{"id":2785,"date":"2023-10-13T15:04:26","date_gmt":"2023-10-13T15:04:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=2785"},"modified":"2023-10-13T18:16:31","modified_gmt":"2023-10-13T18:16:31","slug":"milicos-promiscuos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/milicos-promiscuos\/","title":{"rendered":"Milicos prom\u00edscuos<br><span style=\"font-size:16px\">Luiz Capelo<\/span>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Tetradracma ateniense. Foto: Gallica &#8211; Biblioth\u00e8que nationale de France<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A humanidade disp\u00f5e de in\u00fameros instrumentos para analisar e compreender a realidade que a cerca. Utilizamos os sentidos&nbsp;&#8212;&nbsp;a vis\u00e3o, o olfato, a audi\u00e7\u00e3o, o paladar e o tato&nbsp;&#8212;&nbsp;mas tamb\u00e9m constru\u00edmos ferramentas te\u00f3ricas e intelectuais para discernir a <em>physis<\/em> ao nosso redor. Dentre esses constructos, a &#8220;po\u00e9tica da putaria&#8221; tem sido particularmente \u00fatil para entender algumas coisas que est\u00e3o acontecendo no Brasil atualmente. Assim, para iniciarmos a discuss\u00e3o, recorremos a um questionamento levantado por Silvio Santos:<\/p>\n<p><center><br \/>\n<audio controls=\"\"><source src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/260311961-b13d59e2-258e-435b-bf07-84b72cc88c17.mp4\" type=\"audio\/mp4\">Ops, parece que seu navegador n\u00e3o suporta a\u00fadio.<\/audio><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Silvio Santos. Fonte: Medo e Del\u00edrio em Bras\u00edlia<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&#8220;Sim! Sim! Eu! Eu! Eu gosto muito de dinheiro&#8221;, respondem alguns elementos do brioso Ex\u00e9rcito Brasileiro&nbsp;&#8212;&nbsp;que doravante chamaremos apenas de EB. Ora, o tema do texto n\u00e3o poderia ser outro, \u00e9 preciso se falar sobre o <em>muambagate<\/em> de Jair Bolsonaro, capit\u00e3o do EB, de Mauro Cesar Lourena Cid, general do EB, e de Mauro Cesar Barbosa Cid, tenente-coronel do EB que atualmente passeia por ae com uma linda tornozeleira eletr\u00f4nica. Esses \u00e1vidos representantes do EB est\u00e3o sendo investigados pela Pol\u00edcia Federal por terem desviado e vendido j\u00f3ias dadas ao Estado brasileiro por autoridades estrangeiras. A rela\u00e7\u00e3o entre a cupidez de nossos militares e o mundo da pornografia remete a alguns epigramas da <em>Antologia Grega<\/em>, a <em>AG<\/em>. Podemos come\u00e7ar com as palavras de Antipater da Tessal\u00f4nica.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\"><em>\u03b4\u03c1\u03b1\u03c7\u03bc\u1fc6\u03c2 \u0395\u1f50\u03c1\u03ce\u03c0\u03b7\u03bd \u03c4\u1f74\u03bd \u1f08\u03c4\u03b8\u03af\u03b4\u03b1, \u03bc\u03ae\u03c4\u03b5 \u03c6\u03bf\u03b2\u03b7\u03b8\u03b5\u1f76\u03c2<br \/>\n\u03bc\u03b7\u03b4\u03ad\u03bd\u03b1, \u03bc\u03ae\u03c4\u1fbd \u1f04\u03bb\u03bb\u03c9\u03c2 \u1f00\u03bd\u03c4\u03b9\u03bb\u03ad\u03b3\u03bf\u03c5\u03c3\u03b1\u03bd, \u1f14\u03c7\u03b5,<br \/>\n\u03ba\u03b1\u1f76 \u03c3\u03c4\u03c1\u03c9\u03bc\u03bd\u1f74\u03bd \u03c0\u03b1\u03c1\u03ad\u03c7\u03bf\u03c5\u03c3\u03b1\u03bd \u1f00\u03bc\u03b5\u03bc\u03c6\u03ad\u03b1, \u03c7\u1f60\u03c0\u03cc\u03c4\u03b5 \u03c7\u03b5\u03b9\u03bc\u03ce\u03bd,<br \/>\n\u1f04\u03bd\u03b8\u03c1\u03b1\u03ba\u03b1\u03c2. \u1f26 \u1fe5\u03b1 \u03bc\u03ac\u03c4\u03b7\u03bd, \u0396\u03b5\u1fe6 \u03c6\u03af\u03bb\u03b5, \u03b2\u03bf\u1fe6\u03c2 \u1f10\u03b3\u03ad\u03bd\u03bf\u03c5.