{"id":2740,"date":"2023-08-18T17:49:53","date_gmt":"2023-08-18T17:49:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=2740"},"modified":"2023-08-24T17:16:30","modified_gmt":"2023-08-24T17:16:30","slug":"povo-pataxo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/povo-pataxo\/","title":{"rendered":"Povo Patax\u00f3<br><spam style=\"font-size:16px\">Leonarda Costa Tx\u00e0m\u00e3gay<\/spam>"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:right;font-size:12px;font-style:italic\">Povo Patax\u00f3, Corumbau, Bahia<\/p>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\" text-align:justify\" =\"\"=\"\">Meu povo, o Patax\u00f3, \u00e9 um povo ind\u00edgena que habita tradicionalmente a regi\u00e3o do sul da Bahia e do nordeste de Minas Gerais. Na realidade, ocupamos nossas terras desde antes da chegada do portugu\u00eas no Brasil. Hoje, algumas de nossas aldeias ficam no <em>Parque Nacional e Hist\u00f3rico do Monte Pascoal<\/em>. A hist\u00f3ria diz que Monte Pascoal foi o primeiro peda\u00e7o de terra &#8212;&nbsp;a nossa terra, de meus ancestrais e minha&nbsp;&#8212; que os portugueses avistaram. Jamais sa\u00edmos daqui, mas infelizmente ainda n\u00e3o demarcaram nossas terras, apesar de existir um termo de compromisso assinado entre a chefia do <em>Parque<\/em> e as pessoas ali aldeadas. \u00c9 algo inc\u00f4modo que vejam a hist\u00f3ria de nosso territ\u00f3rio apenas como a do local em que os portugueses primeiramente chegaram, e n\u00e3o como um espa\u00e7o Patax\u00f3. N\u00e3o demarcar e manter nossas aldeias dentro desse territ\u00f3rio que n\u00e3o \u00e9 reconhecido como nosso \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da viol\u00eancia que continuamente sofremos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Esses v\u00eddeos e essas fotografias foram feitos na aldeia <em>Tib\u00e1<\/em>, fundada por meus av\u00f3s em 2003 e que fica na minha cidade natal, Cumuruxatiba &#8211; BA. Parte da minha fam\u00edlia aparece nessas imagens &#8212;&nbsp;minhas irm\u00e3s Let\u00edcia e Le\u00edsa, minha m\u00e3e Maria L\u00facia, minhas tias Ant\u00f4nia e Adelice, e alguns de meus sobrinhos e primos. Eu fico muito feliz em poder demonstrar um pouco do trabalho e da luta de meu povo. N\u00f3s cultivamos e cuidamos da nossa terra, n\u00f3s lutamos pela manuten\u00e7\u00e3o da nossa cultura Patax\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Atualmente, 32 fam\u00edlias moram na <em>Tib\u00e1<\/em>, onde trabalham plantando alimentos tradicionais e com etnoturismo, educa\u00e7\u00e3o e projetos comunit\u00e1rios. Um dos meios de sustento da comunidade \u00e9 a planta\u00e7\u00e3o da mandioca, com a qual fazemos a farinha. A farinha \u00e9 um alimento importante para a comunidade seja para uso dom\u00e9stico ou para o com\u00e9rcio. As visitas guiadas \u00e0 nossa aldeia&nbsp;&#8212;&nbsp;o etnoturismo&nbsp;&#8212;&nbsp;tamb\u00e9m geram renda para as fam\u00edlias e divulgam nosso modo de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Um dos sonhos da minha av\u00f3 Zabel\u00ea<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2740\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2740-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2740-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">Zabel\u00ea, como tamb\u00e9m era chamada Luciana Ferreira, foi uma importante lideran\u00e7a Patax\u00f3 no sul da Bahia. Zabel\u00ea nasceu em 1932, na aldeia de Barra Velha, onde permaneceu at\u00e9 1951, quando ocorreu o fat\u00eddico massacre que ficou conhecido como &#8220;Fogo de 51&#8221;. Em decorr\u00eancia dessa viol\u00eancia extrema, a comunidade Patax\u00f3 se dispersa pela regi\u00e3o. Zabel\u00ea ruma para Cumuruxatiba, cidade no extremo sul da Bahia, e ali participa da funda\u00e7\u00e3o da aldeia <em>Tib\u00e1<\/em>, onde at\u00e9 hoje vivem seus descendentes.