{"id":3515,"date":"2024-06-05T08:00:00","date_gmt":"2024-06-05T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=3515"},"modified":"2024-06-05T02:04:00","modified_gmt":"2024-06-05T02:04:00","slug":"por-que-devemos-combater-a-censura-a-livroshenrique-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/por-que-devemos-combater-a-censura-a-livroshenrique-rodrigues\/","title":{"rendered":"Por que devemos combater a censura a livros<br><span style=\"font-size:16px\">Henrique Rodrigues<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Fahrenheit 451, Editora 11&#215;17<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 pouco tempo, a simples ideia de proibir livros era tomada como algo absurdo, criminoso, associado \u00e0 Inquisi\u00e7\u00e3o ou ao nazismo. Quando muito, na nossa mem\u00f3ria recente associava-se ao per\u00edodo da ditadura, pr\u00e1tica morta e enterrada nos por\u00f5es da hist\u00f3ria. Dificilmente, pelo que me lembro, o senso comum aceitava que uma obra de poesia ou fic\u00e7\u00e3o pudesse fazer mal a qualquer indiv\u00edduo. Imediatamente evoc\u00e1vamos o alerta da pr\u00f3pria literatura pelo <em>Fahrenheit 451<\/em>, de Ray Bradbury, porque proibir livro, ora bolas, s\u00f3 podia ser coisa de distopia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Circulou nas redes um v\u00eddeo em que Janaina Venzon, diretora da Escola Estadual de Ensino M\u00e9dio Ernesto Alves de Oliveira, de Santa Cruz do Sul, desqualifica o livro <em>O avesso da pele<\/em>, argumentando que a obra enviada pelo PNLD tem vocabul\u00e1rio de &#8220;baixo n\u00edvel&#8221; e que seria um absurdo o MEC adquiri-la para a sua unidade de ensino. A diretora parece desconhecer que os livros do PNLD s\u00e3o selecionados pelas pr\u00f3prias escolas, a fim de se adequarem aos seus projetos pedag\u00f3gicos. Em outro, uma prefeita de Canoinhas\/SC aparecia jogando exemplares numa lixeira, associando-os, falsamente, a pol\u00edticas do governo federal. Descobriu-se que se tratava de um projeto privado de doa\u00e7\u00e3o de livros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para qualquer pessoa alfabetizada em literatura, destacar um trecho de uma obra, retirando-o do contexto, \u00e9 mais que pregui\u00e7a, \u00e9 cegueira e m\u00e1 f\u00e9. Trata-se de uma pr\u00e1tica de imensa ignor\u00e2ncia. No caso de uma educadora, ainda mais a que chefia uma escola e que conta com a hierarquia a seu favor, \u00e9 algo de profunda irresponsabilidade com a sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/XA3lulZ.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">O avesso da pele, Editora Companhia das Letras<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A diretora Janaina e a prefeita, com tais atitudes reacion\u00e1ria e pseudomoralista, n\u00e3o sofrer\u00e3o qualquer puni\u00e7\u00e3o ao tentar privar o acesso a um bem cultural de qualidade. Qual o pre\u00e7o da n\u00e3o-leitura na trajet\u00f3ria de centenas de jovens, cujas exist\u00eancias deixar\u00e3o de ser contempladas pelas quest\u00f5es levantadas no romance <em>O avesso da pele<\/em>? O livro, belamente narrado em segunda pessoa, faz com que as reflex\u00f5es sobre racismo estrutural, educa\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es familiares e afetos sejam ditas diretamente aos leitores. Como mensurar esse sil\u00eancio\u00a0?