{"id":3055,"date":"2023-12-15T15:46:40","date_gmt":"2023-12-15T15:46:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=3055"},"modified":"2023-12-26T16:12:15","modified_gmt":"2023-12-26T16:12:15","slug":"o-brasil-como-destino","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/o-brasil-como-destino\/","title":{"rendered":"O Brasil como destino<br><span style=\"font-size:16px\"> Elizabete Sanches Rocha, Giovanna Leme de Castro e Let\u00edcia Laurenti Olivi<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> &#8220;Moeda sem fundo&#8221;, de Avigail Reinosa, artista pl\u00e1stico venezuelano radicado em Boa Vista<\/p>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Marcada pela impossibilidade de se permanecer no territ\u00f3rio de origem e podendo se situar em escala nacional, transnacional ou internacional, a migra\u00e7\u00e3o perpassa toda a hist\u00f3ria brasileira. Sua forma\u00e7\u00e3o remonta a movimentos migrat\u00f3rios de portugueses no per\u00edodo colonial e chega at\u00e9 os dias atuais com o registro de 1.781.924 migrantes internacionais no Brasil, entre os anos de 2002 a 2022, segundo dados do banco interativo <a href=\"http:\/\/www.nepo.unicamp.br\/observatorio\/bancointerativo\/numeros-imigracao-internacional\/sincre-sismigra\/\">Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo<\/a>, UNICAMP e <a href=\"https:\/\/www.nepo.unicamp.br\/\">N\u00facleo de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o Elza Berqu\u00f3<\/a> (NEPO)<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">OBSERVAT\u00d3RIO DAS MIGRA\u00c7\u00d5ES EM S\u00c3O PAULO. Imigrantes Internacionais Registrados no Brasil (com Registro Nacional \u2013 RNM). <strong>Unicamp<\/strong> <strong>NEPO<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nepo.unicamp.br\/observatorio\/bancointerativo\/numeros-imigracao-internacional\/sincre-sismigra\/&gt;. Acesso em: 20 set. 2023.<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em termos de marcos legais, tivemos o Estatuto do Estrangeiro, Lei 6.815, de 1980, que se inspirou na doutrina nacional de seguran\u00e7a do contexto da ditadura civil-militar brasileira, privilegiando quest\u00f5es securit\u00e1rias e interesses nacionais, assim como a prote\u00e7\u00e3o da ordem econ\u00f4mica. A lei, portanto, definiu a situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do estrangeiro no Brasil e criou o Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o. Posteriormente, foi institu\u00eddo o Estatuto dos Refugiados, Lei 9.474, de 1997, oriundo da Conven\u00e7\u00e3o de Genebra, de 1951. Al\u00e9m de definir a condi\u00e7\u00e3o de refugiado perante a lei, o Estatuto criou o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mj\/pt-br\/assuntos\/seus-direitos\/refugio\/institucional\">CONARE<\/a> (Comit\u00ea Nacional para os Refugiados), \u00f3rg\u00e3o multiministerial que trabalha no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Atualmente, a principal norma que aborda a quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 a Lei das Migra\u00e7\u00f5es, Lei 13.445, de 2017. Deve-se destacar que o seu eixo central \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o de direitos humanos na tem\u00e1tica das migra\u00e7\u00f5es, tanto para os migrantes que moram no Brasil, como para os brasileiros que vivem no exterior. Assim, se reconhecem a universalidade, a indivisibilidade e a interdepend\u00eancia dos direitos humanos como princ\u00edpios que regem a pol\u00edtica migrat\u00f3ria brasileira. Trata-se de um avan\u00e7o importante do marco legal brasileiro acerca do tema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Trazendo essa realidade em n\u00fameros, dos 1.781.924 migrantes internacionais registrados no Brasil, segundo a tabula\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo, s\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo esse n\u00famero corresponde a 595.369 registros, a maioria provenientes da Venezuela (325.637), Haiti (169.489), Bol\u00edvia (140.544), Estados Unidos (86.418), Col\u00f4mbia (81.036), Argentina (79.744), China (66.380), Uruguai (50.512), Peru (49.412) e Paraguai (48.501)<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"2\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-2\">2<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-2\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"2\">OBSERVAT\u00d3RIO DAS MIGRA\u00c7\u00d5ES EM S\u00c3O PAULO. Imigrantes Internacionais Registrados no Brasil (com Registro Nacional \u2013 RNM). <strong>Unicamp<\/strong> <strong>NEPO<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nepo.unicamp.br\/observatorio\/bancointerativo\/numeros-imigracao-internacional\/sincre-sismigra\/&gt;. Acesso em: 20 set. 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Apesar de o Brasil ser reconhecido internacionalmente por seu suposto pacifismo, fruto, entre outros motivos, de uma diplomacia competente e qualificada, esse mito de pa\u00eds acolhedor n\u00e3o se confirma, muitas vezes, na pr\u00e1tica, por raz\u00f5es que v\u00e3o desde o preconceito (a ignor\u00e2ncia mesma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diferen\u00e7a) at\u00e9 casos de xenofobia. Para dirimir tais impactos tanto para a popula\u00e7\u00e3o receptora, mas principalmente para a popula\u00e7\u00e3o migrante, um dos mais importantes meios de se romper com ciclos de discrimina\u00e7\u00e3o surge de a\u00e7\u00f5es interculturais. Neste artigo, abordaremos o caso mais recente da chegada de grupos de pessoas venezuelanas pela fronteira de Roraima, extremo Norte do Brasil, e o processo de interioriza\u00e7\u00e3o promovido pelo <a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/alto-comissario\/\">Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados<\/a> (ACNUR).