{"id":3098,"date":"2023-12-29T22:51:44","date_gmt":"2023-12-29T22:51:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=3098"},"modified":"2023-12-29T22:52:47","modified_gmt":"2023-12-29T22:52:47","slug":"toda-retrospectiva-e-uma-antologia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/toda-retrospectiva-e-uma-antologia\/","title":{"rendered":"Toda retrospectiva \u00e9 uma antologia<br><span style=\"font-size:16px\">Luiz Capelo<span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\"> L\u00facifer, o demiurgo, contempla o passado. Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/artedograo\/\">GRAO<\/a>, 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ano de 2023 lentamente chega a seu fim. De nossas janelas vemos seja um inverno chuvoso e sem neve ou um ver\u00e3o quente e convidativo. E logo nos colocamos a pensar sobre as realiza\u00e7\u00f5es, aquilo que abandonamos no meio do caminho, os m\u00e9ritos e os dem\u00e9ritos desse ano. Para o <em>Coletivo Brasil<\/em>, 2023 foi um per\u00edodo de muito trabalho. Ora, come\u00e7emos pelo come\u00e7o e evoquemos o grande patrono-navegador da l\u00edngua portuguesa:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center\">\u00d3 mar salgado, quanto do teu sal<br \/>\nS\u00e3o l\u00e1grimas de Portugal!<br \/>\nPor te cruzarmos, quantas m\u00e3es choraram,<br \/>\nQuantos filhos em v\u00e3o rezaram!<br \/>\nQuantas noivas ficaram por casar<br \/>\nPara que fosses nosso, \u00f3 mar!<br \/>\nValeu a pena? Tudo vale a pena<br \/>\nSe a alma n\u00e3o \u00e9 pequena.<br \/>\nQuem quer passar al\u00e9m do Bojador<br \/>\nTem que passar al\u00e9m da dor.<br \/>\nDeus ao mar o perigo e o abismo deu,<br \/>\nMas nele \u00e9 que espelhou o c\u00e9u.<br \/>\n(<em>Mar Portugu\u00eas<\/em>, Fernando Pessoa)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify\">As l\u00e1grimas de Portugal podem ser tema de outro texto, assim como os filhos que viraram coroinhas ou as noivas que ficaram para tia. Hoje, o <em>Coletivo Brasil<\/em> tem a certeza de que atravessou o Bojador &#8211; ao menos um Bojador, j\u00e1 que esse Cabo e marco mar\u00edtimo perpetuamente se renova em nossas trajet\u00f3rias. O mar \u00e9 portugu\u00eas, e o <em>Coletivo<\/em> \u00e9 a caravela a naveg\u00e1-lo. Da g\u00e1vea de nossa embarca\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/uma-visao-critica-do-mar-e-zona-costeira-brasileiros\/\"> uma vis\u00e3o cr\u00edtica do mar e zona costeira brasileiros<\/a> se desvelou, trazendo consigo pertinentes questionamentos sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de nossas costas e mar. E, juntos ao <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/danycan-um-testemunho-da-ofensiva-dos-navegadores-franceses\/\"> iate Danycan<\/a>, participamos de hist\u00f3ricas regatas.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/277012334-78f20258-f4c6-44cb-a11d-0c2a06a657e4.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Danycan na regata <em>Voiles de la Citadelle<\/em>, 2014. Foto : Alain Milb\u00e9o<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Como toda embarca\u00e7\u00e3o, o <em>Coletivo<\/em> \u00e9 tamb\u00e9m formado por marinheiros, os prolet\u00e1rios do mar. Nossas lutas foram muitas. <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/marcha-das-margaridas-2023-florescendo-luta\/\">Marchamos com as margaridas<\/a>, recebemos <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/o-brasil-como-destino\/\">venezuelanos e venezuelanas migrantes<\/a>, combatemos o <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/o-comportamento-da-classe-media-e-o-declinio-da-democracia-no-brasil-o-fator-subjetivo-na-historia\/\"> decl\u00ednio da democracia no Brasil<\/a> e vimos <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/neoliberalismo-autoritario-no-brasil\/\"> o neoliberalismo autorit\u00e1rio<\/a> tentar sua consolida\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds. A luta, companheiras e companheiros, foi intensa, ingl\u00f3ria e cheia de trai\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/lula-o-milagre-parte-1\/\">Lula<\/a>, chamado por alguns de <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/lula-o-milagre-parte-2\/\">Milagre<\/a>, mesmo com uma descarada tentativa de golpe de Estado, assumiu a Presid\u00eancia da Rep\u00falica.