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\">Leva para Europa, a ateniense, uma dracma e n\u00e3o corres risco algum, nem ela te contradiz de nenhuma outra forma; ela tamb\u00e9m possui um leito irretoc\u00e1vel e, quando \u00e9 inverno, carv\u00e3o. Ora, querido Zeus, \u00e0 toa te tornou touro<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2785\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">Todas as tradu\u00e7\u00f5es do grego s\u00e3o de minha autoria.<\/span>. (Antipater, <em>AG<\/em> 5.109)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify\">Quando se est\u00e1 falando de prostitui\u00e7\u00e3o, um de seus elementos definidores \u00e9 a troca de dinheiro por uma rela\u00e7\u00e3o sexual. Davidson<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"2\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2785\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-2\">2<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-2\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"2\">Davidson, James N. 2011. <em>Courtesans and Fishcakes: The Consuming Passions of Classical Athens<\/em>. Chicago, IL: University of Chicago Press. https:\/\/press.uchicago.edu\/ucp\/books\/book\/chicago\/C\/bo11541590.html.<\/span> afirma que um dos mais recorrentes temas do mundo do sexo \u00e9 a tentativa de tra\u00e7ar uma linha divis\u00f3ria entre a estrat\u00e9gia rom\u00e2ntica da sedu\u00e7\u00e3o e do cortejo e a perspectiva da compra e venda do sexo. Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fulcral, pois a partir dela se estabelecem dicotomias como esposa-prostituta, casto-pornogr\u00e1fico, leg\u00edtimo-ileg\u00edtimo, moral-imoral, etc. O epigrama de Antipater objetivamente representa uma situa\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 troca de dinheiro por uma rela\u00e7\u00e3o, e \u00e9 interessante notar que n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancia expl\u00edtica ao sexo no texto. Fala-se do leito irretoc\u00e1vel e de Zeus, que no mito se tornou touro para ter Europa. Contudo, o que \u00e9 dito claramente \u00e9 que Europa, a ateniense, prover\u00e1 conforto, at\u00e9 mesmo quando for inverno, e que ela n\u00e3o contestar\u00e1 o cliente. N\u00e3o \u00e9 afirmado categoricamente em momento algum que ela transar\u00e1. O sexo \u00e9 conclus\u00e3o do leitor. No s\u00e9culo X, um monge bizantino anota no c\u00f3dice que o epigrama \u00e9 &#8220;<a href=\"https:\/\/anthologiagraeca.org\/passages\/urn:cts:greekLit:tlg5011.tlg001.sag:5.109.2\/\">para uma puta (<em>porn\u0113n<\/em>) chamada Europa<\/a>&#8220;. \u00c9 nesse momento que o epigrama come\u00e7a a fazer parte da constru\u00e7\u00e3o daquilo que, posteriormente, ser\u00e1 o conceito de pornografia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A palavra pornografia \u00e9 um termo dissimulador. Sua etimologia est\u00e1 entre as v\u00e1rias coisas que esconde quando pretende algo revelar. Em um primeiro momento, imagina-se que o termo tenha origem grega. Afinal, &#8220;grafia&#8221; \u00e9 de origem grega&nbsp;&#8212;&nbsp;vem do verbo <em>\u03b3\u03c1\u1f71\u03c6\u03c9<\/em>, que significa escrever, representar&nbsp;&#8212; e \u00e9 recorrente na l\u00edngua portuguesa&nbsp;&#8212;&nbsp; podemos citar como exemplo os termos litografia, escrito em pedra, e taquigrafia, a t\u00e9cnica de escrever r\u00e1pido. Em grego, <em>\u03c0\u1f79\u03c1\u03bd\u03b7,\u03b7\u03c2 (\u1f21)<\/em> significa prostituta. Assim, a origem etimol\u00f3gica da palavra seria grega, e a pornografia, seguindo sua etimologia, seria a representa\u00e7\u00e3o de prostitutas, seu mundo e suas a\u00e7\u00f5es. Ora, nada mais enganador. Inicialmente, em grego antigo n\u00e3o h\u00e1 o termo ou o conceito de pornografia. Um dos termos pr\u00f3ximos existente \u00e9 <em>\u03c0\u03bf\u03c1\u03bd\u03b9\u03ba\u03cc\u03c2<\/em>, que abordamos <a href=\"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/do-val-a-estratao-milenios-de-manjacao\/\">anteriormente<\/a>. Em l\u00edngua portuguesa, a primeira ocorr\u00eancia do termo pornografia \u00e9 de 1899 e sua origem \u00e9 o franc\u00eas<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"3\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2785\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-3\">3<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-3\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"3\">Ant\u00f4nio Geraldo da Cunha. <em>Dicion\u00e1rio etimol\u00f3gico da l\u00edngua portuguesa<\/em>. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2010.<\/span>. Em franc\u00eas, a palavra <em>pornographie<\/em> foi utilizada pela primeira vez em 1806<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"4\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2785\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-4\">4<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-4\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"4\">Gladfelder, Hal. 2013. <em>Literature and Pornography, 1660\u20121800<\/em>. Oxford Handbooks Online. https:\/\/doi.org\/10.1093\/oxfordhb\/9780199935338.013.001.<\/span>. Percebe-se assim que na apar\u00eancia pornografia \u00e9 um termo de origem grega, por\u00e9m factualmente \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX. Em rela\u00e7\u00e3o ao sentido, levando em considera\u00e7\u00e3o a pretensa etimologia grega, a pornografia seria apenas a mediatiza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/262382370-a546ef93-7450-46a1-8b78-3e57a6354b64.jpeg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/artedograo\/\">GRAO<\/a>, 2023.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A pornografia n\u00e3o \u00e9 a prostitui\u00e7\u00e3o filmada ou declamada em versos. A pornografia \u00e9, tal qual o <em>pornikos<\/em>, um espa\u00e7o outro regido por outras regras<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"5\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2785\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-5\">5<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-5\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"5\">Vitali-Rosati, Marcello. \u00ab&nbsp;Pornspace&nbsp;\u00bb. M\u00e9dium 46\u201147, n\u1d52 1\u20112 (2016): 306\u201117. https:\/\/doi.org\/10.3917\/mediu.046.0306.<\/span>, \u00e9 uma heterotopia. Ora, pode-se afirmar que o militar-muambeiro e o trabalhador do sexo s\u00e3o semelhantes no aspecto que ambos vendem algo&nbsp;&#8212;&nbsp;o trabalhador vende um servi\u00e7o, o milico, j\u00f3ias desviadas. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por isso que se pode chamar de pornogr\u00e1ficos a venda das j\u00f3ias e os valores envolvidos na transa\u00e7\u00e3o. A regra diz que presentes dados ao Estado brasileiro devem entrar no acervo do Estado. Contudo, nossos milicos pensaram diferente e venderam os presentes recebidos por altos valores. De alguma forma, eles subverteram a regra&nbsp;&#8212;&nbsp;e, ao que parece, cometeram crimes no processo. Mas, como a seara criminal n\u00e3o \u00e9 de nossa compet\u00eancia, voltemos ao texto do epigrama.