<\/p>\n<h2>Um pouco de contexto hist\u00f3rico<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Para compreender a chamada Crise da Venezuela e o boom de emigra\u00e7\u00f5es que ocorreu, principalmente a partir de 2015, deve-se conhecer o contexto anterior \u00e0 crise. Inicialmente, \u00e9 preciso salientar que, ao longo dos 14 anos de governo de Hugo Ch\u00e1vez, a economia venezuelana girava quase que totalmente em torno da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, pois o pa\u00eds possu\u00eda\/possui grandes po\u00e7os cuja explora\u00e7\u00e3o era relativamente barata e com ganhos robustos. No entanto, isso come\u00e7ou a mudar a partir de 2014, quando o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo venezuelano sofreu uma queda brusca de pre\u00e7o, por conta da competi\u00e7\u00e3o produtiva entre Estados Unidos e Ar\u00e1bia Saudita, que, insatisfeita com a situa\u00e7\u00e3o, inicia um processo desenfreado de explora\u00e7\u00e3o (tamb\u00e9m barata) de petr\u00f3leo em seu territ\u00f3rio<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"3\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-3\">3<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-3\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"3\">OBREGON, Marcelo F. Q.; PINTO, Lara C. A crise dos refugiados na Venezuela e a Rela\u00e7\u00e3o com o Brasil. <strong>Derecho y Cambio Social<\/strong>. Lima, 20 jan. 2018, p. 1-21. ISSN 2224-4131.<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Com v\u00e1rios fatores internos somados \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo da Venezuela, no mercado internacional, e considerando as san\u00e7\u00f5es impostas principalmente pelos EUA, a Venezuela entrou em recess\u00e3o em meados de 2014. Com as baixas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, o pa\u00eds viu o seu desemprego aumentar gravemente para um quinto da popula\u00e7\u00e3o e foi obrigado a diminuir tamb\u00e9m as importa\u00e7\u00f5es, reduzindo a quantidade de recursos do pa\u00eds. O Governo tentou controlar a infla\u00e7\u00e3o por meio de Decretos (o chamado Controle Artificial de Infla\u00e7\u00e3o) \u2014 o que n\u00e3o funcionou, pois, em 2015, o pa\u00eds atingiu uma taxa de 141% de infla\u00e7\u00e3o, segundo o Banco Central da Venezuela, e o pre\u00e7o aos consumidores chegou a 720% em 2016, segundo informado pelo FMI<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"4\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-4\">4<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-4\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"4\"><em>Ibidem<\/em>.<\/span>. Portanto, o pa\u00eds entrou em um Estado de Emerg\u00eancia, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e a eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos combust\u00edveis, al\u00e9m da infla\u00e7\u00e3o mencionada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Diante desse esgotamento do modelo econ\u00f4mico venezuelano, tem-se um fator decisivo para a deflagra\u00e7\u00e3o da crise, que n\u00e3o pode ser compreendida apenas pelo aspecto econ\u00f4mico, sen\u00e3o tamb\u00e9m pelo vi\u00e9s pol\u00edtico: a morte de Hugo Ch\u00e1vez. Ap\u00f3s 14 anos no poder, no in\u00edcio de 2013, o pa\u00eds se v\u00ea sem seu l\u00edder, indubitavelmente, carism\u00e1tico. Seria a oportunidade para a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao chavismo avan\u00e7ar no pa\u00eds, de modo a tornar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-pol\u00edtica insustent\u00e1vel para muitas fam\u00edlias. Assim, ao mesmo tempo em que Nicol\u00e1s Maduro, sucessor de Ch\u00e1vez, assume o poder para um mandato de seis anos, a oposi\u00e7\u00e3o conquista a maioria no Parlamento em 2015, gerando um conflito de poderes. Nesse contexto, o Tribunal Superior de Justi\u00e7a, aliado de Maduro, limitou as fun\u00e7\u00f5es legislativas da Assembleia Nacional, o que evidenciou ainda mais o embate entre chavistas e oposi\u00e7\u00e3o. Consequentemente, os opositores de Ch\u00e1vez tentam tirar Nicol\u00e1s Maduro do poder por meio de um Referendo Revogat\u00f3rio (uma medida prevista na pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o venezuelana) e do apoio popular.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Entretanto, a segunda etapa do referendo foi suspensa temporariamente, devido a supostas irregularidades nas assinaturas reunidas e encontradas pelas autoridades venezuelanas. Essa interven\u00e7\u00e3o favoreceu o governo de Maduro e o chavismo, j\u00e1 que seu sucessor permaneceria no poder at\u00e9 o fim da candidatura, em 2019. Como consequ\u00eancia, pouco tempo depois, em abril de 2016, houve diversos protestos nas ruas de Caracas em uma \u201crebeli\u00e3o popular\u201d, exigindo a sa\u00edda de Nicol\u00e1s Maduro, duramente reprimida pelo governo e pelas mil\u00edcias chavistas armadas e silenciada pela pr\u00f3pria m\u00eddia, que buscou invisibilizar o caso. Quatro meses ap\u00f3s os conflitos, registraram-se 125 mortes, marcando o in\u00edcio de uma crise de propor\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias no pa\u00eds<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"5\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-5\">5<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-5\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"5\">CARNEIRO, Lu\u00edza de Macedo Soares Vieira. A Interioriza\u00e7\u00e3o dos Refugiados Venezuelanos no Brasil. <strong>Cadernos de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais\/PUC-Rio<\/strong>, Rio de Janeiro, vol. 2, dez. 2019, p. 244-266.