{"id":2925,"date":"2023-10-20T18:18:08","date_gmt":"2023-10-20T18:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=2925"},"modified":"2023-10-20T20:39:05","modified_gmt":"2023-10-20T20:39:05","slug":"danycan-um-testemunho-da-ofensiva-dos-navegadores-franceses","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/danycan-um-testemunho-da-ofensiva-dos-navegadores-franceses\/","title":{"rendered":"Danycan, um testemunho da ofensiva dos navegadores franceses<br><span style=\"font-size:16px\">Patrick Lamache<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Coupe des Deux Phares 2017. Foto: N.&nbsp;Dick\u00e8s<\/p>\n<h2>Patrim\u00f4nio mar\u00edtimo: pref\u00e1cio de G\u00e9rard Wormser<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Encontrei Patrick&nbsp;Lamache de maneira fortuita durante o festival mar\u00edtimo de Camaret-sur-Mer (Bretanha), em agosto de&nbsp;2022. Propriet\u00e1rio de um belo RORC Classe III assinado por Eug\u00e8ne Cornu<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2925\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">Eug\u00e8ne Cornu (1903-1987) \u00e9 arquiteto naval e marinheiro franc\u00eas. Desenhista talentoso, ele projetou v\u00e1rios navios e regatas durante a Segunda Guerra Mundial, mas continua famoso por seus veleiros, como o Licorne e o Belouga.<\/span>, batizado de Danycan e lan\u00e7ado ao mar em Marselha, em 1949, ele foi respons\u00e1vel pela restaura\u00e7\u00e3o e a classifica\u00e7\u00e3o de seu veleiro como monumento hist\u00f3rico, al\u00e9m de ter realizado uma vasta <a href=\"http:\/\/danycan.over-blog.fr\">pesquisa documental<\/a> que deu origem ao livro intitulado <em>Danycan, t\u00e9moin sauvegard\u00e9 de l&#8217;offensive des navigateurs fran\u00e7ais<\/em> (Lamache, 2022). A hist\u00f3ria desse pequeno veleiro de cruzeiro oce\u00e2nico, desde seu lan\u00e7amento, tem como pano de fundo o avan\u00e7o dos iatistas franceses que desafiaram a hegemonia inglesa nas regatas oce\u00e2nicas. Cerca de quarenta armadores fizeram parte desse movimento, incluindo Michel de Rosanbo, segundo capit\u00e3o do barco, bem como seus amigos e tripulantes, incluindo um jovem talentoso e promissor chamado Tabarly. Planos, recortes de imprensa e pr\u00eamios s\u00e3o intercalados com considera\u00e7\u00f5es pessoais sobre o processo de classifica\u00e7\u00e3o do barco como monumento hist\u00f3rico, a experi\u00eancia do autor com o iatismo cl\u00e1ssico e seu testemunho sobre o trabalho de restaura\u00e7\u00e3o exemplar realizado por ele. Um anexo com os resultados dos franceses na RORC do p\u00f3s-guerra, at\u00e9 1963, e sobre os 300 iates que cruzaram o caminho do Danycan completa esse trabalho extremamente bem documentado e referenciado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Guardado durante tr\u00eas anos, per\u00edodo em que seu propriet\u00e1rio se instalou no Brasil (S\u00e3o Paulo), o Danycan infelizmente n\u00e3o p\u00f4de participar das jornadas do patrim\u00f4nio. A meu pedido, Patrick Lamache concordou em escrever para nossos leitores e assinantes.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;font-size:16px\"><em>G\u00e9rard&nbsp;Wormser<\/em><\/p>\n<h2>Danycan, saveiro das Bermudas, 1949-2019: o destino de um RORC Classe III<\/h2>\n<h3>Um pequeno iate que poderia ter desaparecido<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Durante o ver\u00e3o de 2008, ainda propriet\u00e1rio de meu Marauder, meu objetivo era adquirir outro plano Herbulot para reformar: um Cap Corse ou, de prefer\u00eancia, um Cap Horn, que conheci atrav\u00e9s de Jean Lacombe&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Embora a raz\u00e3o me levasse a seguir minha primeira inspira\u00e7\u00e3o, ca\u00ed no feiti\u00e7o dos magn\u00edficos <em>\u00e9lancements<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"2\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2925\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-2\">2<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-2\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"2\">N.T: Parte do casco n\u00e3o submersa, da linha d&#8217;\u00e1gua at\u00e9 a extremidade da haste ou da linha d&#8217;\u00e1gua traseira at\u00e9 a extremidade da popa. <a href=\"http:\/\/jean.dahec.free.fr\/dictionnaire-lexique-E\/elancements-elevation.html\">Fonte<\/a>.