{"id":3163,"date":"2024-02-15T16:16:08","date_gmt":"2024-02-15T16:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=3163"},"modified":"2024-04-25T15:12:24","modified_gmt":"2024-04-25T15:12:24","slug":"antes-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/antes-da-pandemia\/","title":{"rendered":"Antes da Pandemia<br><span style=\"font-size:16px\">Kowawa Apurin\u00e3<\/span>"},"content":{"rendered":"<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Kowawa Kapukaja Apurin\u00e3 gravou este v\u00eddeo em setembro de 2019, antes da deflagra\u00e7\u00e3o da Pandemia da Covid-19. Ela relatou a Sens Public que sequer imaginava o que estava por vir. Independente disso, convoca todos os seres humanos para o que ela chama \u201cda batalha em favor da humanidade, a batalha da humanidade\u201d. Pelo direito ao bem-viver, Kowawa insiste em seu chamamento. Tr\u00eas anos depois, suas palavras ganham outro significado. N\u00e3o sabia ela que, apenas no Brasil, mais de 600&nbsp;mil pessoas perderiam suas vidas em nome de um governo que, como ela pr\u00f3pria j\u00e1 apontara, n\u00e3o recusava a alcunha de \u201cgenocida\u201d. Que o apelo de Kowawa Apurin\u00e3 para nunca desistirmos de \u201cbuscar o nosso bem viver\u201d ecoe e resista ao tempo. Este v\u00eddeo \u00e9 premonit\u00f3rio, considerando-se que as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas sempre foram confrontadas \u00e0s cat\u00e1strofes trazidas pela classe dominante, o que j\u00e1 fora escrito. Da\u00ed a necessidade de estarmos atentos ao grande chamado da m\u00e3e Terra.<\/p>\n<h2> Antes da pandemia<\/h2>\n<p><center><\/p>\n<p><iframe width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SSXptthydQc\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu sou Kowawa Apurin\u00e3, do povo Apurin\u00e3 do estado do Amazonas. Meu nome \u00e9 Pietra Dolamita, sou antrop\u00f3loga e arte-educadora. Moro na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Estou aqui para falar sobre mulheres, sobre mulheres ind\u00edgenas. Sobre as mulheres que ocupam os lugares e que vivem nesse planeta. Estamos falando do planeta Terra. Estamos falando sobre n\u00f3s, n\u00f3s guardi\u00e3s da semente, n\u00f3s mulheres que vivemos nas florestas e que vivemos no contexto urbano, que vivemos e sofremos viol\u00eancia de todos os modos que podem acontecer nessa civiliza\u00e7\u00e3o. Essa civiliza\u00e7\u00e3o que veio nos atacar desde 1500, quando chegaram as caravelas e nos disseram que n\u00f3s dever\u00edamos morrer. Eles tinham um pacto&nbsp;: de nos matar! N\u00e3o deu certo! Resistimos! Estamos resistindo &#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 um plano genocida contra os povos ind\u00edgenas. H\u00e1 um plano genocida contra as mulheres ind\u00edgenas. H\u00e1 um plano genocida contra as crian\u00e7as, que est\u00e3o morrendo de fome no interior desse Brasil, nas florestas por falta de m\u00e9dicos, no Mato Grosso do Sul por falta de comida. N\u00f3s iremos resistir, pois o que nos \u00e9 sagrado \u00e9 a Terra, porque o que nos \u00e9 sagrado \u00e9 o nosso corpo. O nosso corpo resiste, \u00e9 o nosso corpo que colocamos na frente das batalhas. Estamos enfrentando a maior batalha, que \u00e9 a batalha de sobrevivermos. A nossa luta n\u00e3o \u00e9 uma luta solit\u00e1ria. N\u00f3s lutamos, n\u00f3s mulheres ind\u00edgenas lutamos do lado dos homens ind\u00edgenas, das crian\u00e7as, dos animais, das florestas, dos cerrados, de toda a natureza e de toda a Terra. N\u00e3o \u00e9 uma luta solit\u00e1ria, \u00e9 uma luta dos encantados, dos esp\u00edritos das florestas, das \u00e1guas, dos ventos, das flores, dos espinhos e de dores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mas n\u00e3o queremos salvar a Terra. Queremos salvar a humanidade, pois \u00e9 a humanidade que est\u00e1 em perigo. Porque quando todas as reservas naturais estiverem mortas, quando