{"id":2813,"date":"2023-09-08T15:38:52","date_gmt":"2023-09-08T15:38:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=2813"},"modified":"2023-09-08T15:39:34","modified_gmt":"2023-09-08T15:39:34","slug":"ensino-das-linguas-indigenas-na-universidade-de-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/ensino-das-linguas-indigenas-na-universidade-de-brasilia\/","title":{"rendered":"Ensino das L\u00ednguas Ind\u00edgenas na Universidade de Bras\u00edlia<br><span style=\"font-size:16px\">Edilson Martins Melgueiro-Baniwa<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Linguagem encontrada nas pedras da regi\u00e3o do Alto Rio Negro<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Resumo e palavras-chave em Nheengatu&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Bembeusara kwairantu<\/strong>: Kuw\u00e1 muraki uri umbe\u00fa asui umukam\u00e9 mayeta, uyumbuesara it\u00e1, taminh\u00e3 taiku tambuerama tanheenga ik\u00e9 Universidade Brasilia up\u00e9. Kw\u00e1 murak\u00ed mir\u0129 urik\u00fa panhe\u1ebd rupi 45h\/a. Ik\u00e9 yas\u00fa yambe\u00fa maita uyupiru 2018, maita iwasus\u00e1, asui manungara puranga e ma\u00edta kur\u00ed usuar\u00e3 send\u00e9 kiti. Kw\u00e1 muraki umukam\u00e9 ke maku ta nheenga it\u00e1 ik\u00e9 Universidade Brasilia up\u00e9, t\u00e9 ku\u00edri ti xinga puranga marandua ta res\u00e9wara, yans\u00e9 ti ta upatari r\u00e9 tambu\u00e9 maku ta nheenga ik\u00e9 Universidade de Brasilia up\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Mares\u00e9yapurungitawa\u00e1<\/strong>: Maku tanheenga; Yambu\u00e9 Universidade up\u00e9; Iwas\u00fa xinga;<\/p>\n<h2>In\u00edcio da conversa<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Desde a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil a partir do s\u00e9culo XV, a diversidade cultural e lingu\u00edstica para o projeto do Estado brasileiro sempre representou e continua representando empecilhos para os que querem o &#8220;desenvolvimento&#8221; ou a &#8220;integra\u00e7\u00e3o&#8221; dos ind\u00edgenas \u00e0 sociedade nacional. Por isso, a historiografia brasileira sempre desconheceu informa\u00e7\u00f5es sobre o rico quadro de l\u00ednguas ind\u00edgenas, muitas das quais &#8212;&nbsp;cerca de 180&nbsp;&#8212; s\u00e3o faladas ainda hoje, cumprindo diferentes fun\u00e7\u00f5es sociais. N\u00e3o houve preocupa\u00e7\u00e3o com a trajet\u00f3ria das l\u00ednguas ind\u00edgenas e ignora-se as literaturas orais ind\u00edgenas, al\u00e9m de se desconhecer as mitologias orais e espirituais dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Alguns historiadores e cientistas de reconhecido saber trataram as l\u00ednguas ind\u00edgenas como &#8220;dialetos monossil\u00e1bicos, incapazes de exprimir ideias universais&#8221; (Nogueira 1876, 43). Um historiador da Amaz\u00f4nia atribui aos ind\u00edgenas, devido a suas l\u00ednguas, a &#8220;incapacidade&#8221; de falarem &#8220;a l\u00edngua doce de Cam\u00f5es&#8221; (Reis 1961, 493).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Sendo assim, a partir do s\u00e9culo XVI, iniciou-se a pol\u00edtica lingu\u00edstica de &#8220;redu\u00e7\u00e3o&#8221; das l\u00ednguas ind\u00edgenas. A primeira &#8220;redu\u00e7\u00e3o&#8221; foi a do tupi no plano escrito, que, na Am\u00e9rica portuguesa, foi capitaneada principalmente pelos mission\u00e1rios em seu trabalho de convers\u00e3o dos nativos. Segundo Freire,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;font-size:16px\">o termo pol\u00edtica de l\u00ednguas vem sendo usado pela sociolingu\u00edstica para designar um conjunto de medidas, expl\u00edcitas ou impl\u00edcitas, adotadas predominantemente pelo Estado &#8212;&nbsp;mas tamb\u00e9m por outros agentes sociais&nbsp;&#8212; para ordenar as l\u00ednguas faladas em um determinado territ\u00f3rio. (Freire 2004, 90)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify\">Essa foi a principal estrat\u00e9gia usada pelos colonizadores quando chegaram no Brasil. Al\u00e9m disso, o discurso etnoc\u00eantrico colonial continua presente nos dias atuais, at\u00e9 mesmo nos planos acad\u00eamicos e institucionais, para continuar reduzindo as l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/266636378-e1c5897f-84bb-47de-bfba-bb534e1508be.