<\/span> do Danycan, que na \u00e9poca estava em processo de decomposi\u00e7\u00e3o, \u00e0s margens do rio Morlaix, nos estaleiros J\u00e9z\u00e9quel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Negligenciado ao longo de muitas temporadas, h\u00e1 mais de vinte e cinco anos sem ser lan\u00e7ado ao mar e praticamente esquecido desde a d\u00e9cada de 1960, o Danycan chegou ao meu conhecimento durante minha extensa pesquisa nos estaleiros do <em>Grand Ouest<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"3\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2925\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-3\">3<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-3\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"3\">N.T: <em>Grand Ouest<\/em> \u00e9 uma regi\u00e3o da Fran\u00e7a que abrange a Bretanha e o Pa\u00eds de Loire.<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m de suas belas linhas, eu n\u00e3o conhecia mais nada sobre sua hist\u00f3ria, no momento da compra, em dezembro de 2008. Durante o trabalho de restaura\u00e7\u00e3o, no ano seguinte, descobri os primeiros elementos da hist\u00f3ria desse cl\u00e1ssico, gra\u00e7as a um artigo de G. Auzepy-Brenneur publicado no in\u00edcio de 2009, na revista <em>Chasse-Mar\u00e9e,<\/em> e \u00e0s extensas pesquisas que se seguiram.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/277012334-78f20258-f4c6-44cb-a11d-0c2a06a657e4.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Regata <em>Voiles de la Citadelle<\/em>, 2014. Foto : Alain Milb\u00e9o<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<h3>O cruiser-racer e sua tripula\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Um saveiro das Bermudas, plano Cornu de 24&nbsp;p\u00e9s de comprimento da linha d&#8217;\u00e1gua e de 2,48 m de boca, ele possui mais de 29% d&#8217;<em>\u00e9lancement<\/em> e comporta uma \u201ccanoa traseira\u201d. \u00c9 de constru\u00e7\u00e3o relativamente leve, projetado para navega\u00e7\u00e3o costeira ou regatas em \u00e1guas abertas. O estaleiro <em>Pierre Delmez Constructions Nautiques<\/em>, em Le Perreux-sur-Marne, lan\u00e7ou o Danycan em 19 de julho de 1949. Provavelmente, o objetivo de Eug\u00e8ne Cornu ao projetar o Danycan era otimizar um RORC Classe III. De fato, o estaleiro <em>Delmez<\/em> era especializado na constru\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es leves. Em resumo, o que Cornu perdeu em termos de dimensionamento (baixa espessura das bordas, tamanho das longarinas e arma\u00e7\u00f5es, aus\u00eancia de <em>serre de bouchain<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"4\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2925\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-4\">4<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2925-4\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"4\">N.T: Placas longitudinais no n\u00edvel do casco que unem as partes superior e inferior. <a href=\"http:\/\/jean.dahec.free.fr\/dictionnaire-lexique-S\/serre-bauquiere-bouchain.html\">Fonte<\/a>.<\/span> e de mesa na\u00fatica, uma \u00fanica porta separando as se\u00e7\u00f5es de proa e popa, etc.), ele ganhou em redu\u00e7\u00e3o de deslocamento. O arquiteto foi minucioso em termos de eleg\u00e2ncia e desempenho condicionando, de certa forma, a hist\u00f3ria desse pequeno iate cl\u00e1ssico. A contribui\u00e7\u00e3o dos diferentes propriet\u00e1rios para o sucesso desse barco foi vari\u00e1vel. Se h\u00e1 um nome a ser lembrado, \u00e9 o do Conde de Rosanbo (o 4\u00ba de 12&nbsp;propriet\u00e1rios), um iatista renomado na d\u00e9cada de 1950, membro do <em>Yacht Club de France<\/em>, da <em>Soci\u00e9t\u00e9 des R\u00e9gates Rochelaises<\/em> e da <em>Union Nationale des Croiseurs<\/em>. \u00c9 preciso ressaltar que o General Chaigneau e o Comodoro Pillorget tamb\u00e9m foram propriet\u00e1rios do Danycan.