{"id":2827,"date":"2023-09-15T15:42:51","date_gmt":"2023-09-15T15:42:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=2827"},"modified":"2024-04-02T15:31:09","modified_gmt":"2024-04-02T15:31:09","slug":"ancestralidade-e-memoria-uma-reflexao-por-intermedio-de-desenhos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/ancestralidade-e-memoria-uma-reflexao-por-intermedio-de-desenhos\/","title":{"rendered":"Ancestralidade e mem\u00f3ria, uma reflex\u00e3o por interm\u00e9dio de desenhos<br\/><span style=\"font-size:16px\">Renata Inahuazo<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic;\">Renata Inahuazo<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Bom dia, <em>allin p&#8217;unchay<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2827\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2827-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2827-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">Bom dia em <em>quechua cuzque\u00f1o<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eis os meus desenhos, com um profundo agradecimento n\u00e3o s\u00f3 pela oportunidade de public\u00e1-los em uma den\u00fancia do que acontece hoje no pa\u00eds sob o governo Bolsonaro, mas tamb\u00e9m pelo respeito com que voc\u00eas trataram o tempo de produzi-los. S\u00e3o desenhos que brotaram da minha alma cansada pela necessidade de reviver e lutar, exatamente como aquelas plantinhas vulgares que brotam nas cal\u00e7adas em cimentos, no meio da rua quente. Segue abaixo um breve discorrimento sobre os sopros que vieram nos desenhos.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200886679-058d70db-5e11-4320-9b92-5ff79b5b4f15.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Tecnologia Arouak, Renata Inahuazo, 2021, Giz oleoso em papel A3<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><em>Tecnologia Aruak<\/em><\/strong>&nbsp;&#8212;&nbsp;H\u00e1 muito material acad\u00eamico que afirma que os povos ind\u00edgenas n\u00e3o tinham escrita. Isso chega a ser engra\u00e7ado porque quando conhecemos os grafismos contidos em in\u00fameras formas e materiais percebemos que a tecnologia de comunica\u00e7\u00e3o escrita era vasta, complexa e pr\u00f3pria para cada povo, em cada regi\u00e3o do continente. Entre os povos ind\u00edgenas h\u00e1 obviamente a combina\u00e7\u00e3o entre oralidade e escrita, porque diferente dos colonizadores, n\u00f3s n\u00e3o nos base\u00e1vamos em uma l\u00f3gica de exclus\u00e3o bin\u00e1ria. A express\u00e3o desse desenho \u00e9 inspirada em uma arte comunicacional do tronco lingu\u00edstico Aruak, ensinada a mim pelo Koixomuneti Terena Irineu Nje&#8217;a. \u00c9 uma pena que quem chegou aqui tenha destru\u00eddo tanto, quando poderia aprender tudo. Salve o quipu andino, os geoglifos de Nazca, os grafismos, todas as partes de nossas imensas tecnologias.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200886689-7735ebfd-544c-4594-9463-e332c5724df6.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Continuidade, Renata Inahuazo, 2021, Aquarela e caneta ink em papel A3<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><em>Continuidade<\/em><\/strong>&nbsp;&#8212;&nbsp;Em cada guerreira e guerreiro que caminha hoje h\u00e1 uma legi\u00e3o de ancestrais que se sacrificaram, se submeteram, que lutaram e que testemunharam os momentos hist\u00f3ricos que nos trouxeram at\u00e9 2021. Quem est\u00e1 vivo hoje tamb\u00e9m ser\u00e1 ancestral e testemunha a continuidade da coloniza\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o das mentes e da Terra pelo capitalismo e o &#8216;produtivismo&#8217;. Em nossos corpos e em nosso modo de vida, seja na aldeia ou nas cidades, que s\u00e3o aldeias mortas, tamb\u00e9m mora a continuidade da beleza do bem viver, do respeito a todos os modos e os seres vivos. Nossas hist\u00f3rias fazem parte de um todo. N\u00e3o h\u00e1 passado, tudo est\u00e1 envolto e pulsa hoje. Por muitas e muitas vezes nos sentimos sufocados nas cidades porque nelas h\u00e1 tantas evid\u00eancias de que caminhamos em cima dos ossos de nossos av\u00f3s, e que ainda matam e continuam matando av\u00f3s Rios, Matas e Montes em nome de bugigangas de pl\u00e1stico&#8230; \u00c9 preciso muita reza, muito canto, muito retorno ao c\u00e9u e \u00e0 terra, muita mirada na lua para manter firme a identidade, que \u00e9 compromisso, para n\u00e3o deixar o sufoco tomar conta, para n\u00e3o deixar que esque\u00e7am que somos continuidade de ra\u00edzes fortes, bem como Bolsonaro \u00e9 continuidade de bandeirantes, de um plano de coloniza\u00e7\u00e3o, de catequiza\u00e7\u00e3o, de embranquecimento, de morte e de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200886685-d6c57f79-ba44-4b41-98d1-2682b5560c5c.