{"id":253,"date":"2018-11-26T09:33:12","date_gmt":"2018-11-26T09:33:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/?p=253"},"modified":"2023-07-14T13:36:34","modified_gmt":"2023-07-14T13:36:34","slug":"naufragio-da-democracia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/naufragio-da-democracia-no-brasil\/","title":{"rendered":"O naufr\u00e1gio da democracia no Brasil: desordem e regresso<br><span style=\"font-size:16px\">G\u00e9rard Wormser<\/span>"},"content":{"rendered":"<h2>Do clientelismo \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o, a abdica\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">Diferentemente das extremas-direitas europeias, no Brasil n\u00e3o se pode vilipendiar as minorias estrangeiras. Em revanche, as popula\u00e7\u00f5es que o desenvolvimento do pa\u00eds rejeitou \u00e0 margem s\u00e3o severamente estigmatizadas. Distanciar-se geograficamente dos lares urbanos ou instalar-se nas favelas desconhecidas lhes permite, por vezes, ter uma vida localmente aut\u00f4noma, e de l\u00e1 exibir uma verdadeira dignidade em detrimento da pobreza. Mas, as popula\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0s explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas ou aos servi\u00e7os urbanos que o crescimento demogr\u00e1fico multiplicou s\u00e3o desprezadas, sendo pouco expostas \u00e0 influ\u00eancia das orienta\u00e7\u00f5es mais ativas da economia nacional e s\u00e3o alvo de preconceitos intoler\u00e1veis. Esse Brasil dos exclu\u00eddos vive como uma fatalidade \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es das quais participa de maneira meramente superficial. Os telefones est\u00e3o conectados ao WhatsApp, mas como melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida? Depende-se das classes mais favorecidas para quem \u00e9 logico que povo esteja a seu servi\u00e7o, ou ofertas de empregos n\u00e3o negoci\u00e1veis e facilmente revog\u00e1veis. Como sustentar um regime democr\u00e1tico ao qual a maioria deve extorquir as ajudas sociais, lutar contra a alta das contas mais diversas e enviar seus filhos a estudar sem nenhuma garantia de uma verdadeira qualifica\u00e7\u00e3o? O sentimento de espolia\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 determinante para explicar a convers\u00e3o do desprezo contra os parlamentares em apoio em apoio a Bolsonaro. A reflex\u00e3o de Jess\u00e9 Souza \u00e9 fundamental para expor a estrutura dessa am\u00e1lgama e identificar suas antigas ra\u00edzes: \u201cele (Bolsonaro) se dissimula em virtudes morais e pureza de sentimento o que n\u00e3o passa de submiss\u00e3o aos imperativos e interesses da elite dominante\u201d. Segue-se, aqui, a tradu\u00e7\u00e3o de algumas das p\u00e1ginas essenciais de sua obra premonit\u00f3ria, \u201cA Elite do Atraso\u201d (Souza, 2017). Souza opera uma leitura cr\u00edtica dos conceitos culturalistas derivados de Max Weber ou Franz Boas, cuja ado\u00e7\u00e3o no Brasil por personalidades t\u00e3o centrais quanto Gilberto Freyre ou S\u00e9rgio Buarque de Holanda naturalizaram as representa\u00e7\u00f5es tendenciosas, maquiando um esp\u00edrito de homem cordial o que era uma psicologia das personalidades marcadas pela submiss\u00e3o esclavagista, atribuindo aos vest\u00edgios do colonialismo o que era gan\u00e2ncia dos dominadores. Souza se inspira, sobretudo, das teses de Gramsci, Sartre, Bourdieu e Charles Taylor para explicar como as representa\u00e7\u00f5es morais favorecem a coloniza\u00e7\u00e3o pelas elites do esp\u00edrito pequeno burgu\u00eas. S\u00e3o componentes do fascismo e do esp\u00edrito reacion\u00e1rio que desacredita h\u00e1 muito tempo as reivindica\u00e7\u00f5es populares, colonizando a classe intelectual a servi\u00e7o da elite, instrumentalizando os sentimentos nacionalistas e o culto \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"> Na verdade, afora as \u00e9pocas hist\u00f3ricas que lograram organizar as classes populares ou as camadas m\u00e9dias por algum per\u00edodo breve de tempo, a \u00fanica classe consciente de seus interesses entre n\u00f3s foi e \u00e9 ainda a \u00ednfima elite do dinheiro. Foi ela que construiu esquemas gigantescos de distor\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da realidade, como os que estamos reconstruindo neste livro, apenas para manter o padr\u00e3o de rapina selvagem do trabalho de todos para seus bolsos. Foi ela, ao fim e ao cabo, que, com sat\u00e2nica intelig\u00eancia e clarivid\u00eancia de seus melhores interesses de classe, percebeu que o assalto ao bolso coletivo e ao trabalho alheio s\u00f3 poderia se dar pela coloniza\u00e7\u00e3o da capacidade de reflex\u00e3o da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A tese do populismo e do patrimonialismo servem, precisamente, como uma luva para os interesses dessa elite. Elas servem primeiro para tornar invis\u00edvel a a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de um mercado desregulado como o nosso. Depois, para culpar o Estado e suas elites corruptas \u2013 especialmente de esquerda \u2013 de tudo que aconte\u00e7a