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791758-f7ed8700-317c-46fa-9f4a-5a370e9b200c.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Trecho de <em>La Rivi\u00e8re<\/em> &#8212;&nbsp;La revue du cano\u00eb club de France (abril&nbsp;1947)<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791761-c758db22-df78-442a-8e51-b0603012e23c.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Chegada ao estaleiro da CMC &#8211; junho de 2009. Foto: P.&nbsp;Lamache<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791762-2caac06b-862a-459e-b4d4-33bc0268947c.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">O Danycan no dia em que foi descoberto, em 2008, em Saint-Martin-des-Champs, no estaleiro A. J\u00e9z\u00e9quel. Foto: P.&nbsp;Lamache<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<h3>Os vencedores e a hist\u00f3ria<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cDanycan, um barco de prest\u00edgio\u201d foi a manchete da revista <em>Le&nbsp;Yacht<\/em> do dia 18&nbsp;de mar\u00e7o de&nbsp;1961. No per\u00edodo de 1954 a 1961, o desempenho desse veleiro foi respeit\u00e1vel. Ele venceu a Plymouth-La Rochelle, em 1957 com Guy Tabarly, enquanto iates de prest\u00edgio como Myth of Malham, Sea Scamp, Hallali, Jocasta, Cutty, Esquirol, Carentan e outros tamb\u00e9m faziam parte da frota. Ele ficou em 4\u00ba lugar na classifica\u00e7\u00e3o RORC de 1960. Em seguida, ele apareceu com frequ\u00eancia nas capas de revistas como <em>Bateaux<\/em> e <em>Les Cahiers du Yachting<\/em>. O arquivo Beken, da cidade de Cowes, ainda guarda algumas fotografias desse veleiro.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791764-ba9e4255-c5b3-4d82-a824-1fdf52992a50.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Regata de La&nbsp;Rochelle, em&nbsp;1957. Foto: J.&nbsp;Dupuy<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O Danycan velejou e competiu com frequ\u00eancia ao lado de barcos bastante conhecidos e alguns deles ainda velejam ou participam de regatas. Al\u00e9m de suas belas linhas, esse antigo cruiser-racer tem um passado de prest\u00edgio, contribuindo para a ofensiva dos iatistas franceses contra a hegemonia anglo-sax\u00f4nica nas regatas RORC, durante a d\u00e9cada de 1950, coroada com a vit\u00f3ria de 1964. Al\u00e9m disso, antes de atingir a fama, o Danycan recebeu a bordo, no contexto das regatas, um homem que agora \u00e9 considerado uma lenda da vela francesa, bem como seu pai, Guy Tabarly, membro leal da tripula\u00e7\u00e3o, de 1954 a 1961. Eric Tabarly afirma em seu livro <em>Mes bateaux et moi<\/em> (Tabarly e Campistron, 1974), publicado em 1976: \u201ccomo os barcos de cruzeiro oce\u00e2nico geralmente n\u00e3o tinham tripula\u00e7\u00e3o suficiente, meu pai e eu nos juntamos a bordo de nossos primeiros barcos de regata locais: Farewell, em La Trinit\u00e9, e depois o Danycan de La Rochelle. Est\u00e1vamos vivendo os prim\u00f3rdios das regatas de cruzeiro na Fran\u00e7a, uma era do aprendizado&#8230;\u201d Algumas p\u00e1ginas depois ele declara: \u201cAdeus&#8230; Danycan&#8230; Sem d\u00favidas, esses veleiros modernos me mostraram o oceano e a competi\u00e7\u00e3o, mas eu seria injusto se n\u00e3o mencionasse o importante papel desempenhado pelo velho Pen Duick em minha voca\u00e7\u00e3o como piloto&#8230;\u201d<\/p>\n<h3>Obras de conserva\u00e7\u00e3o 2009-2016<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Iniciada em 2009, no estaleiro <em>Chantier des Charpentiers de Marine Camar\u00e9tois<\/em>, com a substitui\u00e7\u00e3o de algumas pe\u00e7as vivas, a restaura\u00e7\u00e3o continuou at\u00e9 2013 com a ajuda da DRAC (<em>Direction r\u00e9gionale des affaires culturelles<\/em>) e das autoridades locais da Regi\u00e3o da Bretanha, do Departamento de Finist\u00e8re e da Comuna de Crozon (pe\u00e7as vivas, repotencia\u00e7\u00e3o, conv\u00e9s, <em>cockpit<\/em> e barrotes, cordame, velas, acess\u00f3rios do conv\u00e9s, acess\u00f3rios internos, retoques finais). O Danycan foi registrado como Monumento Hist\u00f3rico em 2011. O trabalho foi realizado por artes\u00f5es da pen\u00ednsula de Crozon sob a supervis\u00e3o de Jacques Pichavant, especialista do Minist\u00e9rio da Cultura. O arquiteto Georges Auzepy Brenneur tamb\u00e9m prestou grande apoio. Em 2016, com a permiss\u00e3o do DRAC, o estaleiro Guip foi contratado para substituir parte da estrutura axial da parte traseira, incluindo a popa, uma opera\u00e7\u00e3o complexa que me permitiu dar os toques finais no restauro.