<\/span>  era a educa\u00e7\u00e3o de seu povo. Ela dizia que n\u00e3o estudou, mas gostaria que seus filhos, netos e bisnetos estudassem. Assim, ela lutou bastante, viajou, mobilizou a comunidade e chegou a reunir-se com o reitor da Universidade Estadual da Bahia &#8211; UNEB e outros l\u00edderes educacionais para que houvesse uma escola em nossa aldeia. A luta dela rendeu frutos, e hoje h\u00e1 uma escola na <em>Tib\u00e1<\/em>. A escola ainda \u00e9 muito pequena e falta bastante coisa, mas ela \u00e9 um importante um passo de uma longa caminhada.<\/p>\n<p><figure>\n<center><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/user-images.githubusercontent.com\/79371444\/260051925-5f2cc060-b254-4f6e-a793-ec87cbde03e2.png\"><\/p><figcaption>\n<p style=\"text-align:center;font-size:12px;font-style:italic\">Zabel\u00ea Patax\u00f3 em 2011. Foto: Arissana Braz<\/p>\n<\/figcaption><p><\/center><\/figure>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Escrever esse texto, gravar uma apresenta\u00e7\u00e3o do nosso <em>Aw\u00ea<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"2\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2740\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2740-2\">2<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2740-2\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"2\">Canto e dan\u00e7a patax\u00f3.<\/span>, mostrar o projeto de reflorestamento em que trabalhamos e falar um pouco sobre nossa cultura \u00e9 manter viva a mem\u00f3ria de meus av\u00f3s que tanto lutaram e sonharam com uma vida melhor para seu povo, mas que infelizmente se encantaram sem ver o reconhecimento oficial de nossa terra. Por isso, n\u00f3s continuamos aqui resistindo bravamente e honrando toda a luta feita at\u00e9 aqui.<\/p>\n<h2>Aldeia Tib\u00e1&nbsp;&#8212;&nbsp;Prado, Bahia<\/h2>\n<p><center><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ROJYzzFyLAg\" title=\"YouTube video player\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Este v\u00eddeo foi criado a partir de depoimentos feitos pelo Coletivo Patax\u00f3 e enviados a Sens Public.<\/em><\/p>\n<h2>Farinhada, nutrir o corpo e transmitir nossa cultura<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">O processo \u00e9 trabalhoso, pois primeiro \u00e9 feita a colheita da mandioca; logo ap\u00f3s ela \u00e9 levada para a farinheira em carrinho de m\u00e3o, carro\u00e7a ou carro, a depender da dist\u00e2ncia da planta\u00e7\u00e3o. A mandioca ent\u00e3o \u00e9 descascada, lavada e triturada pelo motor que \u00e9 acoplado na farinheira. Em seguida, \u00e9 colocada em sacos grandes de 20kg\/20kg para passar pelo processo da prensa, em que sai todo o l\u00edquido presente na massa, e depois ficar em repouso em m\u00e9dia por 8 horas. Logo ap\u00f3s passa pela peneira e \u00e9 colocada no forno para ser torrada e virar farinha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Na farinhada tamb\u00e9m produzimos outros coisas, como o beiju e o bolo de cuba. Em uma parte da massa, ap\u00f3s ser triturada, mas antes de ser torrada e virar farinha, \u00e9 adicionada \u00e1gua e colocada em um saco, que \u00e9 torcido lateralmente para retirar a \u00e1gua da massa. Em uma vasilha separada \u00e9 colocada a \u00e1gua que saiu da massa, e essa \u00e1gua ficar\u00e1 em repouso por em m\u00e9dia 12 horas. Ap\u00f3s isso \u00e9 removida a \u00e1gua e, no fundo da vasilha, ficar\u00e1 uma massa branca que \u00e9 o polvilho que \u00e9 usado para fazer farinha de tapioca, mingau, beiju de rolo, beiju de c\u00f4co.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A farinhada \u00e9 um momento familiar especial, pois Zabel\u00ea sempre cantava alegremente quando fazia farinha, em todos os processos, agradecendo a Tup\u00e3<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"3\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_2740\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2740-3\">3<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_2740-3\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"3\">Deus na l\u00edngua patax\u00f3.