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<audio controls=\"\"><source src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/260311960-0ade570b-06da-418b-addc-b1cfdef8c2d9.mp4\" type=\"audio\/mp4\">Ops, parece que seu navegador n\u00e3o suporta a\u00fadio.<\/audio><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Malditos milicos. Fonte: Medo e del\u00edrio em Bras\u00edlia<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tal qual uma l\u00edngua, o pre\u00e7o do sexo tem varia\u00e7\u00f5es diacr\u00f4nicas, diat\u00f3picas e diastr\u00e1ticas. Isso quer dizer que se paga mais ou menos baseado em quando a transa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ocorrendo, em que local e pelo estrato social daqueles envolvidos no com\u00e9rcio carnal. Para ter Europa, a ateniense, \u00e9 preciso pagar apenas uma dracma. Supondo que esse pre\u00e7o \u00e9 baseado em conhecimento emp\u00edrico de Antipater, paga-se menos pelo sexo na Tessal\u00f4nica durante o per\u00edodo romano do que se pagava na Atenas cl\u00e1ssica. Ali, o pre\u00e7o do sexo era regulamentado. Dentre as diferentes categorias de trabalhadores sexuais&nbsp;&#8212;&nbsp;emprego o termo ciente de seu anacronismo nesse contexto&nbsp;&#8212;&nbsp;do per\u00edodo cl\u00e1ssico, as mais baixas na escala s\u00e3o a <em>porn\u0113<\/em>, a prostituta e que, como vimos, \u00e9 a origem etimol\u00f3gica da pornografia, e a <em>aul\u0113tris<\/em>, a tocadora de flauta. Ora, a cidade de Atenas tabelava o pre\u00e7o da noite com uma <em>aul\u0113tris<\/em> em 2 dracmas. E se mais de um homem quisesse a <em>aul\u0113tris<\/em>, caberia aos <em>astynomoi<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"6\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2785\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-6\">6<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-6\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"6\">Os <a href=\"https:\/\/oxfordre.com\/classics\/display\/10.1093\/acrefore\/9780199381135.001.0001\/acrefore-9780199381135-e-891;jsessionid=87416892750FE9C719166B6879148547\"><em>astynomoi<\/em><\/a> eram uma esp\u00e9cie de magistrado cujo principal fun\u00e7\u00e3o era manter as cidades e os santu\u00e1rios limpos e sem obstru\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, eles tamb\u00e9m eram respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da lei.<\/span> resolver a quest\u00e3o. A <em>aul\u0113tris<\/em> n\u00e3o era consultada. Al\u00e9m disso, as <em>pornai<\/em> tinham de pagar um imposto espec\u00edfico, o <em>pornikon telos<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"7\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2785\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-7\">7<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2785-7\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"7\">O <em>pornikon telos<\/em> n\u00e3o se limitava \u00e0s prostitutas. Homens que se prostitu\u00edssem tamb\u00e9m deveriam pagar o imposto.