<\/p>\n<h3>Renascimento em 2013 e navega\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">O Danycan retorna \u00e0s suas origens em abril de 2013. Desde que foi relan\u00e7ado, ele navegou entre 1.000 e 1.500 milhas por ano, principalmente como parte do Chllange Manche Atlantique, em que ficou em 4\u00ba lugar, em 2016. Ele venceu o Plymouth-La Rochelle em 2018, em uma homenagem ao sucesso no passado!<\/p>\n<h3>O Danycan comemorou seus 70 anos em 2019!<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Em comemora\u00e7\u00e3o ao seu anivers\u00e1rio, eu tinha o desejo de publicar um livro que contasse n\u00e3o apenas a hist\u00f3ria desse iate e de sua tripula\u00e7\u00e3o, sua contribui\u00e7\u00e3o para a ascens\u00e3o do iatismo franc\u00eas no per\u00edodo p\u00f3s-guerra, seu passado compartilhado com Pen Duick e a fam\u00edlia Tabarly e o que aconteceu com os outros iates da \u00e9poca, mas sua restaura\u00e7\u00e3o na pen\u00ednsula de Crozon e as primeiras temporadas ap\u00f3s seu renascimento.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791766-2ba543bd-f8f6-4b07-80f3-bb4c3a09a45a.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Grande pr\u00eamio de Brest&nbsp;2016. Foto: K.&nbsp;A.&nbsp;Noutcha&nbsp;Pemamboh<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791767-cf8f1485-8ffa-4dd4-b40a-0e9aa81e60a2.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Pr\u00f3logo da <em>Coupe des Deux Phares<\/em> na Ba\u00eda de Douarnenez, em 2017. Foto: P.&nbsp;Bigand<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<h2>O Livro <em>Danycan, t\u00e9moin sauvegard\u00e9 de l&#8217;offensive des navigateurs fran\u00e7ais<\/em><\/h2>\n<h3>A g\u00eanese da hist\u00f3ria<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Danycan \u00e9 o \u00fanico nome dado a um iate desde a in\u00edcio de seu projeto, cujos planos originais s\u00e3o mantidos no Trocad\u00e9ro. Esse nome pertencente a armadores e cors\u00e1rios est\u00e1 impregnado de hist\u00f3ria, especialmente para o povo de Saint Malo. Tive a oportunidade de conhecer o Conde de Rosanbo e o armador que lhe sucedeu, Charles Pilorget, ex-comodoro da esta\u00e7\u00e3o de Morbihan da SNSM (<em>Soci\u00e9t\u00e9 Nationale de Sauvetage en Mer<\/em>) al\u00e9m de parente pr\u00f3ximo de Jean Merrien, pouco antes de morrerem em suas casas, em Saumur e Vannes. Ele foi propriet\u00e1rio de um total de 60 barcos, incluindo o La Bandera e o Elfe. De Toulon, o General Chaigneau navegou para Creta e Sardenha. Como militar, ele \u00e9 conhecido por sua atua\u00e7\u00e3o na Arg\u00e9lia e encerrou sua carreira como tenente-general. Um dos propriet\u00e1rios posteriores me confirmou que havia navegado com o barco da C\u00f4te d&#8217;Azur at\u00e9 Saint-Malo, passando por Gibraltar, enquanto o pen\u00faltimo comprador fez um cruzeiro at\u00e9 a Irlanda, na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A lenda de um veleiro tamb\u00e9m \u00e9 escrita por sua tripula\u00e7\u00e3o. As vinte e cinco pessoas que identifiquei, incluindo praticamente todos os per\u00edodos, me deram a confian\u00e7a necess\u00e1ria para estabelecer uma hist\u00f3ria confi\u00e1vel. Membros da tripula\u00e7\u00e3o por um dia, uma noite ou para sempre e at\u00e9 pessoas c\u00e9lebres embarcaram comigo.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791768-c186fa67-d7ec-4f1e-b54c-d933e43d28a6.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Ancoradouro de Conleau, 1964. Foto: M.&nbsp;Briquet &#8212;&nbsp;arquivos C.