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Terra viva, Renata Inahuazo, 2021, Aquarela, caneta nankin e tinta de tecido em papel A3<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><em>Terra Viva<\/em><\/strong>&nbsp;&#8212;&nbsp;O presidente Bolsonaro elegeu-se mentindo de tantas formas quanto era poss\u00edvel, mas dentre todas a que me deixa mais triste foi a manipula\u00e7\u00e3o da f\u00e9 das pessoas para se vender como um suposto her\u00f3i ou messias. At\u00e9 hoje ele continua repetindo para suas plateias o vers\u00edculo do Evangelho de Jo\u00e3o 8:32 (&#8220;E conhecer\u00e3o a verdade, e a verdade os libertar\u00e1&#8221;) como se ele fosse o detentor de alguma verdade ou, ampliando mais, como se a verdade pertencesse a certo grupo de pessoas que, por isso, t\u00eam o direito dado pelo divino de oprimir outras&#8230; Em oposi\u00e7\u00e3o a essa maldade, os povos origin\u00e1rios se mant\u00eam na verdade da Terra Viva, do Sol que alimenta tudo e que nasce todos os dias para dar seguimento \u00e0 dan\u00e7a de nascer, crescer e virar terra outra vez em paz. \u00c9 por essa verdade que ainda estamos aqui, apesar de todas as formas de destrui\u00e7\u00e3o de corpos e territ\u00f3rios pela qual j\u00e1 passamos desde 1492. Carregamos em nossa mem\u00f3ria do corpo a mem\u00f3ria do territ\u00f3rio. Por todo o continente&nbsp;&#8212;&nbsp;porque por todo o continente h\u00e1 luta contra a explora\u00e7\u00e3o, contra a viola\u00e7\u00e3o da Terra&nbsp;&#8212;&nbsp;n\u00e3o reconhecemos as fronteiras inventadas para dividir poder geogr\u00e1fico. Somos terra, animais, todos os elementos sem gradua\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia. Essa \u00e9 a verdade que liberta e que, se morre a Terra, morre tudo.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200886625-ea2be1ab-6b05-47d5-abbb-b41f12123840.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Passo ancestral, Renata Inahuazo, 2021, canetas ink, achiote uruku em papel A4<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><em>Passo Ancestral<\/em><\/strong> &nbsp;&#8212;&nbsp;Nossos ancestrais vivem em n\u00f3s e por isso temos for\u00e7as para lutar e dan\u00e7ar ainda hoje contra o Marco Temporal, mesmo com toneladas de ossos, cimento e pl\u00e1stico como fardos em nossas hist\u00f3rias. Somos ind\u00edgenas de aldeias, de favelas, de matas e de beira de estrada, somos filhas de nossos povos aproveitando cada passo j\u00e1 dado para passar tamb\u00e9m. Parentes inspiradores comp\u00f5em a imagem com o vermelho do achiote ao fundo e&nbsp;dentro.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200886671-5418bd4b-a883-4892-9568-f686e926c0dd.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Quando tempo \u00e9 dinheiro, Renata Inahuazo, 2021, Giz oleoso e tinta de tecido em papel A3<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><em>Quando o tempo \u00e9 dinheiro<\/em><\/strong>&nbsp;&#8212;&nbsp;O garimpo \u00e9 uma das atividades explorat\u00f3rias em que mais fica evidente que a l\u00f3gica capitalista \u00e9 um grande, \u00e9 um gigante equ\u00edvoco assassino. Crescemos ouvindo essa coisa de que tempo \u00e9 dinheiro, e isso \u00e9 um desrespeito enorme com a vida. O resultado disso \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 sossego, n\u00e3o h\u00e1 beleza, n\u00e3o h\u00e1 vida para a maioria das pessoas quando essa l\u00f3gica \u00e9 levada a cabo. Desmatam para criar gado, para qu\u00ea? Para as pessoas recolherem ossos e comerem nas