{"id":3107,"date":"2024-01-05T15:45:49","date_gmt":"2024-01-05T15:45:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=3107"},"modified":"2024-04-02T15:30:30","modified_gmt":"2024-04-02T15:30:30","slug":"carta-dos-povos-da-floresta-a-sociedade-nao-indigena","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/carta-dos-povos-da-floresta-a-sociedade-nao-indigena\/","title":{"rendered":"Carta dos povos da floresta \u00e0 sociedade n\u00e3o ind\u00edgena<br><span style=\"font-size:16px\">M\u00e1rcia Wayna Kambeba<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">\u201cMenino Kambeba\u201d. Foto: M\u00e1rcia Wayna Kambeba<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Est\u00e1vamos vivos<br \/>\nSeguindo a miss\u00e3o<br \/>\nDescansando das guerras<br \/>\nCaminhando devagar<br \/>\nResistindo com paci\u00eancia<br \/>\nPovos e natureza, enlace milenar.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Corridas de toras,<br \/>\nRitual de inicia\u00e7\u00e3o<br \/>\nEnsinos da natureza<br \/>\nSabedoria de um anci\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Flechas de taquara<br \/>\nApontam para um caminho sem fim<br \/>\nS\u00e9culos de viol\u00eancias<br \/>\nTenho pena do meu curumim.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200342577-3b71deab-5843-43c9-9ff2-74d4e68414a1.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">\u201cMenino Kambeba\u201d. Foto: M\u00e1rcia Wayna Kambeba<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Terras invadidas<br \/>\nPela for\u00e7a e a ambi\u00e7\u00e3o<br \/>\nCegaram o homem de tal forma<br \/>\nQue ele n\u00e3o v\u00ea mais a cor<br \/>\nNem a beleza da rosa<br \/>\nSua vista \u00e9 treinada para ver<br \/>\nPoder, gan\u00e2ncia e dinheiro<br \/>\nQue geram fome, viol\u00eancia e desamor.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">\u00c9 tudo se transformando<br \/>\nMadeira virando d\u00f3lar<br \/>\nTrator abrindo clareira<br \/>\nLibera\u00e7\u00e3o de garimpo ilegal<br \/>\nGerando lucro, grana, no Brasil \u00e9 real<br \/>\nPoluindo rios, lagos,<br \/>\nEnvenenando cachoeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Intimida\u00e7\u00e3o aos caciques<br \/>\nMorte de guerreiros<br \/>\nEstupros repetindo a invas\u00e3o<br \/>\nRacismo ambiental<br \/>\nTrazem doen\u00e7a e v\u00edcios, ataque total.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Vivemos uma era do medo<br \/>\nDe incertezas, desrespeito e confus\u00e3o<br \/>\nNossas aldeias est\u00e3o vulner\u00e1veis<br \/>\nNovamente nossas flechas n\u00e3o combatem<br \/>\nA velocidade da muni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">E veio o ano de 2020<br \/>\nUma pandemia tivemos que enfrentar<br \/>\nAs aldeias n\u00e3o conseguiram evitar<br \/>\nQue a doen\u00e7a entrasse matando sem parar.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Muitos ajudaram<br \/>\nOutros cruzavam os bra\u00e7os<br \/>\nE de longe viam a cena passar.<br \/>\n\u201cTerra para \u201c\u00edndio\u201d?<br \/>\nNem um palmo vou liberar\u201d<br \/>\nFrases de efeito pairam pelo ar.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Reduzidos mais uma vez<br \/>\nNossos guardi\u00f5es se foram de n\u00f3s<br \/>\nFicamos \u00f3rf\u00e3os, lutos intermin\u00e1veis<br \/>\nRostos tristes, marcas de dor<br \/>\nDecorrente de genoc\u00eddio, desamor.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">O paj\u00e9 com seu ritual<br \/>\nPediu a cura para todo mal<br \/>\nMuitos com as ervas sarou&nbsp;;<br \/>\nOutros, seus esp\u00edritos com um ritual encaminhou<br \/>\nAo mundo ancestral.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Vi a aldeia virar um lama\u00e7al<br \/>\nPela devasta\u00e7\u00e3o da garimpagem<br \/>\nRios secos sem peixes<br \/>\nE eis que somos chamados de \u201cselvagens\u201d<br \/>\nJusto a n\u00f3s que usamos da coragem<br \/>\nPara enfrentar os homens da grilagem.