sempre que se fa\u00e7a necess\u00e1rio. A responsabilidade da elite e de seus instrumentos como a m\u00eddia ficam tamb\u00e9m invis\u00edveis e n\u00e3o s\u00e3o chamados nunca \u00e0 responsabilidade. Depois, eles deslegitimam as demandas populares como demagogia e populismo. Hoje em dia, essas s\u00e3o as duas ideias mais repetidas por todos os jornais e canais de televis\u00e3o. Elas est\u00e3o hoje, com grada\u00e7\u00f5es diversas de clareza, na cabe\u00e7a de todo brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Como isso foi poss\u00edvel? Como tantos foram e ainda s\u00e3o enganados por t\u00e3o poucos? Ora, a habilidade das teorias explicativas dominantes descritas acima reside, precisamente, no fato de serem aparentemente cr\u00edticas, ou seja, elas parecem cr\u00edticas, mas est\u00e3o sistematizando e conferindo prest\u00edgio \u00e0s ideias mais conservadoras. Elas s\u00e3o repetidas, inclusive, por intelectuais refinados da esquerda. O patrimonialismo aponta o dedo acusador apenas \u00e0s elites aparentes, ligadas ao Estado, mas que no fundo s\u00f3 fazem o trabalho sujo da verdadeira elite do dinheiro, que manda no mercado e permanece invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O populismo, por sua vez, se disfar\u00e7a de leitura cr\u00edtica da manipula\u00e7\u00e3o das massas, aparentemente em favor de uma organiza\u00e7\u00e3o consciente das massas, por elas mesmas, assumindo o controle do pr\u00f3prio destino. A grande fraude aqui \u00e9 esconder o principal: que as massas lutam com as armas dos mais fr\u00e1geis tendo toda a organiza\u00e7\u00e3o institucionalizada da viol\u00eancia simb\u00f3lica e da viol\u00eancia f\u00edsica do Estado e do mercado contra elas. Essa \u00e9 a fragilidade de seus l\u00edderes carism\u00e1ticos tamb\u00e9m. Eles t\u00eam que andar na corda bamba dos interesses contradit\u00f3rios e dos in\u00fameros compromissos, j\u00e1 que o que as massas podem sonhar \u00e9 apenas uma fatia menor do bolo. Ainda assim, isso s\u00f3 acontece raramente entre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O tema da esfera p\u00fablica colonizada \u00e9 fundamental para nosso argumento, posto que foi e \u00e9 o l\u00f3cus onde a classe m\u00e9dia \u00e9 arregimentada para os interesses da elite do dinheiro. Tudo acontece, nessa esfera da informa\u00e7\u00e3o seletiva e da opini\u00e3o instrumentalizada, como se o mundo fosse um prolongamento das fantasias e da autoimagem da classe m\u00e9dia. A dec\u00eancia e a virtude passam a ser percebidas dentro do estreito contexto da moralidade dessa classe. Para uma classe que explora as outras abaixo dela sob formas cru\u00e9is e humilhantes, moralidade n\u00e3o pode ser, por exemplo, o tratamento igualit\u00e1rio dos outros seres humanos, ou o comprometimento com chances e oportunidade para todos. Ora, em um contexto de sociedades influenciadas pelo cristianismo, moralidade deveria ser, antes de tudo, igualdade e fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mas n\u00e3o \u00e9 essa a moralidade que foi cevada pela grande imprensa e por nossos intelectuais mais influentes. \u201cMoralidade\u201d significa, aqui, unicamente se indignar com as falcatruas \u2013 sempre seletivas e cuidadosamente selecionadas pela imprensa \u2013 do sistema pol\u00edtico, de resto montado para ser corrupto, j\u00e1 que montado para ser comprado pelo dinheiro da elite do dinheiro. A classe m\u00e9dia pode ganhar sua \u201cboa consci\u00eancia\u201d, mesmo humilhando e explorando os mais fr\u00e1geis, apenas se escandalizando com a suposta imoralidade estatal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nesse sentido, a elite do dinheiro e seus comandados na vida intelectual e na imprensa passam a possuir o cora\u00e7\u00e3o e a mente da classe m\u00e9dia e podem recorrer a esse capital na luta pol\u00edtica sempre que necess\u00e1rio. Como as classes populares s\u00e3o menos influenci\u00e1veis por esse tipo de mecanismo \u2013 protegidas pelo seu racionalismo pr\u00e1tico \u2013, a vida pol\u00edtica do Brasil, desde ent\u00e3o, \u00e9 dominada por golpes de Estado movidos pela elite do dinheiro, com o apoio da imprensa e da base social da classe m\u00e9dia, sempre que a soberania popular amea\u00e7ar ou efetivar, por pouco que seja, interesses das classes populares.