o plano genocida desse governo assassino, quando come\u00e7arem a cavar os ossos da Terra, nossa m\u00e3e revidar\u00e1. E todos &#8212;&nbsp;ind\u00edgenas, brancos e negros&nbsp;&#8212; n\u00e3o resistir\u00e3o ao grande chamado da m\u00e3e. E ela sim dir\u00e1: n\u00e3o quero mais isso no meu lugar, n\u00e3o quero mais esse povo aqui. E quem voltar\u00e1? Porque n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, somos parte da Terra, n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, sofremos junto com a Terra. Quando derrubam as florestas, quando cavam as terras atr\u00e1s de min\u00e9rios em busca da riqueza, ferem o nosso corpo. N\u00f3s, povos ind\u00edgenas, n\u00f3s, mulheres ind\u00edgenas, somos a maior prova da exist\u00eancia de um outro modo de viver, e esse modo de viver est\u00e1 em n\u00f3s. N\u00f3s buscamos o bem viver, buscamos este bem viver de estarmos aqui hoje resistindo e chamando a todos e a todas para esta luta, a maior de todas as batalhas, a batalha em favor da humanidade, da nossa humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Gratid\u00e3o por estarmos aqui. Lutaremos sempre, morreremos sempre, mas nunca desistiremos de buscar o nosso bem viver e essa terra sem m\u00e1goas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu sou Kowawa Apurin\u00e3 e estou aqui chamando voc\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Kowawa Kapukaja Apurin\u00e3<\/strong><br \/>\n<em>Ind\u00edgena da etnia Apurin\u00e3 do M\u00e9dio Purus, Sul do Amazonas. Doutoranda em Antropologia nas Universidade Federal Fluminense e Universit\u00e9 Paris 3 Sorbonne Nouvelle. Mestra em Antropologia e graduada em Direito e em Artes Visuais. Ativista, atua principalmente na educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, educa\u00e7\u00e3o ambiental, quest\u00f5es raciais, a\u00e7\u00f5es afirmativas, mulheres ind\u00edgenas, viol\u00eancias e ancestralidade ind\u00edgena. Membra fundadora do Instituto Pupykary do Povo Apurin\u00e3, cofundadora da Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de Ind\u00edgenas Antropol\u00f3ges, do coletivo Artivismo Ind\u00edgena e colaboradora do ve\u00edculo de jornalismo independente Portal Catarinas. Atualmente, desenvolve pesquisa com o Povo Tupinamb\u00e1, em Acuipe, Oliven\u00e7a, nas \u00e1reas de Retomadas no Sul da Bahia&nbsp;&#8212;&nbsp;Brasil.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kowawa Apurin\u00e3, ind\u00edgena, antrop\u00f3loga e educadora, relata, nesse v\u00eddeo originalmente publicado na <a href=\"https:\/\/www.sens-public.org\/articles\/1662\/\"><em>Sens public<\/em><\/a>, suas impress\u00f5es sobre as dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres e de suas fam\u00edlias nas comunidades ind\u00edgenas, que n\u00e3o contaram com o aux\u00edlio do Estado no contexto do governo de Jair Bolsonaro. Kowawa Apurin\u00e3 ressalta a import\u00e2ncia da terra e da rela\u00e7\u00e3o de harmonia com a natureza, n\u00e3o somente para os povos origin\u00e1rios, como tamb\u00e9m para toda a humanidade.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":3164,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,71,76,90,51],"tags":[9,56,101,254,63,141,186],"class_list":["post-3163","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-poeticas","category-politica","category-terras-indigenas","category-territorios","tag-bolsonaro","tag-brasil","tag-democracia","tag-kowawa-apurina","tag-politica","tag-terras-indigenas","tag-vozes-indigenas-trilhas-para-renovar-o-brasil"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3163"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3163\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3169,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3163\/revisions\/3169"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3164"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}