<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Portanto, uma das principais consequ\u00eancias do contexto brevemente descrito \u00e9 o deslocamento for\u00e7ado em larga escala da popula\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses vizinhos, principalmente a partir de 2015, sendo o Brasil o quarto principal destino escolhido. Destarte, a fronteira norte entre Pacaraima e a cidade venezuelana Santa Elena de Uair\u00e9n transformou Roraima no destino mais acess\u00edvel do pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/brazil.iom.int\/pt-br\">A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es<\/a> (OIM) estima que cerca de 2,3 milh\u00f5es de venezuelanas\/os j\u00e1 deixaram seu pa\u00eds, muitas vezes realizando o trajeto a p\u00e9, com pelo menos 50 mil pessoas se estabelecendo no Brasil at\u00e9 abril de 2018<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"6\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-6\">6<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-6\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"6\"><em>Ibidem<\/em>.<\/span>. A maioria das\/os refugiadas\/os chega \u00e0 cidade de Boa Vista, capital de Roraima, localizada a apenas 210 km da Venezuela, compondo, atualmente, mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o do estado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Todavia, a chegada em Boa Vista nem sempre ocorre de modo tranquilo, visto que muitas\/os imigrantes enfrentam dificuldades no acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos de Boa Vista e sofrem com a viol\u00eancia da sociedade brasileira, marcada pela xenofobia e pelo preconceito.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/Fy6p8EJ.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\">  Grupo com as fam\u00edlias e a equipe do CRAS em roda de hist\u00f3rias. Foto: Guilherme Henrique de Andrade Leme<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<h2>Das fronteiras para o interior do Brasil: um dif\u00edcil percurso<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Diante do cen\u00e1rio de crise na Venezuela e o consequente processo migrat\u00f3rio em massa para os pa\u00edses vizinhos, criou-se uma nova realidade no Brasil. O Minist\u00e9rio da Defesa passou, ent\u00e3o, a atuar na administra\u00e7\u00e3o do fluxo migrat\u00f3rio, sobretudo nos munic\u00edpios de Pacaraima e Boa Vista, e no deslocamento de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o migrante \u00e0s cidades menos populosas. Nesse sentido, o Governo Federal articulou o Programa de Interioriza\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/acoes-e-programas\/operacao-acolhida\">Opera\u00e7\u00e3o Acolhida<\/a> do ACNUR, em mar\u00e7o de 2018, como uma tentativa de resposta ao fluxo venezuelano no territ\u00f3rio brasileiro. Baseada em tr\u00eas pilares principais, a saber, ordenamento da fronteira, abrigamento e interioriza\u00e7\u00e3o<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"7\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-7\">7<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-7\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"7\">OPERA\u00c7\u00c3O ACOLHIDA. <strong>A\u00e7\u00f5es e Programas<\/strong>. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 fome, [2023]. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/acoes-e-programas\/operacao-acolhida&gt;. Acesso em 10 nov. 2023<\/span>, a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida consiste em um mecanismo t\u00e9cnico e log\u00edstico que busca incentivar a interioriza\u00e7\u00e3o das\/os venezuelana\/os em situa\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o como forma de distribu\u00ed-las\/os pelo territ\u00f3rio, a fim de realoc\u00e1-las\/os, diminuindo a press\u00e3o sobre os servi\u00e7os p\u00fablicos da regi\u00e3o de Roraima. Desde o in\u00edcio da Opera\u00e7\u00e3o, cerca de 60 mil pessoas foram interiorizadas para mais de 730 munic\u00edpios de todos os estados brasileiros com o apoio de entes federativos, ag\u00eancias da ONU \u2013 como o ACNUR e a OIM \u2013 e demais organismos internacionais, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, assim como entidades privadas<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"8\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-8\">8<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-8\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"8\">ACNUR. Pesquisa aponta que refugiados e migrantes venezuelanos t\u00eam maior acesso a emprego ap\u00f3s interioriza\u00e7\u00e3o. <strong>ACNUR<\/strong>, Bras\u00edlia, 8 dez. 