<\/span>. Hoje em dia, n\u00f3s, os filhos, os netos e os bisnetos de Zabel\u00ea fazemos o <em>aw\u00ea<\/em> no in\u00edcio da farinhada para honrar nossos ancestrais e nossa cultura.<\/p>\n<h2>Ataques contra o Povo Patax\u00f3<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">O sol esquenta os corpos, mar e rios exuberantes fornecem o alimento e a terra \u00e9 f\u00e9rtil e o que se planta nasce. Assim \u00e9 o territ\u00f3rio dos Patax\u00f3 no extremo sul da Bahia. Ali, o conceito ind\u00edgena do bem viver \u00e9 palp\u00e1vel e faz parte do cotidiano. Entretanto, apesar desse meio ambiente paradis\u00edaco, o governo Bolsonaro tem sido particularmente violento para o povo Patax\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eleito com uma pauta contr\u00e1ria aos povos ind\u00edgenas, o presidente Bolsonaro possibilitou uma s\u00e9rie de viol\u00eancias contra os Patax\u00f3. O desmonte da FUNAI &#8212;&nbsp;Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio&nbsp;&#8212; enquanto \u00f3rg\u00e3o de defesa dos direitos e interesses dos povos ind\u00edgenas foi o come\u00e7o. Em seguida, a pandemia da Covid-19 foi bastante agressiva com a comunidade, ceifando diversas vidas, devido tamb\u00e9m \u00e0 prec\u00e1ria resposta dada pelo governo. N\u00e3o fosse a articula\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios povos ind\u00edgenas, haveria ainda mais mortes. Finalmente, no ocaso desse governo, mais sangue ind\u00edgena foi derramado, uma vez que a regi\u00e3o do extremo Sul da Bahia tornou-se palco de incessantes conflitos fundi\u00e1rios. Assim, \u00e9 preciso fazer uma cronologia das mais recentes agress\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo o MUPOIBA&nbsp;&#8212;&nbsp;Movimento Unido dos Povos e Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Bahia&nbsp;&#8212; e a APIB &#8212;&nbsp;Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil, as comunidades de Boca da Mata e de Cassiana, que ficam na Terra Ind\u00edgena de Barra Velha, passaram o m\u00eas de agosto de 2022 sob o s\u00edtio de for\u00e7as paramilitares lideradas por fazendeiros locais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No dia 17 de agosto, as tens\u00f5es se acirraram entre Patax\u00f3s e fazendeiros, e pistoleiros invadiram a Aldeia de Boca da Mata. Tiros foram disparados como uma tentativa de intimidar a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Dois dias depois, em 19 de agosto, a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Minorias da C\u00e2mara dos Deputados solicitou que autoridades p\u00fablicas tomassem provid\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Infelizmente, o poder p\u00fablico mais uma vez falhou com o povo Patax\u00f3, e no dia 03 de setembro o ind\u00edgena Gustavo Silva da Concei\u00e7\u00e3o, um garoto de 14 anos, foi assassinado em um ataque de pistoleiros ocorrido na Terra Ind\u00edgena de Comexatiba. Al\u00e9m de Gustavo, Pablo Yuri da Concei\u00e7\u00e3o, um adolescente de 16 anos, tamb\u00e9m foi baleado, mas sem risco de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A viol\u00eancia n\u00e3o se esgotou com esse assassinato e, na madrugada do dia 05, novamente as for\u00e7as paramilitares atacaram os Patax\u00f3 de Comexatiba. Segundo relatos dos ind\u00edgenas, os agressores invadiram a aldeia, vandalizaram os bens e as casas, e chegaram a matar os cachorros que viviam na aldeia. Nenhum ind\u00edgena ficou ferido nesse ataque porque eles se esconderam nas matas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No dia 12 de setembro, mais uma vez a comunidade foi atacada por pistoleiros e, novamente, as pessoas