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">J\u00e1 nos anos 1950, o embate se d\u00e1 entre a elite do dinheiro aliado \u00e0 imprensa que ela, elite do dinheiro, n\u00e3o s\u00f3 construiu materialmente, mas tamb\u00e9m lhe deu o discurso simb\u00f3lico que a caracteriza. O embate desigual se deu, j\u00e1 nessa \u00e9poca, como se d\u00e1 ainda hoje, entre a elite do dinheiro e a fra\u00e7\u00e3o conservadora dominante na classe m\u00e9dia como sua \u201cbase popular\u201d, contra as classes populares e suas lideran\u00e7as. Todo o esquema que operou no recente \u201c<i>golpeachment<\/i>\u201d de 2016 j\u00e1 estava armado desde o segundo governo Vargas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Muito especialmente o tema da corrup\u00e7\u00e3o seletiva passa a ser usado sistematicamente j\u00e1 contra Get\u00falio Vargas com retumbante sucesso. Carlos Lacerda e toda a m\u00eddia conservadora cerram fileiras e provocam como\u00e7\u00e3o popular j\u00e1 se utilizando de dispositivos que hoje s\u00e3o conhecidos como p\u00f3s-verdade, ou seja, a constru\u00e7\u00e3o de vers\u00f5es sem prova com o intuito de produzir determinado efeito difamat\u00f3rio. Mesmo que a mentira se revele enquanto tal mais tarde, seu efeito destrutivo j\u00e1 foi realizado. O suic\u00eddio de Vargas a partir de comprovadas inverdades ditas contra ele mostra a efic\u00e1cia do esquema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As ideias dominantes para a reprodu\u00e7\u00e3o do elitismo brasileiro, como a do patrimonialismo que demoniza seletivamente o ocupante do Estado e a do populismo que demoniza as classes populares, n\u00e3o s\u00e3o apenas ensinadas nas escolas e nas universidades. Seu ensino nas universidades \u00e9 importante pois confere o prest\u00edgio do conhecimento cient\u00edfico, com seu apan\u00e1gio de universalidade e neutralidade objetiva, a essas vis\u00f5es muito particulares da vida social e pol\u00edtica. Armadas dessa consagra\u00e7\u00e3o do campo cient\u00edfico, elas passam a ter ainda mais peso na forma\u00e7\u00e3o de uma opini\u00e3o p\u00fablica manipulada ao se transformarem em motes usados como arma pol\u00edtica pela grande imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Dependendo do caso espec\u00edfico, \u00e0s vezes temos a corrup\u00e7\u00e3o apenas do Estado, o patrimonialismo como mote principal, ou o populismo, o velho medo da ascens\u00e3o das classes populares. Mas os dois est\u00e3o sempre presentes. Afinal, essa \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o enquanto mecanismo que sempre pode ser ativado ao sabor das circunst\u00e2ncias: sempre que a regra democr\u00e1tica ferir o mandonismo e privatismo da elite do dinheiro, o dispositivo pode ser ativado, permitindo a captura da classe m\u00e9dia moralista e a estigmatiza\u00e7\u00e3o das classes populares e suas demandas. A esfera p\u00fablica comprada \u00e9 o dado decisivo de todo o processo. Por conta disso, sua an\u00e1lise \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mais ainda que a queda de Get\u00falio Vargas, foi o golpe de 64 que mostrou as entranhas e os perigos desse mecanismo. Nesse caso, o populismo foi mais importante que o mote do patrimonialismo e da corrup\u00e7\u00e3o. Ainda que ambos tenham andado de m\u00e3os dadas como sempre. Em um contexto de ebuli\u00e7\u00e3o social e clamor por reformas de base que tornassem o pa\u00eds mais inclusivo, a acusa\u00e7\u00e3o de populismo casa-se com a de comunismo e mobiliza as For\u00e7as Armadas chamadas pela imprensa e pela elite do dinheiro a desempenhar seu \u201cpapel constitucional\u201d. A fra\u00e7\u00e3o conservadora majorit\u00e1ria da classe m\u00e9dia faz sua parte e confere a apar\u00eancia de base popular do golpe. Como os golpes precisam ter a apar\u00eancia de legalidade, as For\u00e7as Armadas desempenharam esse papel interpretando a seu modo dispositivos constitucionais. Mesma fun\u00e7\u00e3o exercida pelo aparelho jur\u00eddico-policial do Estado no golpe atual.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Foram mais de vinte anos de ditadura feroz e de aprofundamento da j\u00e1 abissal desigualdade brasileira. Desenvolveu-se um modelo econ\u00f4mico e social que beneficiou unicamente a elite do dinheiro, que ganhou novos parceiros internacionais na explora\u00e7\u00e3o de um mercado interno cativo e de pouca produtividade. A classe m\u00e9dia, que somava no m\u00e1ximo 20% do pa\u00eds, tornou-se a consumidora dos autom\u00f3veis e dos bens dur\u00e1veis mais caros e de menor qualidade, na compara\u00e7\u00e3o internacional, que o pa\u00eds passou a produzir, relegando as classes populares ao arrocho salarial. O Brasil da elite do dinheiro realizou o seu ideal e se converteu em um pa\u00eds para 20% de sua popula\u00e7\u00e3o que era e ainda \u00e9 o tamanho da classe m\u00e9dia entre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O golpe de 64 realiza na pr\u00e1tica o acordo antipopular da elite e da classe m\u00e9dia ao levar ao paroxismo a constitui\u00e7\u00e3o de uma sociedade baseada no mais completo apartheid de classes. Passa a existir um mercado de produtos restritos para as classes do privil\u00e9gio e outro mercado pior e mais prec\u00e1rio para as classes populares. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m todos os servi\u00e7os, inclusive os do Estado, passam a institucionalizar e separar a escola de classe m\u00e9dia da escola dos pobres, hospital da classe m\u00e9dia e hospital para pobres, bairros de classe m\u00e9dia e bairros para pobres, e assim por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Passam a subsistir dois pa\u00edses dentro do mesmo espa\u00e7o, que o economista Edmar Bacha chamou de \u201cBel\u00edndia\u201d, uma pequena B\u00e9lgica para os 20% de privilegiados e uma grande \u00cdndia empobrecida e carente para os 80% restantes. \u00c9 poss\u00edvel agora ser de classe m\u00e9dia e n\u00e3o mais compartilhar espa\u00e7os sociais com as classes populares. O brasileiro de classe m\u00e9dia passa a se ver efetivamente como um belga e s\u00f3 ver os \u201cindianos\u201d, em casa obedientes e domesticados, como os velhos escravos dom\u00e9sticos. Essa passa a ser a normalidade da vida social brasileira. (Souza 2017, 139\u201144)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Essas reflex\u00f5es entusiasmantes foram publicadas em 2017, e seu autor antev\u00ea a abordagem ideol\u00f3gica no sucesso de personalidades autorit\u00e1rias. Ele d\u00e1 \u00eanfase sobre o revezamento de opini\u00e3o que satura o espa\u00e7o p\u00fablico de coment\u00e1rios obsequiosos e ruinam toda possibilidade real de debate para uma sociedade brasileira inclusiva. O mais impressionante continua a ser o fato de que esse modelo possa impregnar o eleitor comum que ningu\u00e9m vem amea\u00e7ar e que, entretanto, vive numa fobia securit\u00e1ria e desconfia de toda pessoa que possa se aproximar. O sucesso bolseiro dos comerciantes de armas n\u00e3o \u00e9 apenas uma met\u00e1fora.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Uma vez apresentadas essas reflex\u00f5es, restam mesmo assim algumas quest\u00f5es. A primeira \u00e9 bem simples: como explicar que o grito de alerta contra o PT n\u00e3o suscitou uma renova\u00e7\u00e3o dos temas do partido para entender e aproveitar a nova situa\u00e7\u00e3o e lan\u00e7ar uma campanha do porvir frente a um governo estagnado e retr\u00f3grado? O PT ignorou e contemplava sua obra como um capital mobiliz\u00e1vel para retornar ao poder. Para al\u00e9m do PT, porque Ciro Gomes e os outros candidatos democr\u00e1ticos finalmente obtiveram apenas menos de 20% dos votos, deixando a metade do eleitorado se declarar por um aventureiro da repress\u00e3o? Para al\u00e9m de correntes de pensamento, existe uma patologia coletiva: como as mulheres, os negros ou mesti\u00e7os podem votar em algu\u00e9m que os insulta sem nenhuma vergonha? Porque as gera\u00e7\u00f5es mais jovens dadas aos estudos n\u00e3o fizeram nada para se opor aos velhos que ret\u00e9m o pa\u00eds desde o golpe de Estado? Porque os que conheceram a ditadura em suas inf\u00e2ncias n\u00e3o reagiram \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es? Como os jornalistas e classes intermedi\u00e1rias diplomadas n\u00e3o sinalizam mais oficialmente o risco iminente da censura e da opress\u00e3o? Nenhuma greve espont\u00e2nea, poucas declara\u00e7\u00f5es alarmistas, nenhum empres\u00e1rio para manifestar suas diverg\u00eancias com o resto da manada, \u00e9 o mist\u00e9rio de uma apatia democr\u00e1tica embalada sob a embriaguez consumista. Fim da pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Da\u00ed pensar no efeito das redes sociais sobre as quais cada um se descarrega sem agir, existe apenas um passo \u2013 mas, faltam os elementos de demonstra\u00e7\u00e3o<sup class=\"modern-footnotes-footnote \" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000005de0000000000000000_253\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_253-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000005de0000000000000000_253-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">Ver Wormser <a href=\"http:\/\/www.sens-public.org\/articles\/1186\/\"><em>Approches du Br\u00e9sil<\/em>,<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.sens-public.org\/articles\/1196\/\"><em>Approches du Br\u00e9sil (2)<\/em>,<\/a><\/span>. A aus\u00eancia de lideran\u00e7a alternativa \u00e9 um elemento crucial: em 1992, o F\u00f3rum Social Mundial teve seu m\u00e1ximo de repercuss\u00e3o depois de sua edi\u00e7\u00e3o no Brasil. Ele foi organizado pelos eclesi\u00e1sticos de esquerda, um tipo de mediador que desapareceu: somente Leonardo Boff ainda se expressa, com uma idade avan\u00e7ada, e sua influ\u00eancia reduzida. N\u00e3o se diria nem mesmo que se trata da influ\u00eancia do dinheiro: muitos brasileiros n\u00e3o tem nem um pouco e as ajudas p\u00fablicas ou os servi\u00e7os p\u00fablicos dos quais se beneficiam deveriam ter lhes protegido de um voto que far\u00e1 vir ao poder personagens que cortar\u00e3o os or\u00e7amentos p\u00fablicos para se conciliar com Wall Street, de quem dependem as ajudas financeiras do governo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os acontecimentos no Brasil foram ritmados pelos judici\u00e1rio e, de certa forma, pode-se considerar que Bolsonaro \u2013 portanto, sem problemas com o Estado de Direito \u2013 \u00e9 mesmo a criatura deles. Existe alguma coisa que se apega ao regime peculiar da jurisprud\u00eancia, que \u00e9 de se estabelecer em fun\u00e7\u00e3o das interpreta\u00e7\u00f5es do passado. \u00c9 preciso uma energia particular para tirar dos princ\u00edpios antigos interpreta\u00e7\u00f5es inventivas. Tal como n\u00e3o foi o caso no Brasil, onde as garantias de transpar\u00eancia e de equidade processual, que figuram nos altos, favorecem a condena\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da