<\/span>. Nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que Europa, a ateniense, n\u00e3o seja a \u00fanica que tem seus valores expostos na <em>AG<\/em>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\"><em>\u03c0\u03ad\u03bd\u03c4\u03b5 \u03b4\u03af\u03b4\u03c9\u03c3\u03b9\u03bd \u1f11\u03bd\u1f78\u03c2 \u03c4\u1fc7 \u03b4\u03b5\u1fd6\u03bd\u03b1 \u1f41 \u03b4\u03b5\u1fd6\u03bd\u03b1 \u03c4\u03ac\u03bb\u03b1\u03bd\u03c4\u03b1,<br \/>\n\u03ba\u03b1\u1f76 \u03b2\u03b9\u03bd\u03b5\u1fd6 \u03c6\u03c1\u03af\u03c3\u03c3\u03c9\u03bd, \u03ba\u03b1\u1f76 \u03bc\u1f70 \u03c4\u1f78\u03bd \u03bf\u1f50\u03b4\u1f72 \u03ba\u03b1\u03bb\u1f74\u03bd<br \/>\n\u03c0\u03ad\u03bd\u03c4\u03b5 \u03b4\u1fbd \u1f10\u03b3\u1f7c \u03b4\u03c1\u03b1\u03c7\u03bc\u1f70\u03c2 \u03c4\u1ff6\u03bd \u03b4\u03ce\u03b4\u03b5\u03ba\u03b1 \u039b\u03c5\u03c3\u03b9\u03b1\u03bd\u03ac\u03c3\u03c3\u1fc3,<br \/>\n\u03ba\u03b1\u1f76 \u03b2\u03b9\u03bd\u1ff6 \u03c0\u03c1\u1f78\u03c2 \u03c4\u1ff7 \u03ba\u03c1\u03b5\u03af\u03c3\u03c3\u03bf\u03bd\u03b1 \u03ba\u03b1\u1f76 \u03c6\u03b1\u03bd\u03b5\u03c1\u1ff6\u03c2.<br \/>\n\u03c0\u03ac\u03bd\u03c4\u03c9\u03c2 \u1f24\u03c4\u03bf\u03b9 \u1f10\u03b3\u1f7c \u03c6\u03c1\u03ad\u03bd\u03b1\u03c2 \u03bf\u1f50\u03ba \u1f14\u03c7\u03c9, \u1f22 \u03c4\u03cc \u03b3\u03b5 \u03bb\u03bf\u03b9\u03c0\u1f78\u03bd<br \/>\n\u03c4\u03bf\u1f7a\u03c2 \u03ba\u03b5\u03af\u03bd\u03bf\u03c5 \u03c0\u03b5\u03bb\u03ad\u03ba\u03b5\u03b9 \u03b4\u03b5\u1fd6 \u03b4\u03b9\u03b4\u03cd\u03bc\u03bf\u03c5\u03c2 \u1f00\u03c6\u03b5\u03bb\u03b5\u1fd6\u03bd.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\">Um fulano d\u00e1 a uma fulana cinco talentos por umazinha,<br \/>\ntrepa tremendo e, meu Deus, nem bonita ela \u00e9;<br \/>\nj\u00e1 eu dou cinco dracmas para Lisianassa por dozes vezes,<br \/>\nal\u00e9m disso ainda trepo muito melhor e \u00e0s claras.<br \/>\nCertamente ou eu n\u00e3o tenho nada na cabe\u00e7a,<br \/>\nou precisam cortar as bolas do outro com um machado. (Filodemo, <em>AG<\/em> 5.126)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify\">Nesse epigrama, Filodemo de G\u00e1dara discute abertamente algumas qualidades de Lisianassa, dentre elas o pre\u00e7o para transar. Para melhor entender o texto, \u00e9 preciso fazer discorrer sobre as moedas da Antiguidade cl\u00e1ssica. H\u00e1 quatro moedas que devemos considerar aqui: o \u00f3bolo, a dracma, a mina e o talento&nbsp;&#8212;&nbsp;1 dracma vale 6 \u00f3bolos&nbsp;; 1 mina vale 100 dracmas&nbsp;; e 1 talento vale 60 minas. Vamos calcular ent\u00e3o o valor de cada rela\u00e7\u00e3o sexual em dracmas. A transa do fulano, que foi ruim, feita \u00e0s pressas e no escuro, custou 5 talentos, ent\u00e3o custou 300 minas e isso equivale a 30.000 dracmas. J\u00e1 Filodemo pagou 5 dracmas por 12 transas, o que d\u00e1 0,41 dracmas por cada rela\u00e7\u00e3o sexual. A discrep\u00e2ncia nos valores \u00e9 absurda. A conclus\u00e3o de Filodemo n\u00e3o poderia ser outra: h\u00e1 algo errado nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<figure>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/262390781-290812cc-16b8-42f4-b0b9-d5b2ffaf1826.jpg\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\"> Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/artedograo\/\">GRAO<\/a>, 2023<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Talvez cortar as bolas do fulano com um machado seja um solu\u00e7\u00e3o radical, mas o extremismo da solu\u00e7\u00e3o dada equivale ao tamanho da disparidade. \u00c9 interessante salientar que Filodemo frequentou o Jardim, escola fundada por Epicuro em Atenas. Ao mesmo tempo em que o Epicurismo \u00e9 uma filosofia hedonista que argumenta que o ser humano deve buscar o prazer e a felicidade, essa filosofia tamb\u00e9m defende o comedimento. Como dito no epigrama, Lisianassa, cujo custo \u00e9 \u00ednfimo se comparado \u00e0 outra prostituta em quest\u00e3o, \u00e9 bonita e transa bem. N\u00e3o \u00e9 preciso se abster do prazer, nem pagar as 30.000 dracmas para se ter safista\u00e7\u00e3o sexual. Prazer e comedimento, eis os temas que o epigrama traz.