&nbsp;Pilorget<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os di\u00e1rios de bordo da fam\u00edlia Rosanbo disponibilizados para mim revelam dedicat\u00f3rias de Costantini, construtor de veleiros, de Guy Des Cars, escritor, de John Illingworth, ent\u00e3o capit\u00e3o do Myth of Malham, de Claude Menu, propriet\u00e1rio do Marie-Christine, conhecido pelo povo de La Rochelle, e de outros marinheiros. Figuras c\u00e9lebres subiram a bordo: Guy Tabarly foi um membro leal da tripula\u00e7\u00e3o entre 1954 e 1960 e \u00c9ric Tabarly esteve a bordo entre 1954 e 1958, at\u00e9 voltar a navegar com o Pen Duick, a partir de 1959. Com efeito, ap\u00f3s o \u00eaxito de dois de seus primeiros livros, em 1976 e 1977, \u00c9ric cita o Danycan como um dos barcos que o ajudaram em seu aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nossos dois iates foram inscritos nas mesmas regatas, com Guy e os irm\u00e3os Tabarly a bordo. O veleiro esteve frequentemente bem classificado em eventos nacionais entre La Rochelle e Brest. Nas competi\u00e7\u00f5es da RORC (<em>Royal Oceanic Racing Club<\/em>), meu veleiro obteve excelentes resultados e venceu a Plymouth-La Rochelle, em 1957, ao lado de prestigiados barcos como Myth of Malham, Sea Scamp, Hallali, Jocasta, Cutty, Esquirol e Carentan. Alguns deles ainda competem no <em>Challenge Classique Manche Atlantique<\/em>.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791769-253af8e2-098e-4778-8e55-b5a87454560c.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Artigo publicado na revista <em>Le Yacht<\/em> , no dia&nbsp;18&nbsp;de mar\u00e7o&nbsp;de 1961<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791771-6f7352fa-66d5-44e9-991f-adef0013dbb3.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Artigo publicado na revista <em>Le Yacht<\/em> , no dia&nbsp;18&nbsp;de mar\u00e7o&nbsp;de 1961<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Coletei uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es de diversos jornais di\u00e1rios e peri\u00f3dicos especializados da \u00e9poca (<em>Western Morning News<\/em>, <em>Sud-Ouest<\/em>, <em>Le T\u00e9l\u00e9gramme<\/em>, <em>Le Yacht<\/em>, <em>Les Cahiers du Yachting<\/em>, <em>Bateaux&#8230;<\/em>) ou de livros como os de F. Puget e de O. Le Carrer. Os dois antigos cart\u00f5es postais que imortalizam o cruiser-racer lan\u00e7am ainda mais luz sobre seus 70 anos de navega\u00e7\u00e3o. Desde sua descoberta em agosto de 2008, sua compra em dezembro do mesmo ano e sua restaura\u00e7\u00e3o iniciada em junho de 2009, minha \u201cdan\u00e7arina\u201d tem me mantido ocupado durante as noites, os fins de semana e as f\u00e9rias. Meus longos meses de pesquisas foram facilitados pela Internet. Minhas visitas ao <em>Mus\u00e9e de la Marine<\/em> no <em>Trocad\u00e9ro<\/em> e ao <em>Yacht Club de France<\/em>, bem como a consulta \u00e0s cole\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Defesa de Vincennes e aos arquivos municipais de Le Perreux-sur-Marne e do departamento de Seine-et-Marne foram bastante \u00fateis. Minhas andan\u00e7as pelo Canal da Mancha me colocaram em contato pr\u00f3ximo com a RORC, a Biblioteca Central de Plymouth e o fot\u00f3grafo Beken, em Cowes.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791774-f6753e87-7690-452a-8de3-1744d11d5e2b.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Revista <em>Bateaux<\/em> n\u00b0&nbsp;31, dezembro&nbsp;de 1960 [107] &#8212; capa. Foto: P. Groult, tirada durante a regata Cowes-La Corogne &#8211; Guy Tabarly em p\u00e9, visto de costas, com roupas leves, no <em>cockpit<\/em>.<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791776-1140d0e5-541a-4122-b034-c03c6dfc8841.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Ancoradouro do antigo porto de Roscoff, por volta de 1981. Foto: J.