classe pol\u00edtica pela m\u00eddia. Esses mesmos princ\u00edpios poderiam ter conduzido o STF a interromper o ass\u00e9dio a Lula: \u00e9 mal visto de aprisionar aquele que foi o emblema maior da democracia brasileira. Aqui perdura uma vis\u00e3o obsoleta de puni\u00e7\u00e3o onde um amplo debate hist\u00f3rico desemboca em uma melhor pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">E sobretudo, esse princ\u00edpio de transpar\u00eancia que ligou os tribunais aos canais de TV \u2013 o quarto poder \u2013 deixou \u00e0 sombra um poder tradicional, o militares, cujos chefes acompanharam de perto todos os epis\u00f3dios. V\u00e1rias vezes, algumas patentes indicaram suas prefer\u00eancias pela ordem que lhes era conveniente. Os militares e os ju\u00edzes s\u00e3o tudo menos transparentes com os cidad\u00e3os, enquanto que os pol\u00edticos foram cotidianamente controlados. &nbsp;Sob a lideran\u00e7a de Bolsonaro, os militares ser\u00e3o o pilar do governo em par com os ju\u00edzes conservadores. O Brasil deveria sair o mais r\u00e1pido desse retrocesso. E o poder pol\u00edtico est\u00e1 nas m\u00e3os de duas institui\u00e7\u00f5es mais hier\u00e1rquicas que democr\u00e1ticas, o pa\u00eds risca de encorpar os pesadelos da ditadura, como os filmados por Felipe Poroger em 2014 em seu curta metragem \u201cEnquanto o sangue coloria a noite, eu olhava as estrelas\u201d. O cineasta acaba de publicar um longo coment\u00e1rio sobre o antissemitismo dos partid\u00e1rios de Bolsonaro. Ele \u00e9 o retrato de como a ignor\u00e2ncia e a falsifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ainda nutre mais uma vez viol\u00eancias ruinosas (Poroger, 2018). &nbsp;Brasil \u00e9 ainda o primeiro dos grandes Estados democr\u00e1ticos do mundo onde a brusca interrup\u00e7\u00e3o do crescimento se traduziria por uma ruptura pol\u00edtica, permitindo a um governo de extrema direita de captar o essencial dos poderes em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. Levando em conta os imensos recursos do pa\u00eds vendidos no mundo inteiro, essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o resulta de um choque exterior. A quest\u00e3o brasileira \u00e9 a dificuldade de inscrever as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, marcadas pelo conformismo moral e os v\u00ednculos de depend\u00eancia muito pouco questionados, numa perspectiva do porvir. N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio muito tempo para saber se contra-poderes ser\u00e3o instalados ou se um regime repressivo suspende na pr\u00e1tica as garantias oferecidas pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Por ora, Jess\u00e9 Souza lembra que o fascismo sempre brincou sobre as divis\u00f5es internas \u00e0s classes dominantes. Os respons\u00e1veis pol\u00edticos devem resistir aos alarmes de um falso moralismo que op\u00f5e os pobres merecedores dos \u201cmaus\u201d pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>23 de outubro de 2018<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por&nbsp;G\u00e9rard Wormser<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Tradu\u00e7\u00e3o&nbsp;B\u00e1rbara Cardoso<\/p>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bolsonaro. 2018. <\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">clip<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/youtu.be\/5VrKQWNC0r4\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/youtu.be\/5VrKQWNC0r4<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;CNBB pede para cat\u00f3licos votarem em candidatos favor\u00e1veis a democracia e contra a violencia &nbsp;\u00bb. 2018. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil 247<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, octobre. <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/pt\/247\/brasil\/371697\/CNBB-pede-para-cat%C3%B3licos-votarem-em-candidatos-favor%C3%A1veis-%C3%A0-democracia-e-contra-a-viol%C3%AAncia.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.brasil247.com\/pt\/247\/brasil\/371697\/CNBB-pede-para-cat%C3%B3licos-votarem-em-candidatos-favor%C3%A1veis-%C3%A0-democracia-e-contra-a-viol%C3%AAncia.htm<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Folha. 2018a.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00ab &nbsp;Bolsonaro prevalece em cidades com mais qualidade de vida &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">UOL<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, octobre. <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/10\/bolsonaro-prevalece-em-cidades-com-mais-qualidade-de-vida.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/10\/bolsonaro-prevalece-em-cidades-com-mais-qualidade-de-vida.shtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Folha. 2018b.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00ab &nbsp;Onda pr\u00f3 Bolsonaro em santa Catarina atinge todos os estratos sociais &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">UOL<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, octobre. <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/10\/onda-pro-bolsonaro-em-santa-catarina-atinge-todos-os-estratos-sociais.