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/2021\/12\/08\/pesquisa-realizada-por-agencias-da-onu-demonstra-que-pessoas-refugiadas-e-migrantes-vindas-da-venezuela-tem-maior-acesso-a-emprego-e-renda-apos-adesao-a-estrategia-de-interiorizacao\/&gt;. Acesso em 16 nov. 2023<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A necessidade desse realocamento se deu pela limita\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios do estado de Roraima de recepcionar os imigrantes, devido \u00e0 prec\u00e1ria infraestrutura dos postos de sa\u00fade e de estadia dessas pessoas e \u00e0 baixa oferta de empregos. Al\u00e9m disso, no auge do fluxo de venezuelanas\/os em territ\u00f3rio brasileiro, em 2018, os casos de xenofobia e conflitos envolvendo moradores locais e imigrantes cresceram, revelando tens\u00f5es entre a popula\u00e7\u00e3o dos dois pa\u00edses e o despreparo do governo brasileiro para lidar com os novos fluxos de pessoas em ref\u00fagio. Desse modo, revelou-se um cen\u00e1rio em que os processos migrat\u00f3rios despertam uma sensa\u00e7\u00e3o de maior concorr\u00eancia por espa\u00e7o no mercado de trabalho e por recursos b\u00e1sicos de pol\u00edticas p\u00fablicas em parte da popula\u00e7\u00e3o nativa (SILVA, 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Portanto, a estrat\u00e9gia de interioriza\u00e7\u00e3o implementada pela Opera\u00e7\u00e3o Acolhida \u00e9 definida como facilitadora da garantia de direitos, autonomia e integra\u00e7\u00e3o local de pessoas refugiadas e migrantes. O ACNUR defende sua atua\u00e7\u00e3o em todas as fases da interioriza\u00e7\u00e3o, ou seja, a de acompanhamento do indiv\u00edduo em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio, desde a sa\u00edda de Pacaraima \u2013 munic\u00edpio de Roraima \u2013 at\u00e9 o seu destino final. Al\u00e9m disso, \u00e0s\/aos imigrantes e refugiadas\/os interiorizadas\/os deveria ser oferecido apoio \u201cnas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o infantil, revalida\u00e7\u00e3o de diplomas, cursos de portugu\u00eas, assist\u00eancia jur\u00eddica, intermedia\u00e7\u00e3o de vagas de trabalho, cr\u00e9dito para pequenos neg\u00f3cios\u201d (ACNUR, 2021) por meio de outros organismos que realizam parceria com o ACNUR, como Igrejas e ONGs.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Outrossim, deve-se ressaltar que, em princ\u00edpio, a Opera\u00e7\u00e3o foi realizada levando-se em considera\u00e7\u00e3o os equ\u00edvocos cometidos no processo de acolhimento e interioriza\u00e7\u00e3o dos haitianos em 2014, quando a falta de comunica\u00e7\u00e3o entre o Acre, os demais estados e o Governo Federal, e o uso de transporte privado sem apoio da Uni\u00e3o, geraram improvisa\u00e7\u00e3o na recep\u00e7\u00e3o das pessoas deslocadas. Assim, o atual processo de interioriza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify\">[&#8230;] busca realizar o transporte em conjunto com as For\u00e7as Armadas, sem a imediata contrata\u00e7\u00e3o de uma empresa privada, com aviso pr\u00e9vio aos estados, que estabelecem sua disponibilidade de recep\u00e7\u00e3o e a assinatura do refugiado de um termo de voluntariedade para que n\u00e3o sejam deslocados sem a vontade de permanecer no local. (CARNEIRO, 2019, p. 250).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify\">Apesar de o ACNUR defender essas frentes de atua\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica, a interioriza\u00e7\u00e3o demonstra lacunas em seu funcionamento, pois n\u00e3o h\u00e1 uma articula\u00e7\u00e3o orquestrada entre a Casa Civil (Governo Federal), os estados e os munic\u00edpios para onde s\u00e3o interiorizadas essas pessoas. Essa situa\u00e7\u00e3o gera uma desconfian\u00e7a adicional na popula\u00e7\u00e3o e nos pr\u00f3prios agentes p\u00fablicos locais ao se depararem com uma demanda de busca de servi\u00e7os e benef\u00edcios sociais advinda de fam\u00edlias estrangeiras, cujas raz\u00f5es para estarem na cidade s\u00e3o desconhecidas pela popula\u00e7\u00e3o comum e, muitas vezes, resultam em xenofobia e rejei\u00e7\u00e3o. Chama aten\u00e7\u00e3o, nesse programa espec\u00edfico, o fato de terem sido interiorizadas muitas pessoas para cidades de m\u00e9dio e pequeno porte do Estado de S\u00e3o Paulo, que apresentam hist\u00f3rico de recep\u00e7\u00e3o de migrantes internacionais ao longo do s\u00e9culo XX e final do s\u00e9culo XIX, mas, paradoxalmente, n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, comunidades familiarizadas com a demanda contempor\u00e2nea de acolhimento de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio. Em suma, com caracter\u00edsticas hist\u00f3rico-culturais e sociais bastante arraigadas e, muitas vezes, voltadas para o agroneg\u00f3cio e para uma agenda de fortalecimento econ\u00f4mico interno, esses destinos, por um lado, se configuram como potenciais lugares para se refazer as vidas, com oportunidades de trabalho e novas redes sociais; mas, por outro lado, tamb\u00e9m apresentam desafios no dif\u00edcil reconhecimento da diferen\u00e7a &#8211; seja ela lingu\u00edstica, cultural, econ\u00f4mica, fenot\u00edpica, entre outras.<\/p>\n<h2>Reconhecimento intercultural como boa pr\u00e1tica de acolhimento<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Com a percep\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade de imigrantes e refugiadas\/os alocadas\/os no interior do Estado de S\u00e3o Paulo e a fim de tratar as lacunas na articula\u00e7\u00e3o entre entes federativos, organismos internacionais de imigra\u00e7\u00e3o e ref\u00fagio e os entes municipais no processo de interioriza\u00e7\u00e3o, em 2021 surge a <a href=\"https:\/\/www2.unesp.br\/portal#!