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">N\u00e3o permita Seneru<br \/>\nQue destruam a nossa floresta<br \/>\nSomos uma s\u00f3 ci\u00eancia<br \/>\nEsse verde \u00e9 o que ainda nos resta<br \/>\nPara respirar um ar mais puro<br \/>\nCombater o aquecimento global<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Evite que as geleiras se derretam<br \/>\nCausando um grave impacto ambiental<br \/>\nDeixando nossas aldeias sem ro\u00e7a<br \/>\nInundando nossas casas e terreiros<br \/>\nProteja nossa biodiversidade<br \/>\nDe seres violentos, forasteiros.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Quero ver meu curumim<br \/>\nCrescer em boa condi\u00e7\u00e3o<br \/>\nSentir o frio da mata<br \/>\nNadar e beber \u00e1gua sem polui\u00e7\u00e3o<br \/>\nMesmo sabendo que o n\u00f3 que n\u00e3o desata<br \/>\nVai ser dele um legado<br \/>\nE que ele ter\u00e1 de buscar novas estrat\u00e9gias<br \/>\nPara continuar defendendo a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200342743-c9b357bf-d53e-49e3-aa2e-b1d9c5ad059f.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">\u201cAldeia\u201d. Foto: M\u00e1rcia Wayna Kambeba<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Por aqui continuaremos marcando nossa hist\u00f3ria<br \/>\nNossa caminhada segue entre perdas e gl\u00f3rias<br \/>\nObedecendo ao ritmo das \u00e1guas,<br \/>\nA subida e a descida das mar\u00e9s,<br \/>\nA clareira na mata escura,<br \/>\nO canto da saracura,<br \/>\nA pegada da on\u00e7a, a for\u00e7a dos paj\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Estamos no s\u00e9culo XXI<br \/>\nPrecisamos fortalecer a f\u00e9<br \/>\nEm tempos de pandemia<br \/>\nUni\u00e3o \u00e9 sentir a dor do outro<br \/>\nO olhar perdido da crian\u00e7a<br \/>\nA dor do parto de uma mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Terra M\u00e3e!<br \/>\nViver \u00e9 pensar com equil\u00edbrio<br \/>\n\u00c9 ter pertencimento com o lugar<br \/>\n\u00c9 sair da aliena\u00e7\u00e3o<br \/>\nE ver que a natureza \u00e9 um sujeito a ecoar.<br \/>\nRespeito, direito!<br \/>\nVem! Protege o teu lar.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Na aldeia desde pequenos aprendemos<br \/>\nQue nossa vida est\u00e1 intr\u00ednseca a natureza<br \/>\nE um depende do outro,<br \/>\nN\u00f3s mais dela do que ela de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Porque nessa rela\u00e7\u00e3o<br \/>\nO homem tem causado danos irrevers\u00edveis ao ambiente<br \/>\nEnquanto que dele recebemos cuidado e prote\u00e7\u00e3o,<br \/>\nSombra e alimento, cobertura do tapiri<br \/>\nColo materno, acalanto j\u00e1 senti.<br \/>\nVivemos a gera\u00e7\u00e3o do consumismo<br \/>\nE o mundo caminha para o abismo<br \/>\nDa desgra\u00e7a e destrui\u00e7\u00e3o<br \/>\nBancos de sementes se esvaziando<br \/>\nE a madeira cada dia tombando<br \/>\nDesaparecendo do cen\u00e1rio<br \/>\nNo lugar pr\u00e9dios luxuosos exibem seus letreiros<br \/>\nMexendo com o imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Quem tem quer mais<br \/>\nNunca est\u00e1 saciado<br \/>\nIsso empobrece o banco da natureza<br \/>\nQue nunca fica cheio<br \/>\nEst\u00e1 sempre esvaziado<br \/>\nN\u00e3o multiplica, n\u00e3o h\u00e1 tempo para abastecer<br \/>\nPorque a todo instante \u00e9 saqueado<br \/>\nE n\u00e3o damos \u00e0 deusa verde<br \/>\nTempo para se restabelecer<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Temos a ideia de que \u201ca Amaz\u00f4nia \u00e9 infinita\u201d<br \/>\n\u201cInferno verde\u201d,<br \/>\nNela todo mundo habita.<br \/>\nEngana-se quem pensa assim<br \/>\nAmaz\u00f4nia \u00e9 finita.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Onde est\u00e1 o direito de viver da biodiversidade?