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\"> Manual produzido pela Escola T\u00e9cnica de Manaus, em 1944. Fonte: Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Mem\u00f3ria da Amaz\u00f4nia (CDMAM)<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Diante disso, este trabalho trata-se de um estudo descritivo. \u00c9 relato de experi\u00eancia do ensino das culturas e l\u00ednguas ind\u00edgenas na Universidade de Bras\u00edlia por meio do curso de extens\u00e3o *L\u00ednguas ind\u00edgenas e suas Diversidades*, ofertado pelo Programa Permanente de Extens\u00e3o UnB Idiomas em parceria com a Coordena\u00e7\u00e3o da Quest\u00e3o Ind\u00edgena da UnB (COQUEI). O objetivo \u00e9 mostrar os caminhos, os desafios, os avan\u00e7os e as perspectivas dessa experi\u00eancia iniciada na UnB, no segundo semestre de 2018. A partir dessas experi\u00eancias iniciais, identificamos que os caminhos s\u00e3o \u00e1rduos, que n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o e h\u00e1 muitas limita\u00e7\u00f5es e desafios nas discuss\u00f5es para o ensino das l\u00ednguas ind\u00edgenas na Universidade de Bras\u00edlia-UnB.<\/p>\n<h2>O ensino superior e as l\u00ednguas ind\u00edgenas no Brasil<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 \u00e9 considerada um divisor de \u00e1guas, pois &#8220;produziu uma virada conceitual que alterou significativamente as rela\u00e7\u00f5es do Estado com os povos ind\u00edgenas&#8221; (Bonin 2008, 99). Ela veio romper oficialmente com pol\u00edticas de tutela e integra\u00e7\u00e3o, reconhecendo o direito \u00e0s formas de organiza\u00e7\u00e3o social dos povos origin\u00e1rios, \u00e0s l\u00ednguas, aos usos e aos costumes, assim como o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar bil\u00edngue e diferenciada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Conforme Paladino (2013), o Brasil, no final da d\u00e9cada de 1990, mantinha a educa\u00e7\u00e3o superior ind\u00edgena fora de qualquer agenda de governo. Assevera a autora que, mesmo havendo estudantes pertencentes aos povos origin\u00e1rios graduados nesse per\u00edodo &#8212;&nbsp;muitos deles atuais lideran\u00e7as do movimento ind\u00edgena&nbsp;&#8211;, naquele momento era mais urgente implantar escolas de ensino b\u00e1sico em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A autora afirma que o ingresso dos ind\u00edgenas na Universidade deu-se no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 por meio de conv\u00eanios entre a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI) e algumas institui\u00e7\u00f5es privadas e comunit\u00e1rias. Atualmente, o ingresso de ind\u00edgenas no ensino superior p\u00fablico se d\u00e1 por dois meios: os cursos espec\u00edficos, como o Programa de Licenciaturas Interculturais Ind\u00edgenas (Prolind), criado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC); e a oferta de vagas especiais ou suplementares em cursos regulares. Antes da Lei Federal n\u00b0 12.711\/2012 (2012), cerca de 50 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior desenvolviam pol\u00edticas de ingresso de estudantes ind\u00edgenas por meio de licenciaturas interculturais, ou vagas reservadas ou suplementares, o que em boa parte garantiu o ingresso efetivo desse p\u00fablico nas universidades brasileiras at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da referida lei (Amaral 2010). Em 2012, com a promulga\u00e7\u00e3o da &#8220;lei de cotas&#8221; (Lei 12.711 (2012)) tornou-se obrigat\u00f3ria a reserva de vagas nas universidades federais para pretos, pardos e ind\u00edgenas. O Brasil conta com 2.368 Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior, com o total geral de 8.081.369 vagas (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP) 2017). Dessas, estima-se que 7.000 s\u00e3o ocupadas por estudantes ind\u00edgenas (Paladino 2013).