\/proex\/acoes-da-extensao\/redes-tematicas\/redes-tematicas\/\">Rede de Aten\u00e7\u00e3o ao Migrante Internacional<\/a> (RAMIN), vinculada \u00e0 Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria e Cultura (PROEC), que integra v\u00e1rios projetos de unidades da Universidade Estadual Paulista (UNESP), caracterizada por estar em praticamente todas as regi\u00f5es do Estado de S\u00e3o Paulo. Como parte desta rede, o projeto de extens\u00e3o <a href=\"https:\/\/labriunesp.org\/conhecer-para-acolher\">\u201cConhecer para Acolher\u201d<\/a>, da Faculdade de Ci\u00eancias Humanas e Sociais da UNESP de Franca-SP, se incumbiu de realizar um levantamento de dados e mapeamento dos migrantes internacionais na regi\u00e3o e desenvolver a\u00e7\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o e acolhimento a estas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Entre as necessidades urgentes encontradas est\u00e1 a supera\u00e7\u00e3o da barreira do idioma. Embora haja proximidade entre a l\u00edngua portuguesa e a l\u00edngua espanhola, ao chegarem nas cidades de destino e buscarem aux\u00edlio nas unidades de sa\u00fade e escolas para a matr\u00edcula das crian\u00e7as, \u00e9 comum haver entraves de comunica\u00e7\u00e3o lingu\u00edstico-cultural entre venezuelanas\/os e brasileiras\/os. Portanto, uma das frentes de suma import\u00e2ncia para lidar com o desafio da interioriza\u00e7\u00e3o \u00e9 o preparo das\/os agentes p\u00fablicas\/os municipais, que s\u00e3o aquelas\/es que t\u00eam o contato direto com as pessoas que chegam desde Roraima, por exemplo, pela Opera\u00e7\u00e3o Acolhida.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/fm8uDqS.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Alunos e professores do curso de L\u00edngua Portuguesa para Estrangeiros na UFRR. Foto: Arquivo pessoal de Julia Faria Camargo<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Diante desse cen\u00e1rio, a RAMIN buscou dar visibilidade \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das\/os imigrantes e refugiadas\/os interiorizadas\/os por meio da demanda urgente do mapeamento desses indiv\u00edduos na cidade, para, a partir disso, oferecer a\u00e7\u00f5es interculturais, entre outras. Durante o ano de 2022, entre abril a novembro, foram contactados institui\u00e7\u00f5es religiosas, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e do terceiro setor para a realiza\u00e7\u00e3o do mapeamento e levantamento de dados de imigra\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio. As informa\u00e7\u00f5es coletadas mostram que, em 2022, foram registrados 70 alunos imigrantes de v\u00e1rias nacionalidades nas escolas do munic\u00edpio, sendo 58,57% desses estudantes migrantes venezuelanas\/os. Al\u00e9m disso, se obteve o registro de dez fam\u00edlias de venezuelanas\/os residentes na cidade, com um total de mais ou menos 42 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Levando em considera\u00e7\u00e3o os dados apresentados pelo Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo e comparando-os com as informa\u00e7\u00f5es levantadas e mapeadas pela equipe do projeto \u201cConhecer para acolher\u201d, percebeu-se uma falta de registros do sistema municipal. \u00c9 observada a inexist\u00eancia de acompanhamento das fam\u00edlias e indiv\u00edduos em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio e migra\u00e7\u00e3o na cidade, o que gera uma s\u00e9rie de problemas, como a maior vulnerabilidade social a que as\/os imigrantes realocadas\/os ficam submetidas\/os.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Percebe-se que, apesar de o processo de realoca\u00e7\u00e3o desses indiv\u00edduos ser feito atrav\u00e9s do transporte em conjunto com as For\u00e7as Armadas e apesar de o ACNUR e a OIM afirmarem que contactam os estados destinos dos imigrantes, na pr\u00e1tica essas Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais n\u00e3o dialogam com os \u00f3rg\u00e3os municipais. Como consequ\u00eancia dessa falta de articula\u00e7\u00e3o, as\/os imigrantes s\u00e3o deixados por sua pr\u00f3pria conta e risco em cidades despreparadas para a sua recep\u00e7\u00e3o. Essa realidade \u00e9 evidenciada pelo fato de grande parte dos munic\u00edpios n\u00e3o ter uma base de dados e um mapeamento de imigrantes em suas cidades, o que demonstra um problema de sa\u00edda e a incapacidade de uma orquestra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre as Organiza\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida e os munic\u00edpios do interior.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Consequentemente, se n\u00e3o h\u00e1 dados, nenhum \u00f3rg\u00e3o se responsabiliza de fato pelo acolhimento dessa popula\u00e7\u00e3o, tampouco pela realiza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que atendam essas pessoas, que, desse modo, acabam expostas a uma s\u00e9rie de viol\u00eancias estruturais intr\u00ednsecas \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas na Opera\u00e7\u00e3o Acolhida pode configurar-se como um entrave ao objetivo de acolhimento da a\u00e7\u00e3o, uma vez que o car\u00e1ter militar cria a securitiza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o (Agier, 2006, p. 200-201). Nesse sentido, tal abordagem pautada pelo controle e pela vigil\u00e2ncia, com aparente objetivo de seguran\u00e7a, se mostra conflitante com uma pol\u00edtica migrat\u00f3ria baseada nos Direitos Humanos