<br \/>\nCansada, maltratada pelo mundo que a destr\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Corpo de mulher, alma feminina<br \/>\n\u00c1rvore purua, \u00e1rvore menina.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">Digo N\u00e3o! Ao estupro da natureza<br \/>\nPor todos que abusam na certeza<br \/>\nDe saciar sua vaidade, consumo exagerado<br \/>\nOnde poucos t\u00eam muito e muitos t\u00eam pouco<br \/>\nEnquanto n\u00e3o se criar pertencimento com o lugar<br \/>\nO pa\u00eds seguir\u00e1 atrapalhado, atrasado,<br \/>\nVirando terra do rei do gado.<br \/>\nE os povos da floresta continuam a viver<br \/>\nSem sossego, no medo, grilado.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200342667-ae173e02-bd54-48bb-b9e9-67741479b7c8.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">\u201cAldeia\u201d. Foto: M\u00e1rcia Wayna Kambeba<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os povos origin\u00e1rios desde antes do contato t\u00eam buscado essa intera\u00e7\u00e3o com a natureza procurando dar a ela cuidados essenciais para continuar f\u00e9rtil e pr\u00f3spera. Por anos nossos ancestrais faziam o que hoje se chama de compostagem: eles acumulavam cascas de alimentos, ossos de animais etc., o tempo se encarregava de trabalhar tudo aquilo e em seguida esse solo estaria bem adubado com um PH 6 equilibrado e prop\u00edcio para o plantio de \u00e1rvores frut\u00edferas. A esse solo mais tarde os pesquisadores deram o nome de \u201cterra preta de \u00edndio\u201d. Encontramos esse solo em muitas aldeias e nos arredores de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. Tudo isso \u00e9 uma forma de mostrar como os povos ind\u00edgenas buscavam maneiras de n\u00e3o agredir a TERRA M\u00c3E, e sim usavam de estrat\u00e9gias para criar uma rela\u00e7\u00e3o de cooperatividade, pois entendiam que cuidar da natureza \u00e9 cuidar de si.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nesse tempo pand\u00eamico, as marcas da Covid-19 est\u00e3o por todos os lados, e cada pessoa tem um relato para contar de medo, dor e luto. Temos situa\u00e7\u00f5es em que mulheres que perderem filhos e que maridos acabaram adquirindo depress\u00e3o. Parte dos sobreviventes da Covid-19 ficaram com sequelas da doen\u00e7a e alguns se recuperam, outros n\u00e3o.  H\u00e1 casos de ind\u00edgenas que tomaram as 2 doses e mesmo assim adquiriram a doen\u00e7a e vieram a \u00f3bito. Tantas s\u00e3o as mazelas que nos afligiram nesses tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Muitos foram os governantes que passaram pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, mas hoje enfrentamos um que a todo momento nos convida a um enfrentamento por conta das tantas maldades com as quais temos convivido.  Por exemplo, n\u00f3s combatemos a n\u00e3o demarca\u00e7\u00e3o de nossos territ\u00f3rios e a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas aos povos que vivem na aldeia e na cidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 moradia. H\u00e1 falta de entendimento, de respeito e de simpatia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A ideia de progresso tem mudado drasticamente a paisagem das aldeias e de seu entorno. Nosso alerta est\u00e1 sempre ligado para detectar pontos de desmatamento, de retirada de madeira ilegal, etc. Para essa tarefa, algumas aldeias contam com a ajuda da tecnologia em rela\u00e7\u00e3o a aparelhos que possam apontar com maior rapidez e precis\u00e3o essa informa\u00e7\u00e3o,  como \u00e9 o caso do uso de drone, GPS e c\u00e2mera filmadora e fotogr\u00e1fica para registro e obten\u00e7\u00e3o de provas para den\u00fancias. Viver hoje est\u00e1 dif\u00edcil, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel; resistir \u00e9 preciso para deixar um legado para novas gera\u00e7\u00f5es.  