<\/p>\n<h2>Breve hist\u00f3rico dos acad\u00eamicos ind\u00edgenas da UnB<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">A Universidade de Bras\u00edlia (UnB) foi pioneira na oferta de vagas espec\u00edficas aos ind\u00edgenas, tendo firmado, em 2004, Conv\u00eanio de Coopera\u00e7\u00e3o com a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI) (2004). Tal conv\u00eanio instituiu a cria\u00e7\u00e3o de vagas suplementares e de vestibular espec\u00edfico para estudantes ind\u00edgenas. Transcorridos 14 anos do Conv\u00eanio de Coopera\u00e7\u00e3o e seis da lei de cotas, informa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o destes estudantes na UnB ainda s\u00e3o incipientes (Renault 2019, 6).<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/266628648-97c88ae7-c054-4577-b3ad-8698f94afa7f.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\"> A Maloca, tamb\u00e9m conhecida como Centro de Conviv\u00eancia Multicultural dos Povos Ind\u00edgenas da Universidade de Bras\u00edlia. Foto: Luis Gustavo Prado\/Secom UnB<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A Universidade de Bras\u00edlia possui, atualmente, 40.903 estudantes da gradua\u00e7\u00e3o, 9.117 estudantes da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, 2.403 docentes e 3.262 servidores t\u00e9cnicos administrativos divididos em cinco n\u00edveis, totalizando uma comunidade acad\u00eamica com mais de 55 mil pessoas (Renault 2019, 27). Destacamos que, dos 40.903 estudantes da gradua\u00e7\u00e3o, 110 s\u00e3o ind\u00edgenas; que, dos 9.117 estudantes da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, 19 s\u00e3o ind\u00edgenas; que, dos 3.262 servidores t\u00e9cnicos administrativos, 01 \u00e9 ind\u00edgena Karaj\u00e1 e, por fim, que, dos 2.403 docentes, h\u00e1 01 (uma) ind\u00edgena da etnia Kokama. O total de alunos ind\u00edgenas estudando atualmente, entre graduando e p\u00f3s-graduandos, \u00e9 de 129.<\/p>\n<h3>Situa\u00e7\u00e3o sociolingu\u00edstica dos acad\u00eamicos ind\u00edgenas<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Est\u00e1 em andamento um levantamento sociolingu\u00edstico destes acad\u00eamicos para saber os n\u00edveis de conhecimentos de suas l\u00ednguas: quantos s\u00e3o falantes ativos ; quantos s\u00e3o os falantes passivos e quem e quantos s\u00e3o os que n\u00e3o falam mais a sua l\u00edngua paterna ou materna. Esse trabalho tem como objetivo subsidiar os programas com informa\u00e7\u00f5es sobre onde est\u00e3o inseridos estes alunos(a) para contribuir na estrat\u00e9gia pedag\u00f3gica de ensino dos conte\u00fados para estes acad\u00eamicos.<\/p>\n<h3>Troncos e fam\u00edlias lingu\u00edsticas dos acad\u00eamicos ind\u00edgenas da UnB<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Atualmente identificamos estudantes pertencentes a 29 diferentes povos ind\u00edgenas. A seguir apresentamos um quadro dos povos, dos troncos e das fam\u00edlias lingu\u00edsticas a que estes alunos pertencem, baseado na classifica\u00e7\u00e3o de Rodrigues (2002).<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/xGNDDVK.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\"> Quadro 1 Tronco, fam\u00edlias lingu\u00edsticas e povos dos Acad\u00eamicos Ind\u00edgenas da UnB. Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Como podemos observar, os acad\u00eamicos ind\u00edgenas que estudam na UnB est\u00e3o divididos em 2 grandes troncos: Tupi e Macro J\u00ea. As 7 l\u00ednguas pertencentes ao <strong>Tronco Tupi<\/strong> est\u00e3o divididas em duas fam\u00edlias, e as 6 l\u00ednguas pertencentes ao <strong>Tronco J\u00ea<\/strong> est\u00e3o divididas em 5 fam\u00edlias. As outras 13 l\u00ednguas se dividem em 5 fam\u00edlias lingu\u00edsticas, conforme mostrado no Quadro 1. H\u00e1 tamb\u00e9m uma l\u00edngua &#8220;Tikuna&#8221;, que \u00e9 considerada ainda como uma l\u00edngua isolada, e 7 povos que est\u00e3o em estudos lingu\u00edsticos para identificar a que tronco e fam\u00edlia pertencem.