e trata essas pessoas como sujeitos de risco que ficam ainda mais suscet\u00edveis a sofrer xenofobia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A despeito de todas as dificuldades acima elencadas, h\u00e1 boas pr\u00e1ticas que minimizam o problema e abrem possibilidades de solu\u00e7\u00e3o. Em Boa Vista-RR, por exemplo, a Universidade Federal de Roraima (UFRR) oferece aulas de portugu\u00eas e de capoeira como mecanismos eficientes de acolhimento, sendo mesmo um exemplo de sucesso reconhecido pelo pr\u00f3prio ACNUR<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"9\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-9\">9<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-9\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"9\">Consultar projeto realizado pela autora, junto \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina\/UNESCO\/UNITWIN, e dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2sHe_NEODLI&amp;t=2603s.<\/span>. Al\u00e9m do portugu\u00eas para as\/os imigrantes, o ensino de l\u00edngua espanhola para as\/os agentes p\u00fablicas\/os, a implementa\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o intercultural, que inclui o entendimento das raz\u00f5es pelas quais as pessoas s\u00e3o obrigadas a deixar seus pa\u00edses de origem, configuram iniciativas j\u00e1 experimentadas e cujo sucesso \u00e9 vis\u00edvel em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil. Em Franca-SP, nosso estudo de caso referente \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia com o Centro de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS), da regi\u00e3o Sul da cidade, onde se concentra a maior parte da popula\u00e7\u00e3o migrante interiorizada, \u00e9 emblem\u00e1tica. Em parceria com o projeto \u201cConhecer para Acolher\u201d, o CRAS-Sul, por meio de seu espa\u00e7o f\u00edsico, suas\/seus profissionais da sa\u00fade e do servi\u00e7o social e da estrutura do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), pudemos realizar v\u00e1rias pr\u00e1ticas que resultaram em uma integra\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias venezuelanas assistidas naquele \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. Aulas de portugu\u00eas, rodas de conversa, pr\u00e1ticas de Teatro do Oprimido<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"10\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-10\">10<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-10\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"10\">Dramaturgia criada por Augusto Boal, cuja pr\u00e1tica re\u00fane teatro e consci\u00eancia cr\u00edtico-social.<\/span>, relatos de hist\u00f3rias de ref\u00fagio<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"11\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_3055\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-11\">11<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_3055-11\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"11\">Consultar a\u00e7\u00e3o realizada pela autora, na cidade de Botucatu-SP, em parceria com o Projeto Reconduz e a Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina\/UNESCO\/UNITWIN, e dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cxX2MREMyA8&amp;t=6605s<\/span>, feiras gastron\u00f4micas, apoio psicol\u00f3gico com a percep\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as culturais, s\u00e3o alguns exemplos de a\u00e7\u00f5es aparentemente simples, mas cujo impacto positivo \u00e9 real, porque proporcionam a aproxima\u00e7\u00e3o e o reconhecimento necess\u00e1rios entre popula\u00e7\u00e3o em ref\u00fagio e comunidade receptora, bem como entre o pr\u00f3prio grupo em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio, que, obviamente, n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo, ainda que compartilhe a mesma nacionalidade.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/EW0Uv1A.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-style:italic;font-size:12px\"> Evento cultural organizado pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/projeto.reconduz\/\">Projeto Reconduz<\/a>, o projeto &#8220;Conhecer para Acolher&#8221; e demais parceiros na pra\u00e7a da Pinacoteca de Botucatu. Foto: Let\u00edcia Laurenti Olivi<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<h2>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Se por um lado houve avan\u00e7o no marco legal brasileiro sobre as migra\u00e7\u00f5es, por outro, permanece uma vis\u00e3o militarizada de todo o processo. Com o ACNUR n\u00e3o \u00e9 diferente, pois as ag\u00eancias internacionais tamb\u00e9m herdam um legado de seguran\u00e7a e defesa bastante dif\u00edcil de ser revisto, em termos pr\u00e1ticos, nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. No entanto, quando se trata de quest\u00f5es humanit\u00e1rias, h\u00e1 de se voltar para o que une todos os seres humanos: a capacidade cultural, aqui compreendida em sua ampla concep\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica. Portanto, n\u00e3o se trata de manter a l\u00f3gica da divis\u00e3o: ao contr\u00e1rio, \u00e9 urgente ocupar os espa\u00e7os das igualdades para a cria\u00e7\u00e3o e\/ou reconhecimento de elos j\u00e1 existentes, mas invisibilizados pela \u00f3tica do medo e da defesa em nome de uma suposta seguran\u00e7a. Por uma perspectiva securit\u00e1ria, a\/o agente p\u00fablica\/o, seja em n\u00edvel internacional (como o pessoal