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/10\/onda-pro-bolsonaro-em-santa-catarina-atinge-todos-os-estratos-sociais.shtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Gaspar, Malu. 2018. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;O fiador &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Revista Piau\u00ed<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> 144 (septembre). <\/span><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/o-fiador\/?doing_wp_cron=1539785539.1051170825958251953125\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/o-fiador\/?doing_wp_cron=1539785539.1051170825958251953125<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>IMAFLORA. 2017. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;Atlas agropecu\u00e1rio do Brasil &nbsp;\u00bb. <\/span><a href=\"http:\/\/imaflora.blogspot.com\/2017\/03\/atlas-agropecuario-revela-malha.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/imaflora.blogspot.com\/2017\/03\/atlas-agropecuario-revela-malha.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Inmanin Bali, Phillip. 2018. \u00ab &nbsp;Asian countries dominate World Bank\u2019s new index of investment in \u201chuman capital\u201d &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Guardian<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, octobre. <\/span><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2018\/oct\/11\/asian-countries-dominate-world-banks-new-index-of-investment-in-human-capital\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2018\/oct\/11\/asian-countries-dominate-world-banks-new-index-of-investment-in-human-capital<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;Le pape Fran\u00e7ois compare l\u2019avortement au recours \u00e0 un tueur \u00e0 gages &nbsp;\u00bb. 2018. <\/span><b><i>Le Monde<\/i><\/b><b>, octobre.<\/b> <a href=\"https:\/\/abonnes.lemonde.fr\/religions\/article\/2018\/10\/10\/le-pape-francois-compare-l-avortement-au-recours-a-un-tueur-a-gages_5367268_1653130.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/abonnes.lemonde.fr\/religions\/article\/2018\/10\/10\/le-pape-francois-compare-l-avortement-au-recours-a-un-tueur-a-gages_5367268_1653130.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Oxfam International and Development Finance International. 2018. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;The Commitment to reducing inequality index 2018 &nbsp;\u00bb. <\/span><a href=\"https:\/\/oxfamilibrary.openrepository.com\/bitstream\/handle\/10546\/620553\/rr-commitment-reducing-inequality-index-2018-091018-summ-en.pdf?sequence=19&amp;isAllowed=y\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/oxfamilibrary.openrepository.com\/bitstream\/handle\/10546\/620553\/rr-commitment-reducing-inequality-index-2018-091018-summ-en.pdf?sequence=19&amp;isAllowed=y<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Piketty, Thomas. 2017. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;Thomas Piketty et les in\u00e9galit\u00e9s au Br\u00e9sil &nbsp;\u00bb. <\/span><a href=\"https:\/\/www.anacaona.fr\/blog\/thomas-piketty-inegalites-bresil\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.anacaona.fr\/blog\/thomas-piketty-inegalites-bresil\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Piketty, Thomas. 2018. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;Au Br\u00e9sil la R\u00e9publique est menac\u00e9e &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Le Monde<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, octobre. <\/span><a href=\"https:\/\/abonnes.lemonde.fr\/idees\/article\/2018\/10\/13\/thomas-piketty-au-bresil-la-republique-menacee_5368820_3232.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/abonnes.lemonde.fr\/idees\/article\/2018\/10\/13\/thomas-piketty-au-bresil-la-republique-menacee_5368820_3232.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Poroger, Felipe. 2018.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00ab &nbsp;Com Ideia de holofraude apoiador de Bolsonaro faz nazismo vira piada &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">UOL<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2018\/10\/com-ideia-de-holofraude-apoiador-de-bolsonaro-faz-nazismo-virar-piada.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2018\/10\/com-ideia-de-holofraude-apoiador-de-bolsonaro-faz-nazismo-virar-piada.shtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;\u201cSe eu for eleito, o Brasil sai da ONU\u201d, diz Bolsonaro ap\u00f3s apoio a Lula &nbsp;\u00bb. 2018. <\/span><b><i>Veja<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/bolsonaro-defende-saida-de-conselho-da-onu-apos-apoio-a-lula\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/bolsonaro-defende-saida-de-conselho-da-onu-apos-apoio-a-lula\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab &nbsp;Secondo Datafolha 69% dos brasileiros aprovam democracia &nbsp;\u00bb. 2018. <\/span><b><i>Brasil 247<\/i><\/b><b>, octobre. <\/b><a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/pt\/247\/brasil\/371145\/Segundo-Datafolha-69-dos-brasileiros-aprovam-a-democracia-%C3%ADndice-recorde.