<\/p>\n<h2>Experi\u00eancia de Ensino das Culturas e l\u00ednguas\/guens ind\u00edgenas na UnB<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Na se\u00e7\u00e3o 3, demonstramos brevemente a rica multiplicidade cultural e lingu\u00edstica dentro da Universidade de Bras\u00edlia. A diversidade est\u00e1 presente desde 2004, por\u00e9m esses povos sempre foram invis\u00edveis, apesar de fazerem grandes esfor\u00e7os para serem vis\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Aqui ficam as perguntas para UnB:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Como desenvolver as atividades de <strong>ensino , pesquisa e extens\u00e3o<\/strong> reconhecendo, valorizando e respeitando essa diversidade cultural e lingu\u00edstica?<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Vamos mais al\u00e9m? Como conciliar, no trip\u00e9 <strong>ensino , pesquisa e extens\u00e3o<\/strong>, a l\u00edngua majorit\u00e1ria com as l\u00ednguas minorit\u00e1rias de modo que n\u00e3o haja sobreposi\u00e7\u00e3o de uma sobre a outra?<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align:justify\">Os ind\u00edgenas ao chegarem a qualquer institui\u00e7\u00e3o do ensino superior, p\u00fablica ou privada, possuem muitos desafios. N\u00f3s n\u00e3o iremos discutir sobre eles neste trabalho, destacamos apenas dois deles que s\u00e3o o n\u00e3o reconhecimento e a desvaloriza\u00e7\u00e3o de seus saberes culturais e lingu\u00edsticos. Ao contr\u00e1rio, os ind\u00edgenas s\u00e3o obrigados a aprimorar a l\u00edngua portuguesa, sobretudo na escrita, e, al\u00e9m disso, aprender outra l\u00edngua como ingl\u00eas, franc\u00eas ou outras, pois a maioria da literatura de seus cursos s\u00e3o de autores dessas l\u00ednguas. N\u00e3o \u00e9 ruim aprender outra l\u00edngua, o ruim \u00e9 voc\u00ea n\u00e3o ter apoio ou ter recursos financeiros para pagar estes cursos. Al\u00e9m disso, a estrutura dessas l\u00ednguas muitas vezes \u00e9 diferente das l\u00ednguas ind\u00edgenas, dificultando o aprendizado b\u00e1sico. Est\u00e3o postos os desafios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para tentar amenizar estes desafios, a Associa\u00e7\u00e3o dos Acad\u00eamicos Ind\u00edgenas e a Coordena\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena da UnB iniciaram uma parceria com a UnB Idiomas no segundo semestre de 2018. Nessa parceria, a UnB Idiomas oferta o curso de Ingl\u00eas gratuitamente aos acad\u00eamicos ind\u00edgenas, em contra partida os ind\u00edgenas ofertariam um curso gratuito de 45 h\/a aos n\u00e3o-ind\u00edgenas sobre &#8220;L\u00ednguas Ind\u00edgenas e sua diversidade&#8221;.<\/p>\n<h3> Realiza\u00e7\u00e3o dos Cursos<\/h3>\n<h4>Curso I: agosto a dezembro de 2018<\/h4>\n<p style=\"text-align:justify\">O primeiro curso de &#8220;L\u00ednguas Ind\u00edgenas e sua diversidade&#8221; foi realizado no per\u00edodo de agosto a dezembro de 2018. Nessa ocasi\u00e3o foram ministrados cursos sobre as l\u00ednguas Tupi, Qu\u00e9chua e Tikuna. As aulas ocorerram aos s\u00e1bados no Centro Multicultural dos Povos Ind\u00edgenas&nbsp;&#8212;&nbsp;Maloca. Os professores ind\u00edgenas das l\u00ednguas Qu\u00e9chuas e Tikuna s\u00e3o falantes ativos, pois as l\u00ednguas ainda s\u00e3o vivas. O Tupi \u00e9 uma l\u00edngua considerada j\u00e1 morta, por\u00e9m algumas linguagens ainda permanecem vivas. Durante o curso, os docentes discutiram e mostraram a cultura de cada povo que fala a l\u00edngua.<\/p>\n<h4>Curso II: mar\u00e7o a junho de 2019<\/h4>\n<p style=\"text-align:justify\">O segundo curso foi ofertado e ministrado no per\u00edodo de mar\u00e7o a junho de 2019, nos mesmos dias e no mesmo local. As l\u00ednguas estudadas foram : Baniwa, Tupinamb\u00e1 e Qu\u00e9chua. Os professores eram ind\u00edgenas falantes ativos das l\u00ednguas. Destacamos que o Baniwa \u00e9 uma l\u00edngua ainda viva, enquanto o Tupinamb\u00e1 \u00e9 uma l\u00edngua considerada morta, por\u00e9m com linguagens vivas. Durante o curso, al\u00e9m de estudar um pouco a cultura de cada povo falante dessas l\u00ednguas, tamb\u00e9m foi feito um esbo\u00e7o geral sobre no\u00e7\u00f5es gramaticais de cada l\u00edngua. Foram inscritos 58 estudantes, por\u00e9m apenas 25 alunos conclu\u00edram o curso (Martins Melgueiro 2018).