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Seria a solu\u00e7\u00e3o um projeto para tipificar como crime a censura \u00e0 literatura e \u00e0s artes em geral? Pode parecer um exagero, e talvez seja, mas me parece que essa n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima vez em que vamos ver esse tipo de arbitrariedade na nossa produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Enquanto n\u00e3o houver alguma puni\u00e7\u00e3o, pessoas como a diretora Janaina, do alto do seu micropoder, se sentir\u00e3o sempre \u00e0 vontade para impor sua vis\u00e3o mesquinha de mundo. Com nossos \u00edndices de leitura t\u00e3o ruins, especialmente para a nossa literatura brasileira contempor\u00e2nea, dificultar o acesso a livros, para mim, \u00e9 um delito inafian\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Assim como os bombeiros de <em>Fahrenheit 451<\/em> incendeiam livros para manter a suposta ordem da sociedade, quando uma escola promove a censura de uma obra liter\u00e1ria est\u00e1 nos inserindo cada vez mais numa realidade de trevas que, conforme a hist\u00f3ria nos ensinou, deveria ser evitado a todo custo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 uns bons anos, quando estudei Letras, havia uma nova disciplina chamada Leitor em Forma\u00e7\u00e3o. O conte\u00fado era, basicamente, entender n\u00e3o s\u00f3 a fun\u00e7\u00e3o do texto, mas a dos leitores, de modo a se abrirem possibilidades de entendimento b\u00e1sico sobre poemas, contos, cr\u00f4nicas e outras categorias. Foi a primeira vez que entendi o conceito de media\u00e7\u00e3o de leitura, que hoje se faz cada vez mais necess\u00e1ria diante dos s\u00e9rios problemas que vimos enfrentando na \u00e1rea.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/xoQH62S.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Feliz ano novo, Editora Saraiva<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 1975, quando nasci, foi lan\u00e7ado o livro de contos <em>Feliz ano novo<\/em>, de Rubem Fonseca. O livro foi censurado em 1976. Segundo o ministro da Justi\u00e7a, Armando Falc\u00e3o, a obra atentava contra \u201ca moral e os bons costumes\u201d. Terminado o regime militar, o termo passou a ser usado de forma ir\u00f4nica, atrelado a algo antigo e ultrapassado. Mal sab\u00edamos que, em plena democracia, a proibi\u00e7\u00e3o de diferentes literaturas iria voltar, com for\u00e7a e de todos os lados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 umas semanas, me reuni com os escritores Airton Souza e Jeferson Ten\u00f3rio na Ria Livraria, em S\u00e3o Paulo, onde debatemos o assunto. Como tem sido bastante divulgado, ambos tiveram obras atacadas recentemente pelo seu conte\u00fado, com argumenta\u00e7\u00f5es de que a obra \u00e9 inadequada para jovens. No caso do romance <em>O avesso da pele<\/em>, que a meu ver deveria ser leitura b\u00e1sica no Ensino M\u00e9dio junto com <em>Quarto de despejo<\/em>, de Carolina Maria de Jesus, e <em>Sobrevivendo no Inferno<\/em>, dos Racionais MCs, trechos foram retirados do seu contexto, como falas de personagens. Sobre o \u00f3timo <em>Outono de carne estranha<\/em>, de Airton Souza, que venceu outros 750 romances inscritos no Pr\u00eamio Sesc de Literatura, a leitura de um trecho incomodou as altas chefias da institui\u00e7\u00e3o na Flip de 2023. Uma vez que estive envolvido nesse caso, sendo demitido porque me recusei a ter censurado o escritor, n\u00e3o vou entrar em detalhes, alguns dos quais tamb\u00e9m foram bem cobertos pela m\u00eddia. Resumo da \u00f3pera: tentaram boicotar o autor podando o seu circuito, a Record desistiu da parceria e, na \u201cnova\u201d vers\u00e3o, os livros vencedores sair\u00e3o por uma editora que nem literatura publica, acabando com o conceito do projeto e a credibilidade conquistada em duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/rbGEkUj.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Quarto de despejo, Editora \u00c1tica<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mas o interessante \u00e9 que, em ambos os casos, tem-se a mesma desculpa da prote\u00e7\u00e3o das criancinhas, assim como o prefeito Marcelo Crivella tentou censurar uma hist\u00f3ria em quadrinhos na Bienal do Livro do Rio de 2019.  