cidades. Derrubam as \u00e1rvores para qu\u00ea? Garimpam para qu\u00ea? Para matar crian\u00e7as ind\u00edgenas de m\u00faltiplas formas&#8230; Eu nunca mais consegui esquecer a foto da menina Yanomami desnutrida em uma rede; eu nunca mais consegui o t\u00edtulo das mat\u00e9rias falando que duas crian\u00e7as foram sugadas por uma draga de garimpo. Eu nunca mais consegui esquecer o matador segurando a on\u00e7a preta assassinada na Terra Ind\u00edgena Arariboia falando &#8220;imagina o que eu fa\u00e7o com um guardi\u00e3o&#8221;. Eu nunca consegui deixar de pensar na crian\u00e7a ascendendo fogo para fazer sopa de ossos no Rio de Janeiro em 2021. Essas coisas n\u00e3o se esquecem, elas ferem o profundo de nossos esp\u00edritos. A morte n\u00e3o pode ser essa coisa desonrosa, suja, injusta; a morte antes da hora e violenta, seja no tiro, por fome ou por Covid-19, n\u00e3o faz parte do tempo. Temos que voltar ao sentido da vida e do tempo ou, como disse Davi Kopenawa, &#8220;tudo isso n\u00e3o vai acabar bem para ningu\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200928542-5a32e779-a743-4cd4-8062-dfb695097dee.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Renata Inahuazo, 2021<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Renata Ribeiro Inahuazo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Ind\u00edgena em contexto de cidade, andina de Chinchaysuyo e Pindo. \u00c9 artista nascida em Newark, Nova Jersey, EUA, de m\u00e3e e pai imigrantes do Brasil e do Equador. Atualmente vive em Taquaritinga, S\u00e3o Paulo, e se interessa pelo resgate da l\u00edngua qu\u00e9chua. Ativista pol\u00edtica, feminista e trabalhadora na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, desenhar foi a forma que encontrou para expressar as inquietudes pessoais e sociais que atravessam a hist\u00f3ria de seu corpo e do territ\u00f3rio de Abya Yala (Am\u00e9ricas), com o qual se identifica como nativa. Tamb\u00e9m \u00e9 membro da ARACI (Associa\u00e7\u00e3o Renascer em Apoio \u00e0 Cultura Ind\u00edgena) desde 2014, associa\u00e7\u00e3o que desempenha um papel importante de divulga\u00e7\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o e defesa das culturas ind\u00edgenas.<\/em><\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<h3 class=\"modern-footnotes-list-heading modern-footnotes-list-heading--hide-for-print\">Notas<\/h3><ul class=\"modern-footnotes-list modern-footnotes-list--hide-for-print\"><li><span>1<\/span><div>Bom dia em <em>quechua cuzque\u00f1o<\/em>.<\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es da artista Renata Ribeiro Inahuazo, ind\u00edgena em contexto de cidade e residente em S\u00e3o Paulo, sobre a arte pela qual expressa suas inquietudes pessoais e pol\u00edticas. Em exclusividade \u00e0 Sens Public, ela conta o que a inspirou para compor os cinco desenhos que abrem o presente dossi\u00ea. Por meio de um relato potente, que une reflex\u00e3o, ancestralidade, mem\u00f3ria de lutas e cosmologias ind\u00edgenas, ela oferta pistas para compreendermos a complexidade, o alcance e a sensibilidade de sua obra.  Esse texto foi originalmente publicado no <a href=\"https:\/\/www.sens-public.org\/dossiers\/1656\/\"> Dossi\u00ea Vozes Ind\u00edgenas<\/a>, da revista Sens public.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":2843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,48,139,90,51],"tags":[194,193,56,191,196,192,195,141,186],"class_list":["post-2827","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-cultura","category-midias","category-terras-indigenas","category-territorios","tag-ancestralidade","tag-arte-indigena","tag-brasil","tag-desenhos","tag-direitos-humanos","tag-identidade","tag-renata-inahuazo","tag-terras-indigenas","tag-vozes-indigenas-trilhas-para-renovar-o-brasil"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2827"}],"version-history":[{"count":19,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3297,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2827\/revisions\/3297"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2843"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}