&nbsp;Cosson<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Visitas a v\u00e1rias livrarias especializadas ou a lojas de segunda m\u00e3o e a an\u00e1lise de artigos, livros e listas da Lloyd completaram minha busca por informa\u00e7\u00f5es. Visitei a sede da <em>Pierre Delmez Constructions Nautiques<\/em> e a comuna de Saint-Servan, onde est\u00e1 localizado o ancoradouro da fam\u00edlia Danycan. Em resumo, uma quantidade consider\u00e1vel de trabalho investigativo permitiu a reconstru\u00e7\u00e3o gradual do contexto hist\u00f3rico do veleiro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Sei o quanto tenho sorte de ter levado esse projeto a cabo. Desde 2013, tenho o prazer de navegar a bordo desse barco cl\u00e1ssico, trazendo-o de volta \u00e0s suas origens como veleiro de cruzeiro oce\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A primeira parte do livro relata a hist\u00f3ria do veleiro e de suas tripula\u00e7\u00f5es e a contribui\u00e7\u00e3o dos marinheiros franceses para a ofensiva contra a hegemonia anglo-sax\u00f4nica, que durou pouco mais de uma d\u00e9cada, antes da vit\u00f3ria de 1964. Seus v\u00ednculos com Tabarly e Pen Duick s\u00e3o explicados. O per\u00edodo abordado \u00e9 o da expans\u00e3o da navega\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, com destaque para o surgimento da escola Gl\u00e9nans e de novas formas de navega\u00e7\u00e3o, concep\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o sobre o destino dos diferentes veleiros que cruzaram o caminho do Danycan tamb\u00e9m foi levantada. Temos provas recentes da exist\u00eancia de cerca de um ter\u00e7o dos 300 veleiros que navegaram com ele entre 1952 e 1961.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A segunda parte analisa, em primeiro lugar, os arquitetos e os construtores que influenciaram meu aprendizado. Todos eles t\u00eam uma coisa em comum: s\u00e3o participantes diretos ou herdeiros dessa era de conquistas e deram uma grande contribui\u00e7\u00e3o para o surgimento, entre 1970 e 1990, da excel\u00eancia francesa que \u00e9 reconhecida nas corridas oce\u00e2nicas de hoje. A segunda parte tem a inten\u00e7\u00e3o de apresentar de forma tanto t\u00e9cnica quanto ilustrativa os pontos mais importantes da restaura\u00e7\u00e3o do meu pequeno cl\u00e1ssico, realizada entre 2008 e 2017. Relato os conselhos de alguns dos principais nomes do iatismo tradicional, assim como todo o processo para que um barco a vela fosse classificado como monumento hist\u00f3rico pelo Minist\u00e9rio da Cultura, al\u00e9m da colabora\u00e7\u00e3o com o DRAC, o Conselho Regional da Bretanha, o Conselho Geral de Finist\u00e8re e a comuna de Crozon, tamb\u00e9m registrada.<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791780-5fd5d443-5518-4f45-86c6-fcdac227411b.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Ancoradouro de La Trinit\u00e9-sur-Mer, 1952. Foto: M.&nbsp;Levesque<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791782-af0dd24c-3c13-406d-886e-3ed9a3fb9c55.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:justify;font-size:12px;font-style:italic\">Aproximando-se do ancoradouro no norte da Bretanha, durante a regata de 1956, que permitiu que Rosanbo completasse uma volta saindo de La Trinit\u00e9-sur-Mer. Foram feitas v\u00e1rias escalas: Cowes, Dinard, Cowes, Plymouth, Belle-\u00cele, Santander, Belle-\u00cele, Les Sables-d&#8217;Olonne e, finalmente, La Rochelle. Alain&nbsp;Tertrais, Guy&nbsp;Tabarly, Hubert&nbsp;Levesque e Michel&nbsp;Dubigeon estavam a bordo. Foto: A.&nbsp;Tertrais<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os primeiros anos de navega\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o em festivais mar\u00edtimos, bem como a vit\u00f3ria em Plymouth-La Rochelle em 2018, ap\u00f3s sua completa restaura\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mencionados. Com esse livro, quero contribuir para demonstrar o amor de uma comunidade crescente pelo iatismo tradicional. Para mim, tamb\u00e9m \u00e9 uma boa oportunidade para fazer emergir do esquecimento esse veleiro, suas tripula\u00e7\u00f5es e seu excelente hist\u00f3rico de conquistas, de testemunhar seu ressurgimento e de dar nova vida ao per\u00edodo da navega\u00e7\u00e3o p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<h3>Conte\u00fado do livro e anexos<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Sum\u00e1rio:<\/p>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791784-d4b5ee68-250e-457b-9851-68f991d40d07.