Nenhum censor quer parecer censor, e sim um protetor da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A censura a livros \u00e9, hoje, um dos grandes problemas culturais no Brasil e no mundo. N\u00e3o estamos tratando de casos isolados, apenas os que acabam saindo na imprensa, que j\u00e1 s\u00e3o frequentes. Dada a natureza da frui\u00e7\u00e3o da leitura, que \u00e9 diferente de um espet\u00e1culo de m\u00fasica ou de teatro, a proibi\u00e7\u00e3o a livros vem ocorrendo de forma silenciosa em escolas, institui\u00e7\u00f5es culturais e at\u00e9 dentro das casas, sem que tenhamos uma dimens\u00e3o real do seu volume. Por exemplo, a distribui\u00e7\u00e3o de <em>O avesso da pele<\/em> pelo PNLD, n\u00e3o garante que, de fato, a obra ser\u00e1 lida com a devida media\u00e7\u00e3o nas centenas de escolas que receberam o livro. O que mais tenho visto nos \u00faltimos anos s\u00e3o pilhas de livros \u201cencostadas\u201d porque algu\u00e9m n\u00e3o gostou da obra. Uma vez que a compra foi feita e paga, parece n\u00e3o haver problema algum.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Precisamos entender esse movimento na sua complexidade, a fim de estabelecermos estrat\u00e9gias de combate efetivo. A censura \u00e9 a filha da ignor\u00e2ncia com a hierarquia, de maneira que, se n\u00e3o pudemos resolver o segundo item, vamos ao primeiro.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/ePbQeMT.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Outono de carne estranha, Editora Record<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00c9 certo que faltou, tanto \u00e0 diretora da escola e aos pol\u00edticos que proibiram o livro de Ten\u00f3rio, quanto aos dirigentes do Sesc que tentaram boicotar o de Airton, um entendimento sobre o que seja literatura contempor\u00e2nea e como ela se manifesta hoje. Precisamos aceitar que uma literatura densa e mais questionadora j\u00e1 n\u00e3o faz parte do cotidiano de pessoas de fora da bolha, e que, por isso, podem encarar com todo tipo de preconceito essa manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Bons livros s\u00e3o escritos com pesquisa, t\u00e9cnica, intui\u00e7\u00e3o e, sobretudo, a necessidade de comunicar algo sobre o nosso mundo por meio de manifesta\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas da palavra. Isso parece \u00f3bvio para n\u00f3s, mas me parece que circulam muitas ideias distorcidas sobre o que \u00e9 literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para essa compreens\u00e3o, e pensando em termos de escala, uma sa\u00edda seria a cria\u00e7\u00e3o de um amplo programa de media\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria atrelado \u00e0s compras de livros para as redes escolares. Ainda que a escolha das obras seja feita pelas unidades de ensino, os materiais enviados (v\u00eddeos, resumos etc.) n\u00e3o parecem ser suficientes para uma boa prepara\u00e7\u00e3o da leitura. Os professores, que s\u00e3o os grandes mediadores no processo, precisam passar, eles mesmos, por atividades de media\u00e7\u00e3o, realizadas por c\u00edrculos ou oficinas de leitura das obras que ser\u00e3o trabalhadas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O investimento em mediadores culturais, j\u00e1 comprovados como elementos-chave na amplia\u00e7\u00e3o do processo de leitura, \u00e9 a etapa que falta no bem-sucedido modelo de distribui\u00e7\u00e3o de livros no Brasil.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/uEpF1QZ.