<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/266632326-267b05d0-6f5e-4dc6-b16e-eedd68d67239.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\"> Artur Gon\u00e7alves ensina a palavra obrigado em Baniwa, sua l\u00edngua materna. Foto: Raquel Aviani\/Secom UnB<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<h4>Curso III: agosto a dezembro de 2019<\/h4>\n<p style=\"text-align:justify\">Como j\u00e1 dito anteriormente o primeiro e o segundo curso estavam voltados para mostrar a diversidade das culturas e das l\u00ednguas ind\u00edgenas aos n\u00e3o-ind\u00edgenas. No terceiro curso foram discutidas as l\u00ednguas: Tikuna, Kokama e Tupi Moderno\/Nheengatu. Nessa etapa, os di\u00e1logos partiram das concep\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Das concep\u00e7\u00f5es mitol\u00f3gicas dessas l\u00ednguas (origem, territorialidade, espiritualidade, oralidade etc..) e de cada povo;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Dos esbo\u00e7os gramaticais dessas l\u00ednguas, como: fon\u00e9tica, morfologia, sintaxe e sem\u00e2ntica;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Da pol\u00edtica e do planejamento dessas l\u00ednguas para o fortalecimento cultural, espiritual, material e um para fins profissionais.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align:justify\">Os docentes desta etapa s\u00e3o falantes ativos dessas l\u00ednguas, como nos outros cursos, al\u00e9m de serem pesquisadores dessas l\u00ednguas. Foram inscritos no curso 27 alunos, por\u00e9m somente 12 conclu\u00edram. Nessa etapa conseguimos produzir um pequeno material paradid\u00e1tico tril\u00edngue, nas tr\u00eas l\u00ednguas estudadas, que est\u00e1 sendo organizado e em breve ser\u00e1 publicado. Esse manual servir\u00e1 como fortalecimento das l\u00ednguas ind\u00edgenas na UnB e como subs\u00eddio para os pr\u00f3ximos cursos e professores.<\/p>\n<h2>Discuss\u00f5es e perspectivas<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Nosso objetivo \u00e9 criar programas, projetos, oficinas, cursos e outros tipos de forma\u00e7\u00f5es para os ind\u00edgenas que contemplem os termos: espec\u00edfico, diferenciado e bi\/multilingue; ou seja, uma produ\u00e7\u00e3o intercultural, como prev\u00ea o Parecer CNE\/CEB n\u00ba13\/2012, aprovado em 10 de maio de 2012 e que institue as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena. O trabalho nunca foi f\u00e1cil, nem nunca ser\u00e1. Mas, agora, imagine ofertar uma disciplina de &#8220;L\u00ednguas ind\u00edgenas e sua diversidade&#8221;, um curso de extens\u00e3o de 45 h\/a da UnB idiomas, em um meio onde s\u00e3o ofertados cursos de l\u00ednguas que trazem vantagens econ\u00f4micas, sociais e culturais para os n\u00e3o-ind\u00edgenas. Considerando estarmos em uma das maiores universidades do Brasil, talvez seja mais dif\u00edcil ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As experi\u00eancias dos tr\u00eas cursos realizados at\u00e9 o momento nos permitiram enxergar alguns pontos positivos, negativos e novas perspectivas para vida das L\u00ednguas ind\u00edgenas na UnB Idiomas e nos programas de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\n<h3>Pontos positivos<\/h3>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">As inscri\u00e7\u00f5es gratuitas dos alunos ind\u00edgenas no curso de ingl\u00eas e, em contra partida, a colabora\u00e7\u00e3o gratuita de professores ind\u00edgenas para dar aula das l\u00ednguas ind\u00edgenas nestas etapas.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Atrav\u00e9s dos cursos, as l\u00ednguas ind\u00edgenas come\u00e7am a ter visibilidade por docentes e discentes n\u00e3o-ind\u00edgenas na UnB. Da mesma forma, os pr\u00f3prios ind\u00edgenas come\u00e7aram a conhecer outras l\u00ednguas\/guens al\u00e9m da sua e que s\u00e3o importantes para sua forma\u00e7\u00e3o material e espiritual.