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/hiGD3Ac.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\"> &#8220;Cervejinha e picanha&#8221;. Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/artedograo\/\">GRAO<\/a>, 2023.<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&#8220;Prolet\u00e1rios do mundo, uni-vos&#8221; j\u00e1 clamava o coroa Marx em seu manifesto. Ouvimos o clamor, e nos unimos. Nos unimos com a consci\u00eancia de que as terras de nosso pa\u00eds j\u00e1 eram territ\u00f3rios de outros povos antes mesmo que o primeiro europeu tivesse sequer imaginado em desembarcar, avistar ou mesmo sonhar com a Terra de Santa Cruz. Assim, unidos com <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/univaja-uniao-dos-povos-indigenas-do-vale-do-javari\/\"> os povos ind\u00edgenas do Vale do Javari<\/a> e com o <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/povo-pataxo\/\">povo Patax\u00f3<\/a>, discutimos como <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/povos-indigenas-e-a-pandemia-no-brasil\/\"> a Pandemia afetou os povos ind\u00edgenas<\/a> e quais foram <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/povos-indigenas-e-violacoes-no-contexto-da-pandemia-da-covid-19-no-brasil\/\"> as viola\u00e7\u00f5es no contexto da Covid-19 <\/a> de que foram v\u00edtimas os povos origin\u00e1rios. No contexto da pandemia, foi preciso discutirmos como <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/povos-indigenas-saude-e-doenca\/\">sa\u00fade e doen\u00e7a<\/a> s\u00e3o conceitos percebidos distintamente por diferentes povos. Nossa uni\u00e3o n\u00e3o se conteve apenas em discutir pandemia e doen\u00e7as. A <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/primavera-indigena\/\"> primavera ind\u00edgena<\/a> floresceu, e a <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/aldeia-renascer-ywyty-guacufabiano-awa-mita\/\"> aldeia renasceu<\/a> cheia de <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/ancestralidade-e-memoria-uma-reflexao-por-intermedio-de-desenhos\/\"> desenhos, ancestralidade e mem\u00f3ria<\/a>. Tal como Babel, mas sem a sina de ser destru\u00edda, nosso <em>Coletivo<\/em> fala muitas <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/ensino-das-linguas-indigenas-na-universidade-de-brasilia\/\"> l\u00ednguas<\/a>. E se engana quem pensa que essa frut\u00edfera uni\u00e3o se restringiu \u00e0s fronteiras da <em>Terra Brasilis<\/em>, pois at\u00e9 em <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/representacao-indigena-na-cop-28\/\"> Dubai voam Tukanos<\/a>.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200886625-ea2be1ab-6b05-47d5-abbb-b41f12123840.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Passo ancestral, Renata Inahuazo, 2021, canetas ink, achiote uruku em papel A4<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&#8220;Prolet\u00e1rios do mundo, tocai-vos!&#8221; \u00e9 um dos nossos gritos de guerra. Nem s\u00f3 de reflex\u00f5es vive o ser humano, e a putaria \u00e9 tamb\u00e9m um instrumento de an\u00e1lise social. Se toquem, mas <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/do-val-a-estratao-milenios-de-manjacao\/\">manjar o coleguinha<\/a> apenas com consentimento do coleguinha. Afinal, <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/sexo-e-transgressao\/\"> sexo e transgress\u00e3o<\/a> s\u00e3o fundamentais, mas o n\u00e3o \u00e9 sempre um n\u00e3o. E falando em <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/milicos-promiscuos\/\">prom\u00edscuos, sempre nos lembramos dos nossos milicos<\/a>.