foram obrigadas a esconderem-se nas matas para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Toda essa viol\u00eancia \u00e9 decorr\u00eancia de incongru\u00eancias na demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 1980, a Terra Ind\u00edgena de Barra Velha foi demarcada com apenas 8,6 mil hectares. Diante dessa demarca\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com o tamanho do territ\u00f3rio Patax\u00f3, em 2014, a FUNAI realizou um estudo em que atribu\u00eda 52,7 mil hectares a Barra Velha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Contudo, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas n\u00e3o tomaram nenhuma medida adicional e assim o processo de demarca\u00e7\u00e3o permanece paralisado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os Patax\u00f3, vendo a in\u00e9rcia do poder p\u00fablico e o constante avan\u00e7o dos fazendeiros em dire\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, iniciaram um processo de retomada de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em janeiro de 2022, os Patax\u00f3 de Barra Velha retomaram o territ\u00f3rio da comunidade &#8220;Quero V\u00ea&#8221;. Em uma vit\u00f3ria judicial, a Justi\u00e7a Federal, no dia 9 de junho, negou o pedido de reintegra\u00e7\u00e3o de posse contra a &#8220;Quero V\u00ea&#8221;. Desse modo, os Patax\u00f3 ganharam respaldo jur\u00eddico para permanecer em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Dia 22 de junho, cerca de 180 ind\u00edgenas retomaram uma \u00e1rea de Comexatiba que vinha sendo ocupada por empresas de produ\u00e7\u00e3o de celulose. Com a supervis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal&nbsp;&#8212; MPF, empresas e Patax\u00f3s iniciaram o di\u00e1logo. Os ind\u00edgenas ali permanecem em seu territ\u00f3rio ancestral.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Dia 25 de junho, um outro grupo de ind\u00edgenas de Barra Velha iniciou a recupera\u00e7\u00e3o de uma outra \u00e1rea. No entanto, j\u00e1 no dia seguinte os ind\u00edgenas foram expulsos por fazendeiros locais. Segundo relatos, v\u00e1rios homens encapuzados, portando armas de grosso calibre, foram at\u00e9 o local para expulsar os ind\u00edgenas. Alguns desses homens se identificaram como policiais e seguran\u00e7as dos fazendeiros. Eles argumentaram que faziam parte de uma reuni\u00e3o de agropecuaristas locais, cujo objetivo \u00e9 frear a retomada da terra por parte dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os fazendeiros, os grileiros e a extrema-direita de fato est\u00e3o se organizando no Sul da Bahia. Em 2021, foi fundado em Teixeira de Freitas o &#8220;Casar\u00e3o Brasil&#8221;, a autointitulada primeira casa conservadora do Brasil. O espa\u00e7o \u00e9 voltado para a organiza\u00e7\u00e3o dos grupos conservadores locais e a defesa de suas pautas, que n\u00e3o incluem as reinvindica\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas. Nabhan Garcia, antigo secret\u00e1rio especial de assuntos fundi\u00e1rios do Minist\u00e9rio da Agricultura e presidente licenciado da UDR&nbsp;&#8212;&nbsp;Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Ruralista, e o Capit\u00e3o Alden, deputado estadual e deputado federal eleito, j\u00e1 declararam apoio ao grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Considerando a escalada da viol\u00eancia, a Justi\u00e7a Federal determinou, em setembro, a suspens\u00e3o dos processos contra os ind\u00edgenas da regi\u00e3o e garantiu a perman\u00eancia deles nas \u00e1reas retomadas em 2022. Enquanto o processo do Marco Temporal \u00e9 julgado pelo Supremo Tribunal Federal&nbsp;&#8212;&nbsp;STF, o ministro Edson Fachin suspendeu todos os processos que possam resultar em despejos ou retrocessos nos direitos territoriais dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Enquanto isso, os Patax\u00f3 resistem, lutam e reivindicam poder bem viver em suas terras.