7\u00e3o, em ingl\u00eas, de <em>also known as<\/em>, &#8220;tamb\u00e9m conhecido como&#8221; em l\u00edngua portuguesa. Nota da reda\u00e7\u00e3o<\/div><\/li><li><span>2<\/span><div>http:\/\/www.adeusseculoxx.blogspot.com\/, hoje fora do ar<\/div><\/li><li><span>3<\/span><div>LGBTQIAPN+ \u00e9 uma sigla que abrange pessoas que s\u00e3o L\u00e9sbicas, Gays, Bi, Trans, Queer, Intersexo, Assexuais, Poliamor, N\u00e3o-bin\u00e1rias e mais. Nota da reda\u00e7\u00e3o<\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">Fil\u00f3sofa, comunicadora e deejay de ideias, Ana Dumas fala sobre seu trabalho em seu carrinho multim\u00eddia. Para tanto, discorre inicialmente sobre a cultura tipicamente soteropolitana dos carrinhos de caf\u00e9. Em seguida, apresenta o conceito de Ideas Jockey, indiv\u00edduo que seleciona, interfere e dissemina ideias.<\/p>\n<p><span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":3602,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[48,73],"tags":[363,56,365,366,169,333,362,364],"class_list":["post-3601","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-sons","tag-ana-dumas","tag-brasil","tag-carrinho-de-cafe","tag-carrinho-multimidia","tag-cultura","tag-filosofia","tag-ideas-jockey","tag-museu"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3601"}],"version-history":[{"count":23,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3638,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601\/revisions\/3638"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3602"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}