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Na avalia\u00e7\u00e3o final, quando perguntamos aos alunos sobre a import\u00e2ncia dos estudos das l\u00ednguas ind\u00edgenas, todas as repostas se resumiram assim:<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;font-size:16px\">Estudar l\u00ednguas ind\u00edgenas \u00e9 importante por diversos motivos. Entre eles a oportunidade de conhecer e ampliar as subjetividades, de abrir-se para novos modos de ser, novos cosmologias e cosmovis\u00f5es e de resgatar saberes assaltados a tantas gera\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, estudar as l\u00ednguas ind\u00edgenas \u00e9 posicionamento pol\u00edtico e cr\u00edtico frentes \u00e0s pol\u00edticas coloniais de exterm\u00ednio dos povos ind\u00edgenas (Avalia\u00e7\u00e3o resumida dos alunos e alunas 2019).<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>Pontos negativos<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">Por outro lado, a disciplina permitiu conhecermos os desafios como:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Uma grande necessidade de melhorar o di\u00e1logo intercultural entre os docentes\/t\u00e9cnicos administrativos e os discentes ind\u00edgenas e o pr\u00f3prio di\u00e1logo intracultural entre os pr\u00f3prios ind\u00edgenas.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Percebemos que h\u00e1 uma grande lacuna ainda sobre estudos das culturas e l\u00ednguas ind\u00edgenas tanto nos cursos e programas de gradua\u00e7\u00e3o, quanto nos cursos e programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia. Apenas os programa de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em lingu\u00edstica que trabalham nessa perspectiva, por\u00e9m ainda \u00e9 insuficiente.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align:justify\">Embora haja cursos nos programas de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em lingu\u00edstica, percebemos que os ind\u00edgenas e n\u00e3o-ind\u00edgenas precisam ampliar seus conhecimentos lingu\u00edsticos. Recorrendo a teorias como a pol\u00edtica e o planejamento lingu\u00edstico, a sociolingu\u00edstica e a lingu\u00edstica aplicada, todos podem cada vez mais contribuir com as l\u00ednguas ind\u00edgenas no ensino, na pesquisa e na extens\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<p style=\"text-align:justify\">Por fim, espera-se que esses cursos, e outros que vir\u00e3o, possam ajudar na constru\u00e7\u00e3o dos conhecimentos t\u00e9cnicos, pedag\u00f3gicos e cient\u00edficos, melhorando o di\u00e1logo intercultural entre docentes\/t\u00e9cnicos administrativos e intracultural entre discentes ind\u00edgenas na Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\n<figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/266631571-d71e4242-9da5-4235-b85c-d59704afa675.jpg\"><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Ind\u00edgenas de diferentes etnias na abertura do II Congresso Internacional sobre L\u00ednguas Ind\u00edgenas e Minorizadas (II Cirlin), que ocorreu na Universidade de Bras\u00edlia, 2019. Foto: Luis Gustavo Prado\/Secom UnB<\/p>\n<\/figcaption><\/center><\/figure>\n<h3>Perspectivas<\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\">A perspectiva de todos os alunos(as) \u00e9 que este curso continue. Uma das alunas afirma:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;font-size:16px\">&#8220;Seria muito importante dar continuidade a esses estudos como forma de difundir e valorizar as culturas.&#8221; (Avalia\u00e7\u00e3o resumida dos alunos e alunas 2019).