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Trecho da obra &#8212;&nbsp;Sum\u00e1rio. Foto: P.&nbsp;Lamache<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Meus objetivos ao escrever o livro foram os seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li>Inserir a hist\u00f3ria do Danycan no contexto da ofensiva dos pioneiros franceses nas regatas RORC;<\/li>\n<li>Trazer um resumo dos resultados franceses do p\u00f3s-guerra, antes de 1964;<\/li>\n<li>Propor um registro dos 400 iates cl\u00e1ssicos que competiram com o meu;<\/li>\n<li>Evocar meu aprendizado em navega\u00e7\u00e3o, embalado pelas produ\u00e7\u00f5es dos herdeiros desse per\u00edodo;<\/li>\n<\/ul>\n<p><figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791786-cb0f0041-0ec2-473d-a96b-d9da15b5883f.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Trecho do livro &#8212;&nbsp;Primeira p\u00e1gina do anexo sobre os resultados franceses na RORC. Foto: P.&nbsp;Lamache<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<figure><center><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/276791787-69a66727-fc1f-4e46-ad3f-b53290cc17e3.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Trechos do livro &#8212;&nbsp;Primeiras p\u00e1ginas dos anexos 1 e 2. Foto: P.&nbsp;Lamache<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O livro tem cerca de 240 p\u00e1ginas de corpo e 60 p\u00e1ginas de anexos com quase 500 ilustra\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de contar com um \u00edndice de quase 700 nomes de barcos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tamb\u00e9m aproveitei todas as oportunidades para aperfei\u00e7oar minha cultura n\u00e1utica, estabelecendo v\u00ednculos com os artistas que descreveram as alegrias do iatismo em suas obras: cita\u00e7\u00f5es de escritores cl\u00e1ssicos ou contempor\u00e2neos no in\u00edcio de cada cap\u00edtulo, v\u00ednculos com os impressionistas e uma breve hist\u00f3ria da pouco conhecida fam\u00edlia Danycan e sua contribui\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria francesa, no cap\u00edtulo sobre suas origens.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O livro ser\u00e1 de grande interesse para f\u00e3s de barcos a vela tradicionais, da restaura\u00e7\u00e3o de barcos de madeira e da hist\u00f3ria do iatismo.<\/p>\n<h3>De volta \u00e0s ondas<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Reconstruir a hist\u00f3ria de um iate cl\u00e1ssico n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil e requer uma enorme quantidade de pesquisa. Trazer um veleiro como esse de volta \u00e0s suas ra\u00edzes nas regatas e de volta \u00e0 luz exige enorme comprometimento e compreens\u00e3o das pessoas pr\u00f3ximas a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A felicidade e a paix\u00e3o atingem seu \u00e1pice, quando temos a sensa\u00e7\u00e3o de estarmos contribuindo, ainda que modestamente, para a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de uma \u00e9poca e o ressurgimento de seu esp\u00edrito. Seguir o fio condutor da hist\u00f3ria do meu pr\u00f3prio barco me levou a evocar os homens e mulheres que constru\u00edram o Danycan e aqueles a bordo dos iates que o acompanharam. Do p\u00f3s-guerra at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, todos esses competidores fizeram parte da conquista francesa dos oceanos atrav\u00e9s das travessias oce\u00e2nicas e da eros\u00e3o gradual da supremacia anglo-sax\u00f4nica. Al\u00e9m disso, essa din\u00e2mica foi mantida no iatismo franc\u00eas, entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1990, quando fui aprendiz em veleiros projetados e constru\u00eddos pelos herdeiros diretos daquela \u00e9poca. Nem sempre avaliei o significado da decis\u00e3o tomada em 2008 para salvar meu barco. Ao escrever as \u00faltimas linhas da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea de meu iate de 72 anos, sinto-me cheio de orgulho