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a5J5UZaprV0\" title=\"YouTube video player\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>As imagens presentes neste v\u00eddeo s\u00e3o provenientes de arquivo pessoal de G\u00e9rard Wormser, com exce\u00e7\u00e3o das imagens dos ataques, fornecidas pela APIB.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Leonarda Costa Tx\u00e0m\u00e3gay<\/strong><br \/>\nInd\u00edgena patax\u00f3, formada em Nutri\u00e7\u00e3o pela Universidade de Bras\u00edlia&nbsp;&#8212;&nbsp;UnB e com especializa\u00e7\u00e3o em \u201cSa\u00fade Ind\u00edgena\u201d, pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo&nbsp;&#8212;&nbsp;UNIFESP. Durante 5 anos, atuou como nutricionista na Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena&nbsp;&#8212;&nbsp;SESAI na regi\u00e3o de Porto Seguro, Bahia. Atualmente, mora em Montr\u00e9al, Canada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Coletivo Patax\u00f3<\/strong><br \/>\nFormado por diversos ind\u00edgenas do povo Patax\u00f3.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<h3 class=\"modern-footnotes-list-heading modern-footnotes-list-heading--hide-for-print\">Notas<\/h3><ul class=\"modern-footnotes-list modern-footnotes-list--hide-for-print\"><li><span>1<\/span><div>Zabel\u00ea, como tamb\u00e9m era chamada Luciana Ferreira, foi uma importante lideran\u00e7a Patax\u00f3 no sul da Bahia. Zabel\u00ea nasceu em 1932, na aldeia de Barra Velha, onde permaneceu at\u00e9 1951, quando ocorreu o fat\u00eddico massacre que ficou conhecido como &#8220;Fogo de 51&#8221;. Em decorr\u00eancia dessa viol\u00eancia extrema, a comunidade Patax\u00f3 se dispersa pela regi\u00e3o. Zabel\u00ea ruma para Cumuruxatiba, cidade no extremo sul da Bahia, e ali participa da funda\u00e7\u00e3o da aldeia <em>Tib\u00e1<\/em>, onde at\u00e9 hoje vivem seus descendentes.<\/div><\/li><li><span>2<\/span><div>Canto e dan\u00e7a patax\u00f3.<\/div><\/li><li><span>3<\/span><div>Deus na l\u00edngua patax\u00f3.<\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O povo Patax\u00f3 reside na regi\u00e3o que hoje \u00e9 o sul da Bahia desde antes da chegada dos portugueses. Entre as \u00e1reas que eles ocupam, est\u00e1 o distrito de Cumuruxatiba, no munic\u00edpio de Prado. Ali est\u00e1 localizada a Terra Ind\u00edgena de Comexatiba, que inclui diversas aldeias. Esse territ\u00f3rio de ocupa\u00e7\u00e3o ancestral \u00e9 atualmente palco de disputas entre fazendeiros e ind\u00edgenas pela posse da terra. No meio do conflito, os Patax\u00f3 seguem suas vidas cotidianas da melhor forma poss\u00edvel. A comunidade organizou-se para escrever e falar sobre si pr\u00f3pria. Assim, ela denuncia os ataques que vem sofrendo, mas tamb\u00e9m se mostra e apresenta sua cultura. Esse texto foi originalmente publicado no dossi\u00ea <a href=\"http:\/\/www.sens-public.org\/dossiers\/1656\/\">Vozes ind\u00edgenas, trilhas para renovar o Brasil<\/a>.<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":2746,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,90,51],"tags":[167,56,169,166,170,165,168,171,141,186],"class_list":["post-2740","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-terras-indigenas","category-territorios","tag-bahia","tag-brasil","tag-cultura","tag-ecologia","tag-farinhada","tag-leonarda-costa","tag-pataxo","tag-resistencia","tag-terras-indigenas","tag-vozes-indigenas-trilhas-para-renovar-o-brasil"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2740"}],"version-history":[{"count":9,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2740\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2759,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2740\/revisions\/2759"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2746"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}