<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Estudos demonstram que o conhecimento, a preserva\u00e7\u00e3o e o ensino das l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia, pois possibilitam a apreens\u00e3o do conhecimento tradicional dos povos ind\u00edgenas sobre seus mundos materiais e espirituais. Mas, sabe-se que este caminho \u00e9 \u00e1rduo e precisa ser feito ainda em v\u00e1rios espa\u00e7os, sobretudo nas universidades brasileiras. Sendo assim, defendemos que a concep\u00e7\u00e3o do ensino das l\u00ednguas ind\u00edgenas deve seguir estudos mitol\u00f3gicos das l\u00ednguas e dos povos e esbo\u00e7os gramaticais. Al\u00e9m disso, s\u00e3o necess\u00e1rios politica e planejamento no ensino das l\u00ednguas e um aprimoramento profissional. As l\u00ednguas ind\u00edgenas n\u00e3o devem ser ensinadas via internet, pois, al\u00e9m de ter a sua fun\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o e social, toda l\u00edngua tem vida material e espiritual. Por fim, gostariamos que a experi\u00eancia iniciada aqui na UnB Idiomas possa ser ampliada e inserida em m\u00e9dio prazo na matriz curricular do curso de Letras ou de outros cursos e programas da UnB, tanto na gradua\u00e7\u00e3o quanto na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Edilson Baniwa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Mestre e doutor em Lingu\u00edstica pela Universidade de Bras\u00edlia. Possui Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Federal do Amazonas (2006). Atuou como coordenador pedag\u00f3gico e lingu\u00edstico do Curso de Pedagogia Intercultural pela Universidade do Estado do Amazonas&nbsp;&#8212;&nbsp;UEA. Foi consultor t\u00e9cnico do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o dos Territ\u00f3rios etnoeducacionais. Trabalhou como coordenador pedag\u00f3gico e lingu\u00edstico da Prefeitura Municipal de Coari, AM. Foi Professor Assistente do Curso de Letras Mediado por Tecnologia pela UEA&nbsp;&#8212;&nbsp;Centro de Estudos Superiores de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, AM. Atualmente, \u00e9 professor EBTT do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Amazonas&nbsp;&#8212;&nbsp;IFAM&nbsp;&#8212;&nbsp;Campus S\u00e3o Gabriel. Linguista com experi\u00eancia na \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o, com \u00eanfase em Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena e pesquisas em L\u00ednguas Ind\u00edgenas da fam\u00edlia Aru\u00e1k, do Alto Rio Negro. \u00c9 membro do Grupo de Pesquisa Mythos&nbsp;&#8212;&nbsp;Humanidades, Complexidade e Amaz\u00f4nia&nbsp;&#8212;&nbsp;UEA\/CNPq.<\/em><\/p>\n<figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/77118585\/200917162-7ae1ca30-44d0-494a-a5f1-e981f8d78ceb.png\"><br \/>\n<\/center><\/figure>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p>Alb\u00f3, Xavier. 1988. \u00abEl futuro de los idiomas oprimidos\u00bb. Em Politica lingu\u00edstica na America Latina, editado por Eni Puccinelli Orlandi. Campinas, SP.<br \/>\nAmaral, Wagner Roberto do. 2010. \u00abAs trajet\u00f3rias dos estudantes ind\u00edgenas nas universidades estaduais do Paran\u00e1 : sujeitos e pertencimentos\u00bb. Tese de doutorado, Curitiba: Universidade Federal do Paran\u00e1 &#8211; UFPR. https:\/\/acervodigital.ufpr.br\/handle\/1884\/23999.<br \/>\n\u00abAvalia\u00e7\u00e3o resumida dos alunos e alunas\u00bb. 2019.<br \/>\nBonin, Iara Tatiana. 2008. \u00abEduca\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena e doc\u00eancia: princ\u00edpios e normas na legisla\u00e7\u00e3o em vigor\u00bb. Em Povos Ind\u00edgenas &amp; Educa\u00e7\u00e3o., editado por Maria Aparecida Bergamaschi, 95\u2013107. Porto Alegre: Media\u00e7\u00e3o.<br \/>\nBrasil. 1996. \u00abLei 9.394\u00bb. http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9394.htm.<br \/>\nBrasil. 2012. \u00abLei 12.711\u00bb. http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12711.htm.<br \/>\nConselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE). 2012. \u00abParecer CNE\/CEB n\u00ba 6\/2012\u00bb.<br \/>\nFreire, Jos\u00e9 Ribamar Bessa. 2004. Rio Babel. Hist\u00f3rias das L\u00ednguas na Amaz\u00f4nia. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: EdUERJ.<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI), e Funda\u00e7\u00e3o Universidade de Bras\u00edlia (FUB). 2004. \u00abConv\u00eanio de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica\/CCT &#8211; 001\/2004 FUB\/FUNAI\u00bb.