das ag\u00eancias da ONU, por exemplo), seja em n\u00edvel municipal, \u00e9 quase sempre treinado a combater a diferen\u00e7a como uma potencial amea\u00e7a. A partir de uma sensibilidade intercultural, por outro prisma, a chave da rela\u00e7\u00e3o se d\u00e1 n\u00e3o na busca de se defender diante da alteridade ou de atac\u00e1-la, sempre em nome de uma seguran\u00e7a idealizada em termos militares. Trata-se, sobretudo, de tecer novas possibilidades de exist\u00eancia com aprendizados m\u00fatuos. Quando as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio forem compreendidas, por todas as organiza\u00e7\u00f5es que com elas lidam, como iguais em sua humanidade, n\u00e3o haver\u00e1 mais xenofobia e discrimina\u00e7\u00e3o. Nossas experi\u00eancias em diversos projetos v\u00eam demonstrando, indubitavelmente, que a mobiliza\u00e7\u00e3o intercultural \u00e9 uma chave imprescind\u00edvel para abrir esse portal de respeito pol\u00edtico-social t\u00e3o urgente no mundo convulsionado no qual vivemos.<\/p>\n<h2>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/h2>\n<p>ACNUR. Pesquisa aponta que refugiados e migrantes venezuelanos t\u00eam maior acesso a emprego ap\u00f3s interioriza\u00e7\u00e3o. <strong>ACNUR<\/strong>, Bras\u00edlia, 8 dez. 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/2021\/12\/08\/pesquisa-realizada-por-agencias-da-onu-demonstra-que-pessoas-refugiadas-e-migrantes-vindas-da-venezuela-tem-maior-acesso-a-emprego-e-renda-apos-adesao-a-estrategia-de-interiorizacao\/&gt;. Acesso em 16 nov. 2023.<\/p>\n<p>ACNUR. <strong>Interioriza\u00e7\u00e3o e Integra\u00e7\u00e3o no Destino: Rede de Servi\u00e7os e Parcerias do ACNUR.<\/strong> <em>[s.l.],<\/em> fev. 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/help.unhcr.org\/brazil\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2021\/03\/Int_Rede_Servicos_Parcerias_fev_vf.pdf&gt;. Acesso em 16 nov. 2023.<\/p>\n<p>AGIER, Michel. Refugiados diante da nova ordem mundial. <strong>Tempo social<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 18, n. 2, p. 197-215, 2006. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-20702006000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso. Acesso em: 16 jun. 2023.<\/p>\n<p>CARNEIRO, Lu\u00edza de Macedo Soares Vieira. A Interioriza\u00e7\u00e3o dos Refugiados Venezuelanos no Brasil. <strong>Cadernos de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais\/PUC-Rio<\/strong>, Rio de Janeiro, vol. 2, dez. 2019, p. 244-266.<\/p>\n<p>CHAVES, Jo\u00e3o. A resposta ao movimento migrat\u00f3rio venezuelano pela Opera\u00e7\u00e3o Acolhida no Brasil: impasse entre humanitarismo e pol\u00edticas de trabalho decente. <em>In:<\/em> VIRG\u00cdNIO <em>et al<\/em>. <strong>Informalidade e prote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores imigrantes: navegando pelo humanitarismo, securitiza\u00e7\u00e3o e dignidade.<\/strong> 1 ed. S\u00e3o Paulo: Outras Express\u00f5es, 2022, p. 25-35.<\/p>\n<p>COSTA, Luiz Rosado; Souza, Jos\u00e9 Eduardo Melo; BARROS, L\u00edvia Cristina dos Anjos. Um Hist\u00f3rico da Pol\u00edtica Migrat\u00f3ria Brasileira a partir de seus marcos legais (1808-2019). <strong>Revista GeoPantanal<\/strong>, Corumb\u00e1, n.27, jul-dez. 2019, p.167-184.<\/p>\n<p>FRAN\u00c7A, R\u00f4mulo Ataides; RAMOS, Wilsa Maria; MONTAGNER, Maria Inez. Mapeamento de pol\u00edticas p\u00fablicas para os refugiados no Brasil. <strong>Estudos e Pesquisas em Psicologia<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, p. 89-106, 2019.<\/p>\n<p>JAROCHINSKI, Jo\u00e3o Carlos; JUBILUT, Liliana. Venezuelans in Brazil: challenges of protection. <strong>E-International Relations<\/strong>, 12 jul. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.eir.info\/2018\/07\/12\/venezuelans-in-brazil-challenges-of-protection\/ Acesso em: 06 jun. 2023.<\/p>\n<p>OBREGON, Marcelo F. Q.; PINTO, Lara C. A crise dos refugiados na Venezuela e a Rela\u00e7\u00e3o com o Brasil. <strong>Derecho y Cambio Social<\/strong>. Lima, 20 jan. 2018, p. 1-21. ISSN 2224-4131.<\/p>\n<p>OBSERVAT\u00d3RIO DAS MIGRA\u00c7\u00d5ES EM S\u00c3O PAULO. Imigrantes Internacionais Registrados no Brasil (com Registro Nacional \u2013 RNM). <strong>Unicamp<\/strong> <strong>NEPO<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/www.nepo.unicamp.br\/observatorio\/bancointerativo\/numeros-imigracao-internacional\/sincre-sismigra\/&gt;. Acesso em: 20 set. 2023.<\/p>\n<p>OPERA\u00c7\u00c3O ACOLHIDA. <strong>A\u00e7\u00f5es e Programas<\/strong>. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 fome, [2023]. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/acoes-e-programas\/operacao-acolhida&gt;. Acesso em 10 nov. 2023.<\/p>\n<p>SILVA, Edna F\u00e1tima Pereira da. Um Ano de Interioriza\u00e7\u00e3o dos Venezuelanos no Brasil: Xenofobia e Fake News Como Desafios Invis\u00edveis dos Refugiados. <strong>Intercom \u2013 Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>42\u00ba Congresso Brasileiro de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>. Bel\u00e9m, 2 a 7 set. 2019, 1-14<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">***<\/p>\n<p><strong>Prof\u00aa Dr\u00aa. Elizabete Sanches Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Docente do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FCHS-UNESP-Franca-SP e coordenadora do Projeto \u201cConhecer para acolher\u201d, da Rede de Aten\u00e7\u00e3o ao Migrante Internacional (RAMIN), Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria e Cultura (PROEC).