O genoc\u00eddio n\u00e3o acabou, a viol\u00eancia n\u00e3o se dissipou, o contato a paz nos tirou, mas nos mostrou novas possibilidade de viver, s\u00e9culo ap\u00f3s s\u00e9culo, nossa cultura no territ\u00f3rio do sagrado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Queremos e sonhamos com um amanh\u00e3 em que rios estejam limpos de merc\u00fario e o solo n\u00e3o tenha cavas enormes causadas por extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio em terras ind\u00edgenas. Queremos mogno, angelim, violeta e tantas outras \u00e1rvores sagradas em p\u00e9, dando confian\u00e7a de que teremos um ar puro para sobreviver. Desejamos sentir o cheiro de peixe no rio e v\u00ea-los pular na canoa saudando nossa presen\u00e7a. Precisamos saber que amanh\u00e3 a natureza n\u00e3o ser\u00e1 lembran\u00e7a em um porta-retratos, mas que estar\u00e1 viva e presente para ser sentida por outras pessoas que hoje s\u00e3o crian\u00e7as. \u00c9 por essa riqueza que lutamos todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">E pedimos apoio de todos, independente se vivem no Brasil ou exterior. A altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica atinge a todos, do rico ao pobre, do pequeno ao grande. \u00c9 preciso rever conceitos e descontruir velhos h\u00e1bitos para adquirir outros melhores. Adote uma \u00e1rvore, um rio ou um jardim e cuide dele com carinho. Valorize o canto do passarinho, seu v\u00f4o e seu ninho. Acompanhe de pertinho o presente que a vida nos d\u00e1. Viver \u00e9 d\u00e1diva, mas precisamos saber cuidar da heran\u00e7a que temos com equil\u00edbrio e sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>M\u00e1rcia Wayna Kambeba<\/strong><br \/>\n<em>Ativista da etnia Om\u00e1gua-Kambeba, nascida numa aldeia ticuna de Tabatinga, Par\u00e1, \u00e9 ge\u00f3grafa e Mestre pela Universidade Federal do Amazonas, onde pesquisou sobre o territ\u00f3rio e a identidade de sua etnia. \u00c9 tamb\u00e9m escritora, poeta, compositora, apresentadora, atriz e doutoranda em Letras, na Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA). \u00c9, atualmente, ouvidora geral do Munic\u00edpio de Bel\u00e9m, integrando o secretariado da atual prefeitura.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente texto \u00e9 uma carta destinada sobretudo \u00e0 sociedade n\u00e3o ind\u00edgena. Em tempos de pandemia, viol\u00eancia e genoc\u00eddio, as suas palavras devem ecoar e encontrar novos interlocutores. Aliando sensibilidade po\u00e9tica a engajamento hist\u00f3rico-social, M\u00e1rcia Wayna Kambeba nos apresenta um retrato necess\u00e1rio da situa\u00e7\u00e3o da \u201cTerra M\u00e3e\u201d no s\u00e9culo XXI. Ela nos faz um convite a pensar a defesa do meio ambiente, os saberes ind\u00edgenas e a necessidade de se repensar a narrativa de \u201cprogresso\u201d.  Esse texto foi originalmente publicado no <a href=\"https:\/\/www.sens-public.org\/dossiers\/1656\/\"> Dossi\u00ea Vozes Ind\u00edgenas<\/a>, da revista Sens public.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":3109,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,52,71,90],"tags":[56,198,256,228,65,141,186],"class_list":["post-3107","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-cartas-abertas","category-poeticas","category-terras-indigenas","tag-brasil","tag-covid-19","tag-marcia-wayna-kambeba","tag-povos-indigenas","tag-sociedade","tag-terras-indigenas","tag-vozes-indigenas-trilhas-para-renovar-o-brasil"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3107"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3107\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3296,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3107\/revisions\/3296"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3109"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}