<br \/>\nInstituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP). 2017. \u00abResumo T\u00e9cnico \u2013 Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2014\u00bb. Bras\u00edlia. https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/acervo-linha-editorial\/publicacoes-institucionais\/estatisticas-e-indicadores-educacionais\/resumo-tecnico-2013-censo-da-educacao-superior-2014.<br \/>\nLuciano, Gersem Jos\u00e9 dos Santos, e J. C de Oliveira. 2010. \u00abEsbo\u00e7o de um perfil do estudante ind\u00edgena no ensino superior no Brasil.\u00bb. Em Olhares Ind\u00edgenas Contempor\u00e2neos., CINEP, 204\u201359. Bras\u00edlia.<br \/>\nMartins Melgueiro, Edilson. 2018. \u00abRelat\u00f3rio Final UnB Idiomas\u00bb. Bras\u00edlia: UnB Idiomas.<br \/>\nNogueira, Baptista Caetano d\u2019Almeida. 1876. Apontamentos sobre o Aba\u00f1ee\u00f1ga : tambem chamado Guarani ou Tupi, ou lingua geral dos Brasis. http:\/\/archive.org\/details\/apontamentossobr00nogu.<br \/>\nPaladino, Mariana. 2013. \u00abUm mapeamento das a\u00e7\u00f5es afirmativas voltadas aos povos ind\u00edgenas no ensino superior\u00bb. Em Estudantes ind\u00edgenas no ensino superior: uma abordagem a partir da experi\u00eancia na UFRGS, editado por Maria Aparecida Bergamaschi, Edilson Nabarro, e Andr\u00e9a Benites. Porto Alegre: Editora da UFRGS.<br \/>\nReis, Artur C\u00e9sar Ferreira. 1961. \u00ab\u201cA l\u00edngua portuguesa e a sua imposi\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia\u00bb. Revista de Portugal &#8211; L\u00edngua Portuguesa, n. 23:491\u2013500.<br \/>\nRenault, Cl\u00e1udia Regina Nunes dos Santos. 2019. \u00abEduca\u00e7\u00e3o superior ind\u00edgena na UnB: perfil, trajet\u00f3ria, expectativas e desafios dos estudantes\u00bb. Disserta\u00e7\u00e3o, Bras\u00edlia: Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia. https:\/\/bdtd.ucb.br:8443\/jspui\/handle\/tede\/2553.<br \/>\nRodrigues, Aryon Dall\u2019Igna. 2002. L\u00ednguas brasileiras: para o conhecimento das l\u00ednguas ind\u00edgenas. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola.<\/ol>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este trabalho \u00e9 um estudo descritivo do tipo relato de experi\u00eancias realizadas pelos acad\u00eamicos\/pesquisadores\/professores ind\u00edgenas no Ensino das L\u00ednguas ind\u00edgenas na Universidade de Bras\u00edlia atrav\u00e9s da disciplina \u201cL\u00ednguas ind\u00edgenas e suas Diversidade\u201d, ofertada pelo Programa Permanente de Extens\u00e3o UnB Idiomas. O objetivo \u00e9 mostrar caminhos, desafios, avan\u00e7os e perspectivas dessa experi\u00eancia que se iniciou em 2018 na UnB. A partir dos relatos das a\u00e7\u00f5es, identificamos que os caminhos s\u00e3o \u00e1rduos, que n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o e que h\u00e1 muitas limita\u00e7\u00f5es e desafios na discuss\u00e3o e ensino das l\u00ednguas ind\u00edgenas na Universidade de Bras\u00edlia-UnB. Esse texto foi originalmente publicado pela <em>Sens public<\/em> no dossi\u00ea <a href=\"http:\/\/www.sens-public.org\/dossiers\/1656\/\">Vozes ind\u00edgenas, trilhas para renovar o Brasil<\/a>.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":2815,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,48,71,90,51],"tags":[190,164,187,188,160,189,186],"class_list":["post-2813","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-cultura","category-poeticas","category-terras-indigenas","category-territorios","tag-baniwa","tag-diversidade","tag-edilson-martins-melgueiro-baniwa","tag-linguas-indigenas","tag-linguistica","tag-universidade-de-brasilia","tag-vozes-indigenas-trilhas-para-renovar-o-brasil"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2813"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2813\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2825,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2813\/revisions\/2825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2815"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}