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.brasil247.com\/pt\/247\/brasil\/371145\/Segundo-Datafolha-69-dos-brasileiros-aprovam-a-democracia-%C3%ADndice-recorde.htm<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Souza, Jess\u00e9. 2017.<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">A Elite do Atraso<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo : Leya.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Souza, Jess\u00e9. 2018a.<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">A tolice da intelig\u00eancia brasileira<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Leya.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Souza, Jess\u00e9. 2018b.<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Subcidadania brasileira<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Leya.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Souza, Jess\u00e9. 2018c.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00ab &nbsp;A ascens\u00e3o do fascismo &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">GGN<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, octobre. <\/span><a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/noticia\/a-ascensao-do-fascismo-por-jesse-souza\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/jornalggn.com.br\/noticia\/a-ascensao-do-fascismo-por-jesse-souza<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Toledo, Luis Fernando. 2018.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00ab &nbsp;Rede pr\u00f3-Bolsonaro engaja mais do que Madonna e Neymar &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Estadao<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, octobre. <\/span><a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/eleicoes,rede-pro-bolsonaro-engaja-mais-do-que-madonna-e-neymar,70002544629\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/eleicoes,rede-pro-bolsonaro-engaja-mais-do-que-madonna-e-neymar,70002544629<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>WID. 2017.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00ab &nbsp;World Inequality Brazil &nbsp;\u00bb. <\/span><a href=\"https:\/\/wid.world\/country\/brazil\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/wid.world\/country\/brazil\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>WID. 2018.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00ab &nbsp;World Inequality Reference &nbsp;\u00bb. <\/span><a href=\"https:\/\/wir2018.wid.world\/files\/download\/wir2018-summary-french.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/wir2018.wid.world\/files\/download\/wir2018-summary-french.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Wormser, G\u00e9rard. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">s. d. \u00ab &nbsp;approches du Br\u00e9sil (1) Attendu au tournant : le retour de Lula &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sens public<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"http:\/\/sens-public.org\/article1186.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/sens-public.org\/article1186.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Wormser, G\u00e9rard.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> s. d. \u00ab &nbsp;approches du Br\u00e9sil (2) La f\u00eate Temer &nbsp;\u00bb. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sens public<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><a href=\"http:\/\/sens-public.org\/article1196.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/sens-public.org\/article1196.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[Esse artigo foi publicado originalmente no site da associa\u00e7\u00e3o, revista eletr\u00f4nica e editora Sens Public e pode ser acessada atrav\u00e9s do link <\/span><a href=\"http:\/\/sens-public.org\/article1360.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/sens-public.org\/article1360.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>G\u00e9rard Wormser &nbsp;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 fil\u00f3sofo e editor formado em Paris, fundador e diretor de <\/span><b>Sens Public<\/b> <span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 rede de recursos, revista eletr\u00f4nica e editora com sede em Lyon, especialista em fenomenologia moral e pol\u00edtica, autor de uma tese sobre<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Jean-Paul Sartre. Depois de 15 anos na <\/span><b>Escola Normal Superior <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">de Lyon, ensina na Universidade de Rouen e \u00e9 pesquisador associado \u00e0 Universidade de Bras\u00edlia. Sua a\u00e7ao europeia e internacional \u00e9 centrada sobre a quest\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es culturais e das redes de conhecimentos. Criador do laborat\u00f3rio <\/span><b><i>Editorializa\u00e7\u00e3o das Ci\u00eancias Humanas <\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">(MSH Paris-Nord, 2007), organizador dos <\/span><b><i>Congresso Multilingu\u00edstico e Trabalho em Rede<\/i><\/b> <span style=\"font-weight: 400;\">e <\/span><b><i>A Governan\u00e7a da Edi\u00e7\u00e3o Digital <\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">(Cnrs-INHA, 2010), criador de in\u00fameros semin\u00e1rios na Fran\u00e7a e no exterior, sua reflex\u00e3o sobre a antropologia digital se desdobra em diversas publica\u00e7\u00f5es antes do lan\u00e7amento de sua obra mais recente <\/span><b><i>Facebook, A Escola de Fans<\/i><\/b> <span style=\"font-weight: 400;\">(2018). Preside a <\/span><b>Bolsa Max Lazard <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e0 <\/span><b>Sciences Po<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, contribui nas redes sartreanas na Europa e no Brasil, onde \u00e9 membro fundador do blog e revista eletr\u00f4nica <\/span><b>ColetivoBrasil<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>B\u00e1rbara Cardoso<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 poeta, jornalista e cr\u00edtica cultural, tradutora liter\u00e1ria e cient\u00edfica, com experi\u00eancia no MKT cultural e elabora\u00e7\u00e3o de projetos para subven\u00e7\u00e3o de propostas culturais, como <\/span><b><i>Livro e Exposi\u00e7\u00e3o de Tereza Costa R\u00eago<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b><i>Livro e Exposi\u00e7\u00e3o de Sivuca<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b><i>Olinda &#8211; Soberanos do Congo<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, entre outros, bem como v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es do <\/span><b><i>Carnaval de Olinda<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, seja pela Publikimagem, seja pela Secretaria de Patrim\u00f4nio e Cultura da Prefeitura de Olinda, assistente de dire\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio <\/span><b><i>Gigantes<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, de Raoni Moreno, fruto do projeto <\/span><b><i>Olinda &#8211; Bonecos na Ladeira<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> que tamb\u00e9m originou um livro hom\u00f4nimo. Membro fundadora do programa radiof\u00f4nico <\/span><b><i>Interfer\u00eancia Cultural<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, entrevistou personalidades da cultura pernambucana e brasileira. Enquanto jornalista e cr\u00edtica cultural, Colaborou com a revista <\/span><b><i>Continente<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, sob \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de Homero Fonseca. Realizou o document\u00e1rio <\/span><b><i>Onde Estar\u00e1 a Norma?<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (2007), sobre a obra do poeta <\/span><b>Mir\u00f3<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, da slam poesia brasileira. Em Orl\u00e9ans, produziu o <\/span><b><i>Vozes de Orl\u00e9ans <\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">em sua primeira (2016) e segunda (2017) edi\u00e7\u00e3o, <\/span><b><i>Loire Art Show<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> 1 (2017) e o <\/span><b><i>Jazz \u00e0 L\u2019Ev\u00each\u00e9 2017<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 membro fundadora do blog, revista e editora eletr\u00f4nica <\/span><b>ColetivoBrasil<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (2017) (http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/).<\/span><\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<h3 class=\"modern-footnotes-list-heading modern-footnotes-list-heading--hide-for-print\">Notas<\/h3><ul class=\"modern-footnotes-list modern-footnotes-list--hide-for-print\"><li><span>1<\/span><div>Ver Wormser <a href=\"http:\/\/www.sens-public.org\/articles\/1186\/\"><em>Approches du Br\u00e9sil<\/em>,<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.sens-public.org\/articles\/1196\/\"><em>Approches du Br\u00e9sil (2)<\/em>,<\/a><\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nessa segunda parte do texto, o autor apronfunda sua indaga\u00e7\u00e3o de como foi poss\u00edvel a ascen\u00e7\u00e3o da extrema-direita no Brasil<span>&#91;&#8230;&#93;<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":2516,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_FSMCFIC_featured_image_caption":"","_FSMCFIC_featured_image_nocaption":"","_FSMCFIC_featured_image_hide":"","footnotes":""},"categories":[4,47,76,2],"tags":[9,56,107,17,101,110,104,109,108,106,112],"class_list":["post-253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-coletivos-institucionais","category-politica","category-traducoes","tag-bolsonaro","tag-brasil","tag-cidadania","tag-classe-media","tag-democracia","tag-desigualdade","tag-eleicoes","tag-espaco","tag-espaco-publico","tag-extrema-direita","tag-gerard-wormser"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2539,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions\/2539"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2516"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blog.sens-public.org\/coletivobrasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}