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"> Zeus \u00e9 um deus capaz das maiores proezas para satisfazer seu inesgot\u00e1vel apetite sexual. Como citado no epigrama 5.109, em uma de suas aventuras o deus transformou-se em touro para poder ter rela\u00e7\u00f5es com a princesa Europa&nbsp;&#8212;&nbsp;inclusive, um dos filhos de Zeus com Europa \u00e9 Minos, aquele que constr\u00f3i o labirinto-pris\u00e3o do Minotauro. Em outros momentos, ele <a href=\"https:\/\/anthologiagraeca.org\/passages\/urn:cts:greekLit:tlg7000.tlg001.ag:5.65\/\">transforma-se em \u00e1guia para capturar Ganymedes e em ganso para se relacionar com Leda<\/a>. O insaci\u00e1vel chega at\u00e9 mesmo a <a href=\"https:\/\/anthologiagraeca.org\/passages\/urn:cts:greekLit:tlg7000.tlg001.ag:5.34\/\"> tornar-se chuva de ouro no epis\u00f3dio envolvendo D\u00e2nae<\/a>. Tornar-se uma chuva de ouro para poder transar \u00e9 simb\u00f3lico. \u00c9 o ouro que est\u00e1 permitindo que o deus tenha rela\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio grandes imagina\u00e7\u00f5es para ler o mito como Zeus usando ouro para comprar sua noite com D\u00e2nae, o que pode ser interpretado como um refer\u00eancia \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. Mas nem todos os amantes est\u00e3o dispostos a realizar as perip\u00e9cias de Zeus:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\">\u03bf\u1f50 \u03bc\u03ad\u03bb\u03bb\u03c9 \u1fe5\u03b5\u03cd\u03c3\u03b5\u03b9\u03bd \u03c7\u03c1\u03c5\u03c3\u03cc\u03c2 \u03c0\u03bf\u03c4\u03b5: \u03b2\u03bf\u1fe6\u03c2 \u03b4\u1f72 \u03b3\u03ad\u03bd\u03bf\u03b9\u03c4\u03bf<br \/>\n\u1f04\u03bb\u03bb\u03bf\u03c2, \u03c7\u1f60 \u03bc\u03b5\u03bb\u03af\u03b8\u03c1\u03bf\u03c5\u03c2 \u03ba\u03cd\u03ba\u03bd\u03bf\u03c2 \u1f10\u03c0\u1fc3\u03cc\u03bd\u03b9\u03bf\u03c2.<br \/>\n\u0396\u03b7\u03bd\u1f76 \u03c6\u03c5\u03bb\u03b1\u03c3\u03c3\u03ad\u03c3\u03b8\u03c9 \u03c4\u03ac\u03b4\u03b5 \u03c0\u03b1\u03af\u03b3\u03bd\u03b9\u03b1: \u03c4\u1fc7 \u03b4\u1f72 \u039a\u03bf\u03c1\u03af\u03bd\u03bd\u1fc3<br \/>\n\u03c4\u03bf\u1f7a\u03c2 \u1f40\u03b2\u03bf\u03bb\u03bf\u1f7a\u03c2 \u03b4\u03ce\u03c3\u03c9 \u03c4\u03bf\u1f7a\u03c2 \u03b4\u03cd\u03bf, \u03ba\u03bf\u1f50 \u03c0\u03ad\u03c4\u03bf\u03bc\u03b1\u03b9.<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\">Nunca sou o ouro prestes a chover, e outro que se transforme em touro ou no ribeirinho cisne de voz doce.<br \/>\nDeixe essas brincadeiras para Zeus. Para Corinna, eu darei seus dois \u00f3bolos, mas n\u00e3o saio voando. (Lollius Bassus, <em>AG<\/em> 5.125)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify\">Lollius Bassus foi um autor de epigramas do I s\u00e9culo d.C. Pouco se sabe com certeza sobre o poeta, al\u00e9m do fato de que h\u00e1 8 epigramas de sua autoria na <em>Antologia Grega<\/em>. Possivelmente, ele viveu em Roma durante o reinado de Tib\u00e9rio e fazia parte do grupo de letrados em torno de S\u00eaneca. Do texto do epigrama 5.125 