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">Sobrevivendo no inferno, Gravadora Cosa Nostra<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m dessa metodologia de base que, se feita em escala, pode melhorar muito os nossos parcos n\u00edveis de leitura, funcionando como um feij\u00e3o com arroz formativo, outra ponta a ser pensada s\u00e3o os grandes eventos liter\u00e1rios que contam com verba p\u00fablica, especialmente via leis de ren\u00fancia fiscal. Tenho participado como autor (e ajudado na elabora\u00e7\u00e3o) de diversos festivais nos \u00faltimos anos. Uma das grandes frustra\u00e7\u00f5es dos escritores participantes das programa\u00e7\u00f5es \u00e9 ver centenas de crian\u00e7as com vale-livros trocando-os por best-sellers internacionais ou livrinhos chineses mixurucas. N\u00e3o raro, seus livros sequer est\u00e3o em algum estande. E parece estar tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os melhores eventos liter\u00e1rios que tenho visto s\u00e3o aqueles em que as obras dos autores participantes s\u00e3o lidas previamente, seja na comunidade escolar ou em clubes de leitura locais. Com organiza\u00e7\u00e3o e curadoria competentes, \u00e9 poss\u00edvel fazer a aquisi\u00e7\u00e3o de livros, sua distribui\u00e7\u00e3o e as respectivas atividades de media\u00e7\u00e3o cultural, de modo que a festa liter\u00e1ria funcione como culmin\u00e2ncia \u2013 e, realmente, uma celebra\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 uma s\u00e9rie de metodologias que funcionam e podem ser implementadas em cada comunidade leitora. Talvez precisemos escapar das armadilhas f\u00e1ceis e transformar a indigna\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. N\u00e3o basta sermos contra a censura nas redes sociais se, no mundo real, apenas nos contentamos. H\u00e1 pouco nos lembramos dos 60 anos do Golpe Militar no Brasil, que instituiu o cerceamento de livros, e s\u00f3 por meio da educa\u00e7\u00e3o para a leitura vamos devolver essa pr\u00e1tica aos por\u00f5es da hist\u00f3ria, onde deve permanecer.<\/p>\n<p><figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/xA2GBYI.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">\n<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;font-style:italic\"><strong>Henrique Rodrigues<\/strong><br \/>Nasceu no sub\u00farbio do Rio de Janeiro\/RJ, em 1975. \u00c9 doutor em Letras pela Puc-Rio e curador de programa\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Foi um dos idealizadores do Pr\u00eamio Sesc de Literatura, do circuito nacional Arte da Palavra e outros projetos. Publicou 24 livros, entre poesia, cr\u00f4nica, romance, literatura infantil e juvenil, tendo sido finalista do Pr\u00eamio Jabuti duas vezes. Seu romance &#8220;<em>O pr\u00f3ximo da fila<\/em>&#8221; (Record) foi adotado em escolas de todo o pa\u00eds e publicado na Fran\u00e7a. \u00c9 colunista do portal PublishNews, em que escreve sobre a atividade liter\u00e1ria. www.henriquerodrigues.net<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-aling:justify\">O artigo do escritor Henrique Rodrigues levanta uma discuss\u00e3o premente: o aumento dos casos de censura a obras liter\u00e1rias. E, o mais grave: tanto o poder p\u00fablico quanto a iniciativa privada empreendem esse funesto des\u00edgnio. Obras como <em>O Avesso da Pele<\/em> e <em>Outono de carne estranha<\/em> est\u00e3o no olho do furac\u00e3o. O autor exp\u00f5e aos leitores do Coletivo Brasil as raz\u00f5es e a import\u00e2ncia de se combater a censura.<\/p>\n<p><span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":3516,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[48,71],"tags":[340,56,336,335,339,150,337,338],"class_list":["post-3515","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-poeticas","tag-airton-souza","tag-brasil","tag-censura","tag-henrique-rodrigues","tag-jefferson-tenorio","tag-literatura","tag-o-avesso-da-pele","tag-outono-de-carne-estranha"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3515"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3515\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3525,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3515\/revisions\/3525"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3516"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}