<\/p>\n<p><strong>Giovanna Leme de Castro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Discente do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FCHS-UNESP-Franca-SP e bolsista do Projeto \u201cConhecer para acolher\u201d, da Rede de Aten\u00e7\u00e3o ao Migrante Internacional (RAMIN), Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria e Cultura (PROEC).<\/p>\n<p><strong>Let\u00edcia Laurenti Olivi<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Discente do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FCHS-UNESP-Franca-SP e bolsista do Projeto \u201cConhecer para acolher\u201d, da Rede de Aten\u00e7\u00e3o ao Migrante Internacional (RAMIN), Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria e Cultura (PROEC).<\/p>\n<h3 class=\"modern-footnotes-list-heading modern-footnotes-list-heading--hide-for-print\">Notas<\/h3><ul class=\"modern-footnotes-list modern-footnotes-list--hide-for-print\"><li><span>1<\/span><div>OBSERVAT\u00d3RIO DAS MIGRA\u00c7\u00d5ES EM S\u00c3O PAULO. Imigrantes Internacionais Registrados no Brasil (com Registro Nacional \u2013 RNM). <strong>Unicamp<\/strong> <strong>NEPO<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nepo.unicamp.br\/observatorio\/bancointerativo\/numeros-imigracao-internacional\/sincre-sismigra\/&gt;. Acesso em: 20 set. 2023.<\/div><\/li><li><span>2<\/span><div>OBSERVAT\u00d3RIO DAS MIGRA\u00c7\u00d5ES EM S\u00c3O PAULO. Imigrantes Internacionais Registrados no Brasil (com Registro Nacional \u2013 RNM). <strong>Unicamp<\/strong> <strong>NEPO<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nepo.unicamp.br\/observatorio\/bancointerativo\/numeros-imigracao-internacional\/sincre-sismigra\/&gt;. Acesso em: 20 set. 2023.<\/div><\/li><li><span>3<\/span><div>OBREGON, Marcelo F. Q.; PINTO, Lara C. A crise dos refugiados na Venezuela e a Rela\u00e7\u00e3o com o Brasil. <strong>Derecho y Cambio Social<\/strong>. Lima, 20 jan. 2018, p. 1-21. ISSN 2224-4131.<\/div><\/li><li><span>4<\/span><div><em>Ibidem<\/em>.<\/div><\/li><li><span>5<\/span><div>CARNEIRO, Lu\u00edza de Macedo Soares Vieira. A Interioriza\u00e7\u00e3o dos Refugiados Venezuelanos no Brasil. <strong>Cadernos de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais\/PUC-Rio<\/strong>, Rio de Janeiro, vol. 2, dez. 2019, p. 244-266.<\/div><\/li><li><span>6<\/span><div><em>Ibidem<\/em>.<\/div><\/li><li><span>7<\/span><div>OPERA\u00c7\u00c3O ACOLHIDA. <strong>A\u00e7\u00f5es e Programas<\/strong>. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 fome, [2023]. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/acoes-e-programas\/operacao-acolhida&gt;. Acesso em 10 nov. 2023<\/div><\/li><li><span>8<\/span><div>ACNUR. Pesquisa aponta que refugiados e migrantes venezuelanos t\u00eam maior acesso a emprego ap\u00f3s interioriza\u00e7\u00e3o. <strong>ACNUR<\/strong>, Bras\u00edlia, 8 dez. 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/2021\/12\/08\/pesquisa-realizada-por-agencias-da-onu-demonstra-que-pessoas-refugiadas-e-migrantes-vindas-da-venezuela-tem-maior-acesso-a-emprego-e-renda-apos-adesao-a-estrategia-de-interiorizacao\/&gt;. Acesso em 16 nov. 2023<\/div><\/li><li><span>9<\/span><div>Consultar projeto realizado pela autora, junto \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina\/UNESCO\/UNITWIN, e dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2sHe_NEODLI&amp;t=2603s.<\/div><\/li><li><span>10<\/span><div>Dramaturgia criada por Augusto Boal, cuja pr\u00e1tica re\u00fane teatro e consci\u00eancia cr\u00edtico-social.<\/div><\/li><li><span>11<\/span><div>Consultar a\u00e7\u00e3o realizada pela autora, na cidade de Botucatu-SP, em parceria com o Projeto Reconduz e a Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina\/UNESCO\/UNITWIN, e dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cxX2MREMyA8&amp;t=6605s<\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse momento em que h\u00e1 acirramento da tens\u00e3o entre a Venezuela e a Guiana pela disputa da regi\u00e3o de Essequibo, o Coletivo Brasil publica um texto de Elizabete Sanches Rocha, Giovanna Leme de Castro e Let\u00edcia Laurento Olivi sobre a imigra\u00e7\u00e3o venezuelana para o Brasil. A discuss\u00e3o sobre a imigra\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e como necess\u00e1ria em decorr\u00eancia do conflito. No artigo, as autoras discorrem sobre o fluxo migrat\u00f3rio de venezuelanos com destino ao Brasil. Al\u00e9m de um hist\u00f3rico dessa migra\u00e7\u00e3o, as autoras discutem a pr\u00e1tica da interioriza\u00e7\u00e3o dos imigrantes e a necessidade do reconhecimento cultural como base do acolhimento.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":3057,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,84,49],"tags":[56,243,244,246,245,248,65,247],"class_list":["post-3055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-imigracao","category-movimentos","tag-brasil","tag-elizabete-sanches-rocha","tag-giovanna-leme-de-castro","tag-imigracao","tag-leticia-laurenti-olivi","tag-refugiados","tag-sociedade","tag-venezuela"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3055"}],"version-history":[{"count":19,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3097,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3055\/revisions\/3097"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3057"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}