extra\u00edmos um pragmatismo cortante. Bassus n\u00e3o quer saber de brincadeira alguma, ele n\u00e3o est\u00e1 disposto a fazer nada al\u00e9m de pagar 2 \u00f3bolos para Corina, um valor um pouco menor do que o pago a Lissianassa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A &#8220;po\u00e9tica da putaria&#8221; \u00e9 um efetivo instrumento de an\u00e1lise da realidade objetiva. A partir dela v\u00ea-se que o conceito de pornografia, que se pretende grego, n\u00e3o existe no concep\u00e7\u00e3o da Antiguidade cl\u00e1ssica. Pornografia \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX. Al\u00e9m disso, a etimologia \u00e9 duplamente escorregadia, pois tampouco a pornografia se limita a uma mediatiza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o. O pornogr\u00e1fico n\u00e3o necessariamente representa uma situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o. Pode ser o caso, mas n\u00e3o \u00e9 a regra. Como j\u00e1 argumentamos anteriormente, o crit\u00e9rio essencial do pornogr\u00e1fico \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o outro, em que h\u00e1 rela\u00e7\u00f5es e regras pr\u00f3prias. J\u00e1 a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 a venda de um servi\u00e7o sexual mediante pagamento. Os valores variam enormemente. As escravizadas <em>pornai<\/em> do per\u00edodo cl\u00e1ssico recebiam 2 dracmas, Europa, a ateniense, cobrava 1 dracma, Lissianassa por 5 dracmas abre as portas de seu leito por 12 vezes e Corinna ganha apenas 2 \u00f3bolos. Ora, j\u00e1 nossos briosos oficiais do EB custam um pouco mais. Para eles, foi preciso um rel\u00f3gio Rolex, um Patek Philippe e outras j\u00f3ias. Cada um cobra aquilo que acha que vale. Contudo, Europa, Lissianassa e Corinna eram mulheres escravizadas e submetidas a um regime de servid\u00e3o. N\u00e3o se pode dizer o mesmo dos oficiais do EB envolvidos nesse pornogr\u00e1fico esquema de enriquecimento il\u00edcito. Assim, em guisa de conclus\u00e3o, podemos deixar um conselho de Cillactor bastante pertinente aos vorazes militares brasileiro:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\">\u1f01\u03b4\u1f7a \u03c4\u1f78 \u03b2\u03b9\u03bd\u03b5\u1fd6\u03bd \u1f10\u03c3\u03c4\u03b9: \u03c4\u03af\u03c2 \u03bf\u1f50 \u03bb\u03ad\u03b3\u03b5\u03b9; \u1f00\u03bb\u03bb\u1fbd \u1f45\u03c4\u03b1\u03bd \u03b1\u1f30\u03c4\u1fc7<br \/>\n\u03c7\u03b1\u03bb\u03ba\u03cc\u03bd, \u03c0\u03b9\u03ba\u03c1\u03cc\u03c4\u03b5\u03c1\u03bf\u03bd \u03b3\u03af\u03bd\u03b5\u03c4\u03b1\u03b9 \u1f10\u03bb\u03bb\u03b5\u03b2\u03cc\u03c1\u03bf\u03c5.<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:center;font-size:18px\">Fuder \u00e9 gostoso, quem n\u00e3o acha? Mas, quando \u00e9 pedido cobre,<br \/>\nfica mais ardido que urtiga. (Cillactor, <em>AG<\/em> 5.29)<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p>Ant\u00f4nio Geraldo da Cunha. <em>Dicion\u00e1rio etimol\u00f3gico da l\u00edngua portuguesa<\/em>. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2010.<\/p>\n<p>Davidson, James N. 2011. <em>Courtesans and Fishcakes: The Consuming Passions of Classical Athens<\/em>. Chicago, IL: University of Chicago Press. https:\/\/press.uchicago.edu\/ucp\/books\/book\/chicago\/C\/bo11541590.html.<\/p>\n<p>Gladfelder, Hal. 2013. <em>Literature and Pornography, 1660\u20121800<\/em>. Oxford Handbooks Online. https:\/\/doi.org\/10.1093\/oxfordhb\/9780199935338.013.001.