e serenidade. Meu veleiro foi considerado monumento hist\u00f3rico em 2011. Armado de grande obstina\u00e7\u00e3o, eu o restaurei por mais de cinco anos, antes de embarcar em uma s\u00e9rie de cruzeiros e regatas. Desde 2013, o Danycan recuperou seu lugar de direito na frota de barcos cl\u00e1ssicos e tradicionais. Agora, ele est\u00e1 de volta ao lado de iates lend\u00e1rios, como Viola, Khayy\u00e2m, Pen Duick, Sea Scamp, Overlord, Bloodhound e muitos outros&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:right;font-size:16px\">Traduzido do franc\u00eas por Clara Cerqueira<\/p>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Lamache, Patrick. 2022. <em>Danycan, t\u00e9moin sauvegard\u00e9 de l&#8217;offensive des navigateurs fran\u00e7ais<\/em>. Voile Classique. Lorient: Pl Voile Classique.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tabarly, \u00c9ric ; Campistron, Jean. 1974. <em>Mes bateaux et moi<\/em>. La Galaxie. Paris: Hachette.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<h3 class=\"modern-footnotes-list-heading modern-footnotes-list-heading--hide-for-print\">Notas<\/h3><ul class=\"modern-footnotes-list modern-footnotes-list--hide-for-print\"><li><span>1<\/span><div>Eug\u00e8ne Cornu (1903-1987) \u00e9 arquiteto naval e marinheiro franc\u00eas. Desenhista talentoso, ele projetou v\u00e1rios navios e regatas durante a Segunda Guerra Mundial, mas continua famoso por seus veleiros, como o Licorne e o Belouga.<\/div><\/li><li><span>2<\/span><div>N.T: Parte do casco n\u00e3o submersa, da linha d&#8217;\u00e1gua at\u00e9 a extremidade da haste ou da linha d&#8217;\u00e1gua traseira at\u00e9 a extremidade da popa. <a href=\"http:\/\/jean.dahec.free.fr\/dictionnaire-lexique-E\/elancements-elevation.html\">Fonte<\/a>.<\/div><\/li><li><span>3<\/span><div>N.T: <em>Grand Ouest<\/em> \u00e9 uma regi\u00e3o da Fran\u00e7a que abrange a Bretanha e o Pa\u00eds de Loire.<\/div><\/li><li><span>4<\/span><div>N.T: Placas longitudinais no n\u00edvel do casco que unem as partes superior e inferior. <a href=\"http:\/\/jean.dahec.free.fr\/dictionnaire-lexique-S\/serre-bauquiere-bouchain.html\">Fonte<\/a>.<\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que poss\u00edvel, em 2008, eu percorria os estaleiros do litoral oeste da Fran\u00e7a. Foi numa dessas ocasi\u00f5es que encontrei um barco tipo \u201c bermudian sloop\u201d da classe 3 da RORC (<em>Royal Ocean Racing Club<\/em>), no formato \u201crabo de peixe\u201d, criado por Cornu em 1948. Esse lindo veleiro poderia ter desaparecido. Mas n\u00e3o! Numa daquelas loucuras das quais nunca nos arrependemos, eu decidi agir. Logo ap\u00f3s t\u00ea-lo comprado, enquanto eu aguardava o come\u00e7o das primeiras reformas, comecei a pesquisar a hist\u00f3ria desse veleiro e de suas tripula\u00e7\u00f5es. Descobri assim um passado prestigioso e uma hist\u00f3ria relacionada ao \u00edcone da vela francesa. Foi ent\u00e3o que interveio a classifica\u00e7\u00e3o como monumento hist\u00f3rico e nesse momento vesti-me de contador de hist\u00f3rias e de transmissor de patrim\u00f4nio: a escrita de um livro tornara-se assim um caminho evidente a ser tomado. Texto originalmente publicado na revista <a href=\"http:\/\/www.sens-public.org\/articles\/1690\/\"><em>Sens public<\/em><\/a>.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":2936,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[96,4,50,2],"tags":[208,58,213,211,210,214,209,215,212],"class_list":["post-2925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aguas","category-artigos","category-meio-ambiente","category-traducoes","tag-danycan","tag-europa","tag-navegacao","tag-oceanos","tag-patrick-lamache","tag-patrimonio","tag-regata","tag-restauracao","tag-veleiro"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2925"}],"version-history":[{"count":23,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2971,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925\/revisions\/2971"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2936"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}