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<audio controls=\"\"><source src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/260311960-0ade570b-06da-418b-addc-b1cfdef8c2d9.mp4\" type=\"audio\/mp4\">Ops, parece que seu navegador n\u00e3o suporta a\u00fadio.<\/audio><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Malditos milicos. Fonte: Medo e del\u00edrio em Bras\u00edlia<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O fim do ano se aproxima, o fim do texto tamb\u00e9m. Por\u00e9m, antes que tudo acabe, \u00e9 preciso lembrar que <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/a-pombagem-14-anos-de-arte-popular\/\">Pombagem \u00e9 arte, e arte \u00e9 popular<\/a>. N\u00e3o poder\u00edamos deixar de citar nessa desvairada retrospectiva as <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/historia-das-artes-graficas-na-bahia\/\"> artes gr\u00e1ficas, os quadrinhos, as HQ<\/a>. Atire a primeira <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/redario-articulacao-de-coletores-de-sementes\/\">semente<\/a> quem nunca se entregou ao deleite de ler uma <em>graphic novel<\/em> (termo estrangeiro e chique que tenta tornar nossa HQ algo s\u00e9rio, acad\u00eamico e &#8220;n\u00e3o-infantil&#8221;) enquanto atendia ao chamado da natureza. Assim, sintetizando um pouco de tudo aquilo que estamos falando, unindo povos ind\u00edgenas, sementes, natureza e votos de um ano feliz, encerramos com as palavras de Kowawa Kapukaia Apurin\u00e3 e seu chamado para repensarmos nossas rela\u00e7\u00f5es com o mundo e entre n\u00f3s mesmos:<\/p>\n<p><center><\/p>\n<p><iframe width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1fjQn5XTPFg\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">V\u00eddeo originalmente publicado na <a href=\"https:\/\/sens-public.org\/articles\/1667\/\">revista Sens public<\/a>.<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:center\">***<\/p>\n<p><strong>Kowawa Kapukaja Apurin\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Ind\u00edgena da etnia Apurin\u00e3 do M\u00e9dio Purus, Sul do Amazonas. Doutoranda em Antropologia nas Universidade Federal Fluminense e Universit\u00e9 Paris 3 Sorbonne Nouvelle. Mestra em Antropologia e graduada em Direito e em Artes Visuais. Ativista, atua principalmente na educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, educa\u00e7\u00e3o ambiental, quest\u00f5es raciais, a\u00e7\u00f5es afirmativas, mulheres ind\u00edgenas, viol\u00eancias e ancestralidade ind\u00edgena. Membra fundadora do Instituto Pupykary do Povo Apurin\u00e3, cofundadora da Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de Ind\u00edgenas Antropol\u00f3ges, do coletivo Artivismo Ind\u00edgena e colaboradora do ve\u00edculo de jornalismo independente Portal Catarinas. Atualmente, desenvolve pesquisa com o Povo Tupinamb\u00e1, em Acuipe, Oliven\u00e7a, nas \u00e1reas de Retomadas no Sul da Bahia&nbsp;&#8212;&nbsp;Brasil.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Coletivo Brasil pensa sua trajet\u00f3ria no ano de 2023 e constr\u00f3i uma retrospectiva do trabalho realizado at\u00e9 aqui.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":3099,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,48,71],"tags":[56,235,254,137,255,186],"class_list":["post-3098","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-cultura","category-poeticas","tag-brasil","tag-coletivo-brasil","tag-kowawa-apurina","tag-luiz-capelo","tag-retrospectiva","tag-vozes-indigenas-trilhas-para-renovar-o-brasil"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3098","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3098"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3098\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3105,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3098\/revisions\/3105"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3099"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}