<\/p>\n<p>Vitali-Rosati, Marcello. \u00ab Pornspace \u00bb. M\u00e9dium 46\u201147, n\u1d52 1\u20112 (2016): 306\u201117. https:\/\/doi.org\/10.3917\/mediu.046.0306<\/p>\n<p>Waltz, Pierre, Robert Aubreton, Jean Irigoin, Francesca Maltomini, et Pierre Laurens. <em>Anthologie grecque<\/em>. Collection des universit\u00e9s de France. S\u00e9rie grecque 481; Paris: Soci\u00e9t\u00e9 d\u2019\u00e9dition &#8220;Les Belles Lettres, 1928.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<h3 class=\"modern-footnotes-list-heading modern-footnotes-list-heading--hide-for-print\">Notas<\/h3><ul class=\"modern-footnotes-list modern-footnotes-list--hide-for-print\"><li><span>1<\/span><div>Todas as tradu\u00e7\u00f5es do grego s\u00e3o de minha autoria.<\/div><\/li><li><span>2<\/span><div>Davidson, James N. 2011. <em>Courtesans and Fishcakes: The Consuming Passions of Classical Athens<\/em>. Chicago, IL: University of Chicago Press. https:\/\/press.uchicago.edu\/ucp\/books\/book\/chicago\/C\/bo11541590.html.<\/div><\/li><li><span>3<\/span><div>Ant\u00f4nio Geraldo da Cunha. <em>Dicion\u00e1rio etimol\u00f3gico da l\u00edngua portuguesa<\/em>. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2010.<\/div><\/li><li><span>4<\/span><div>Gladfelder, Hal. 2013. <em>Literature and Pornography, 1660\u20121800<\/em>. Oxford Handbooks Online. https:\/\/doi.org\/10.1093\/oxfordhb\/9780199935338.013.001.<\/div><\/li><li><span>5<\/span><div>Vitali-Rosati, Marcello. \u00ab&nbsp;Pornspace&nbsp;\u00bb. M\u00e9dium 46\u201147, n\u1d52 1\u20112 (2016): 306\u201117. https:\/\/doi.org\/10.3917\/mediu.046.0306.<\/div><\/li><li><span>6<\/span><div>Os <a href=\"https:\/\/oxfordre.com\/classics\/display\/10.1093\/acrefore\/9780199381135.001.0001\/acrefore-9780199381135-e-891;jsessionid=87416892750FE9C719166B6879148547\"><em>astynomoi<\/em><\/a> eram uma esp\u00e9cie de magistrado cujo principal fun\u00e7\u00e3o era manter as cidades e os santu\u00e1rios limpos e sem obstru\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, eles tamb\u00e9m eram respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da lei.<\/div><\/li><li><span>7<\/span><div>O <em>pornikon telos<\/em> n\u00e3o se limitava \u00e0s prostitutas. Homens que se prostitu\u00edssem tamb\u00e9m deveriam pagar o imposto.<\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A &#8220;po\u00e9tica da putaria&#8221; \u00e9 novamente utilizada enquanto instrumento te\u00f3rico de an\u00e1lise social. No texto, \u00e9 tratada a origem etimol\u00f3gica do conceito de pornografia, sua ambiguidade e sua rela\u00e7\u00e3o com alguns gulosos militares do brioso Ex\u00e9rcito Brasileiro.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":2796,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,47,48,71,76],"tags":[134,128,179,137,178,146,180],"class_list":["post-2785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-coletivos-institucionais","category-cultura","category-poeticas","category-politica","tag-antologia-grega","tag-corrupcao","tag-exercito-brasileiro","tag-luiz-capelo","tag-poetica-da-putaria","tag-pornografia","tag-prostituicao"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2785"}],"version-history":[{"count":15,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2785\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2912,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2785\/revisions\/2912"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2796"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}